Logo mais participarei de um papo sobre campanha eleitoral online na TV Alerj e achei que seria útil refletir aqui sobre o tema.

A atenção geral está sobre as redes sociais online em virtude do seu potencial de viralização de memes, mas as campanhas online obviamente vão muito além disso:

  • Site do condidato,
  • Mail marketing
  • Anúncios em sites ou adwords
  • Aplicativos móveis
  • Jornais (esses supostamente sem controle dos candidatos)
  • Outros pois a Rede é vasta

No entanto o que eu observo é que essas eleições estão sendo marcadas por:

  • Políticos do século XX que entendem que o eleitor é o mesmo, só mudou o meio de comunicação e o controle que eles tem sobre a informação
  • Uma população com expectativas do século XXI como transparência, humildade e conteúdo
  • Grupos crescentes de eleitores ultra conectados com expectativas mais próximas do século XXII do que do século XX

Não se trata de tecno-otimismo, não estou falando que o eleitor moderno é totalmente diferente, mas ele definitivamente está se tornando diferente há muito tempo.

Nesse ponto vale a pena exclarecer a nossa visão de Internet.

A Grande Rede não produziu a sociedade atual, foi a sociedade que se apropriou dela para usá-la como canal para superar uma demanda profunda por ter sua própria voz (ou ilusão disso). O grande problema é quando se tenta analisar a Rede observando os seus pioneiros (early adopters); esses testam os princípios que regerão (ou não) a sociedade futura.

Seja para a sociedade que está construindo a Internet, seja para os pioneiros creio que podemos dizer que essas eleições não foram marcadas pela presença online dos políticos.

Provavelmente o que a população esperava ver (mesmo os desconectados) era diálogo. Mais do que políticos prontos a responder os eleitores como se todos fossem, não jornalistas, mas seus parceiros na construção do país, estado ou cidade; o que se esperava era a disposição de governar junto, de mostrar que está ouvindo os anseios populares. Isso não aconteceu.

Isso é, claro, uma suposição minha.

O que vimos foi bem o contário.

Cito um exemplo.

Ao ser questionado no Twitter se pagava para fala que tuiteiros o elogiassem um candidato respondeu grosseiramente atacando seu adversário, algo como:

“Você deveria estar preocupado com o xpto usar funcionário da câmara na campanha. Ainda diz que e voluntário”

O candidato não está em um debate com outros candidatos, não estaá falando com jornalistas. Ele está no meio de uma rua online em contato direto com pessoas que fazem perguntas e esperam respostas e não o mesmo jogo político-jornalístico de sempre.

Omito as identidades do caso acima por entender que na política nacional ainda predomina o uso da força jurídica contra críticas abertas, aliás, note-se que nosso país é um dos campeões mundiais em pedido de censura a conteúdo para o Google.

Essa é outra falha profunda das campanhas online: o que se espera é transparência e até mesmo o humur esteve a um passo de ser censurado.

Esse acabou sendo um post no estilo clássico dos blogs do início do século: um rascunho de reflexões, mas sempre preferi provocar o pensamento a limitá-lo com respostas prontas.

Sintetizando…

Ao pensar em campanhas online devemos nos lembrar que não há qualquer tipo de separação entre pessoas online e offline. São a mesma sociedade.

A cada dia essa sociedade é menos influenciável pela mídia e pelos artifícios antigos, mas ainda não será dessa vez que a Internet terá um impacto decisivo a favor de qualquer candidato, não por deficiência dos eleitores ou da Internet, mas, mais provavelmente, por nenhum candidato ter encontrado os anseios que ocupam os desejos da nossa população…

… Estavam procurando nos lugares errados.

Atualizando em 30/09/2010

Vou escrever um post programado para ser publicado às 16h de domingo quando o programa vai ao ar na TV Alerj. Nele vou tentar responder melhor as perguntas. Ainda bem que o Carlos Nepomuceno estava lá também! Ele manda bem melhor que eu em entrevistas 🙂

Tentei inserir nas minhas respostas alguma base para tornar mais claro como vejo a Internet e acabei sendo pouco claro nas respostas.

Percebi que, quando vamos falar de um processo social, cultural, político, econômico, moral… tão vasto como o que criou a Internet devemos começar com uma breve introdução de uns 30 segundos que deixe claras as bases da nossa abordagem.

Algo como:

Entendendo a Internet não como uma mera continuação das ferramentas de comunicação, mas como parte de um longo processo histórico que vem desde o início da civilização  atendendo às imposições evolutivas não só dos nossos genes, mas da nossa consciência (memes, grosso modo) vemos que ela é totalmente diferente da TV, do rádio, jornais ou revistas. Ela é um movimento de retorno às ágoras gregas onde todo cidadão (teoricamente) tem sua própria voz; um movimento em direção a uma hiperdemocracia que do contrário seria impossível em uma civilização com 7 bilhões de indivíduos e tantas limitações básicas (1,5 bilhão de pessoas não tem luz).

O caminho a percorrer ainda é longo, mas inexorável: sendo um processo histório e imposição evolutiva será apenas uma questão de tempo (talvez menos do que esperamos) para que todos os humanos estejam conectados exigindo novas relações de poder, novos princípios de moral, novas leis, novas formas de representação política, uma nova civilização.

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