Foto de 2010 da cratera lunar Giordano Bruno

Cratera Giordano Bruno, formada em 1178DC (clara à direita) – Fonte: Nasa 2010

A série Cosmos de 1980 foi um marco da popularização da ciência.

Nesse episódio fica muito claro que ela é marcada por duas grandes preocupações: A primeira é mostrar como o pensamento científico nos ajuda a ver o Universo como é e não como imaginamos que é. A segunda é passar o alerta da consciência ecológica.

Decidi que devia compartilhar aqui dois tipos de documentários: os que apresentam o pensamento científico e os que nos ajudam a entender o desenvolvimento da nossa consciência. Este está no primeiro caso com louvor.

A história de Gervase de Canterbury e de Immanuel Velikovsky são ótimos exemplos de pensamento científico e não científico.

Gervase era um monge numa época em que o céu era visto como um tipo de reflexo de Deus e devia ser imutável. Ele se movia, mas de forma regular e inalterável. No entanto, durante seu tempo de vida houve esse enorme impacto na Lua que produziu (sabemos hoje) a cratera Giordano Bruno.

Seus textos revelam seus medos a respeito de registrar os testemunhos dos monges que viram o fenômeno. Os fatos abalavam sua fé e ele tinha receio do fenômeno se tratar de uma manifestação do mal personificado.

Apesar disso ele decidiu registrar o mais fielmente possível o que foi observado e graças a isso, 800 anos depois, foi possível identificar a cratera causada pelo impacto (o documentário mais abaixo explica como).

Já Immanuel Velikovsky queria apaixonadamente provar que o Sol tinha parado como dizia a Bíblia além de explicar como o mar teria se aberto para Moisés passar com seu povo em fuga.

A explicação imaginada por Immanuel (recentemente em 1950) era que Júpiter teria expelido uma massa quase do tamanho da Terra há 3,5 mil anos e que essa massa teria vagado entre nosso planeta e Marte paralizando a nossa rotação para que o Sol parasse e abrindo o mar por exemplo antes de se fixar em uma órbita se tornando o planeta Vênus.

Uma hipótese como essa formulada em 1950 é completamente absurda pois na época já sabíamos que a composição de Venus e Júpiter são totalmente diferentes, um evento cósmico das proporções necessárias para destacar essa massa de Júpiter teria sido notado, Vênus foi observado por civilizações há mais de 3,5 mil anos, se a rotação da Terra fosse paralizada diversos desastres ocorreriam e ela não teria como retomar seu movimento, enfim, o método científico, desenvolvido no século XVI, foi totalmente ignorado.

Aqui temos que destacar uma das qualidades que tornaram Carl Sagan (apresentador de Cosmos e um dos seus autores) um grande homem da nossa história: apesar de todos os absurdos da hipótese de Immanuel ele repreende a comunidade científica da época que boicotou suas propostas sem usar argumentos científicos simplesmente descartando-a.

De fato, se observarmos cientificamente toda proposta, por mais absurda que pareça, muitas vezes encontraremos novos caminhos para o pensamento e novos fatos ou evidências que tenham estimulado aquelas hipóteses.

Isso tudo é apenas uma pequena parte do documentário abaixo que fala ainda do evento de Tunguska em 1908, mas primeiras espaçonaves humanas em outros planetas (as russas Venera que exploram Vênus) e da história das nossas descobertas sobre a estrela Vespertina como Vênus foi conhecido por milênios.

Vênus é um alerta para nós. Ele tem uma superfície com temperaturas em torno de 380 graus por causa do efeito estufa que sua atmosfera produz. O alerta de Sagan já em 1980 e confirmado 10 anos depois na edição comemorativa de Cosmos é que podemos tornar nosso planeta inabitável. Hoje temos ainda mais certeza disso muito embora ninguém tenha conseguido propor um modelo da extensão das mudanças climáticas que estamos provocando.

Assista o quarto episódio de Cosmos (o canal tem os outros 13):

[youtube]YwKRdhCeUUM[/youtube]

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