Deixei o seguinte comentário no post do blog da Petrobrás em resposta ao #mimimi do jornal O Globo:

É com muita animação que recebo a criação desse blog!

Por décadas a mídia se acostumou a ser um porta voz acéfalo que repetia os fatos e dados, muitas vezes com erro.

Deveria caber à mídia analisar os fatos e dados construindo artigos críticos e inteligentes. O que temos visto é uma vasta galeria de matérias apressadas que parecem pagas hora por uma empresa, hora por sua concorrente.

Finalmente chegamos a uma era em que não precisamos de intermediários para compartilhar nossos fatos, dados e voz pessoal ou corporativa.

É triste ver a velha mídia preferindo chamar os blogueiros de chipanzés (não esqueci da propaganda do Bruno…) enquanto se comporta como um babuíno enfurecido.

A iniciativa da Petrobrás é louvável! Agora vamos observar duas coisas:

  1. Será que a velha mídia redescobrirá sua missão de aplicar inteligência aos fatos e dados?
  2. Quando os blogueiros fizerem o que a velha mídia não tem feito (e nós faremos) a Petrobrás saberá dialogar conosco sem apelar para a justiça com o intuito de restringir nossa liberdade de expressão como muitos tem feito?

A propósito faltou dizer no comentário que outra prática comum e irritante na velha mídia quando tenta atuar online é raramente fornecer links externos onde possamos ouvir o outro lado da matéria. Erro que o blog da Petrobrás também está cometendo e procuro corrigir aqui ao citar os dois.

Abordamos esse tema no Twitcast que irá ao ar ainda essa semana, mas há algo que precisa ser dito também em texto claro 😉

Você abre o jornal para saber como vão seus pais? Liga a tv para saber se a sua rua está engarrafada?

Não precisamos da mídia para nos mostrar o que está acontecendo ao nosso lado, e na era da Internet absolutamente tudo acontece logo aqui do nosso lado, da consulta da Demi Moore no dentista ao acesso aos dados da Petrobrás.

Precisamos dela para dizer que aquele complexo vitamínico que nossos pais estão ingerindo não é eficaz apesar da grande propaganda de meia página na folha anterior do jornal.

Quem está cumprindo esse papel são blogueiros como a Denise Arcoverde em sua série de posts sobre aspartame (um caso antigo para mostrar que não é um fenômeno novo).

Há muitos anos não leio jornais, não preciso deles para saber horas ou dias depois o que vejo quase instantaneamente online e cada vez mais gente percebe isso.

Para sobreviver a velha mídia precisa compreender a nova sociedade.

É claro que a inclusão digital ainda é um projeto e que gente sábia como o Nepomuceno nos lembra que não estamos diante de uma nova sociedade, mas o fato é que as espectativas sobre a mídia mudaram.

Sim, sim, também comentamos no Twitcast que as pessoas se sentem atraídas por coisas toscas e que a velha mídia está apenas buscando consumidores ao fazer sensacionalismo ou reality shows toscos, mas isso promove uma corrida para longe da qualidade do conteúdo da mídia em direção a coisas que qualquer um pode fazer melhor (e faz) no Youtube ou em blogs.

Arrisco uma sugestão (entre muitas outras) para reavivar a velha mídia: Junte-se a nós. Não tente ser um facho de luz cercado de pessoas perdidas, veja-se como mais uma voz, caminhe lado a lado com os milhões de Brunos que copiam e colam informações somando uma ou duas linhas da própria opinião (sempre linkando a fonte original), use a vantagem da sua capacidade investigativa para descobrir o que não podemos e converse conosco!

Acima de tudo, nós pessoas, gostamos de ser tratadas com repeito, como iguais e seremos muito legais com vocês se notarmos que seu compromisso é conosco e não quem aquele anunciante da página central ou aquele grupo politico-corporativo com quem todos tem ligações estranhas.

Pin It on Pinterest

Share This

Compartilhe!

Mande para suas redes sociais