Imagem: Pasar Triwindu, Indonésia – Kukuh Himawan Samudro

Vamos ver se assim fica claro, ok?

João tem uma quitanda.

José tem uma quitanda.

Uma fica de frente para a outra.

São grandes quitandas que todo mundo conhece.

João rouba no peso dos produtos.

José rouba no volume dos produtos.

João e José são pessoas ruins.

Só que as quitandas de João e José tem produtos para quase todos os gostos.

Matias, Márcia, Carlos, Jéssica e o casal Manoel e Joaquim também tem quitandas. São pessoas honestas que não enganam ninguém, mas não agradam a todos por um motivo ou por outro.

Então as pessoas se dividem entre comprar com o João ou com o José.

De vez em quando João espalha um boato sobre José e José espalha um boato sobre o João.

– O arroz de todo mundo tem caruncho, menos o meu! – diz um deles.

– Todo mundo vende carne de vaca louca, menos eu! – diz o outro.

Todo mundo sabe que é mentira, mas como José e João sabem conquistar a simpatia de uns e de outros (“Ah! Vc precisa ficar do lado de quem é do seu lado da rua, né?”) algumas pessoas se organizam em times “Vai João!” ou “Salve José!” e espalham as mentiras dos seus times, mesmo sabendo que são mentiras, afinal é guerra!

Essas pessoas são tão ruins quanto João e José.

Enquanto elas não se juntarem às que procuram Matias, Márcia, Carlos, Jéssica e o casal Manoel e Joaquim a vizinhança continuará dividida entre as pequenas e grandes mentiras.

É verdade que as quitandas honestas são pequenas, muitas vezes estão escondidas em vielas e quase sempre são peças de fantasia, mas, se os clientes exigirem cada vez mais que a verdade e a honestidade esteja acima de tudo, até João e José terão que agir diferente.

Eu até já falei que não é tão simples, que não basta os clientes serem honestos (vídeo) e exigirem honestidade, mas ninguém vai discutir que clientes desonestos só atrapalham, não é?

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