Sim, estou sempre atrasado com os filmes e acabo vendo meses depois quando chega em DVD.

Neste caso foi bom pois Cloverfield é um filme que tem que ser citado nesse blog.

Sempre olhei para ele com certo preconceito por achar uma mera tentativa de reproduzir a experiência de A Bruxa de Blair. E é, né?

No entanto há algo nele que gostei: é o típico filme da era da Internet.

Em geral os filmes mostram as histórias do ponto de vista dos protagonistas que estão no centro da ação, mas em Cloverfield nós acompanhamos um punhado de pessoas comuns preocupadas com seus próprios problemas enquanto o grande evento se desenrola ao redor delas.

A bem da verdade em 1995 já houve um ensaio disso na minissérie de quadrinhos em 4 partes chamada Marvels (infelizmente esgotada onde procurei).

Outro filme recente que me ocorreu agora, e foi feito pouco depois de Cloverfield se não me engano, é The Happening (O Fim dos Tempos) do Shyamalan onde outro grupo de pessoas comuns se vê em meio a eventos que ocorrem ao seu redor… e só para citar mais um há a fracassada série de TV Jericho.

Hoje nós estamos nos acostumando a acompanhar o que acontece através dos fragmentos de informações distribuídos por outras pessoas comuns através do YouTube, do Twitter, de blogs e outras redes sociais e um filme como Cloverfield (ainda que vc o odeie) soa como algo natural e quase realista que certamente aconteceria de fato… Bem, se existissem monstros atacando Nova Iorque 😉

É curioso observar que essas histórias começaram bem antes do estágio em que a Internet está hoje o que, ao meu ver confirma a suposição que lí pela primeira vez nas palavras de Pierre Levy em Cybercultura: a tecnologia não muda a humanidade, é a humanidade que decide que rumos a tecnologia deve seguir.

Em outras palavras foi o nosso desejo (ou dos Memes que nos manipulam) de comunicação em massa, de inverter a árvore da comunicação, que criamos tanto a Internet quanto as redes sociais que hoje se alastram como uma teia voraz pela Rede.

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