Introdução

Cartaz da série Através do Buraco de Minhoca

Imagem promocional da série – Fonte: Giant Freakin Robot

Adoro ciência, mas considero no mínimo arrogância buscar nela provas para a existência de algo divino no Universo pois não vejo qq sinal de que a ciência esteja sequer próxima de sonhar em estar próxima disso. Outra razão para buscar Deus na ciência é o que entendo como uma confusão entre a as buscas espirituais e científicas. Isso pede um parágrafo.

A busca espiritual está ligada à nossa consciência, a buscar modelos que nos ajudem a projetar o seu desenvolvimento e aprimoramento em uma direção que nos pareça mais humana, moral e ética (dá para acrescentar aqui outros adjetivos). A ciência pode nos ajudar a compreender como nossa consciência foi moldada até aqui, mas os próximos alvos estão fora do espectro científico que se dedica a tudo que é mensurável ou que pode ser testado pela metodologia científica. Temos uma área difusa de pesquisa científica nas ciências não exatas que caminharão por muitas eras ainda entre duas formas de pensamento muito difíceis de conciliar ou equalizar.

É por isso que me defino como ateu em relação aos deuses humanos e agnóstico em relação à existência de qualquer tipo de divindade, mas defendo a religiosidade, o misticismo ou a espiritualidade como ferramentas importantes para o desenvolvimento da nossa consciência e até considero que, se há divindades, essas tradições devem “beber” algo da sua fonte ainda que me pareça que mesmo nisso estamos muito distantes de tocar o possível aspecto divino do Cosmos e o que temos de fato são modelos criados por nós para nos aprimorarmos e esses modelos não teriam absolutamente nada a ver com Deuses (mas isso nem chega a ser uma hipótese, é mais um tipo de crença pessoal).

Depois dessas considerações iniciais vou tentar demonstrá-las comentando cada ponto onde a ciência estaria encontrando os Deuses.

Observações

  1. Se o equilíbrio das quatro forças universais fosse ligeiramente diferente não haveria vida então deve haver um Deus. Isso cai no caso “preciso achar um Deus”. Seria uma prova da existência de um poder sobrenatural se o Universo fosse mantido por alguma força invisível. Existe a possibilidade de haver infinitos universos onde essas forças não são equilibradas e onde não há ninguém para dizer que Deus não existe por causa disso. É o mesmo caso de dizer que existe Deus porque há vida na Terra, mas não há vida nos planetas onde a química necessária para o surgimento da vida é impossível. O documentário é muito bom e também mostra o outro lado.
  2. A teoria geométrica que unificaria todas as outras teorias em uma equação matemática, como eu disse acima, me parece mais uma contra-prova da existência de algo divino do que uma prova, mas talvez essa divindade ou divindades queiram justamente o que eu disse no começo: a separemos o entendimento do Universo e os rumos da nossa consciência (ou alma se preferir), ou seja, não é no Universo que encontraremos Deus, mas em nossa própria consciência futura. Tem um conto de Asimov assim..
  3. A experiência mística como uma função do hemisfério direito… Aqui tenho que fazer o advogado do diabo… Se bem que a favor de Deus e contra eu mesmo 😉 Pode ser que a estimulação de uma área do cérebro ative uma ligação real com a dimensão espiritual. O outro lado disso é saber que muitas experiências místicas podem vir da estimulação do cérebro e considerar que devemos sempre submeter nossas sensações à lógica para encontrar suas outras dimensões.
  4. Hipótese Matrix: Eu não quero questionar essa pois gosto dela 😉 No entanto retorno aqui ao fato de que ainda não deciframos de fato a essência das partículas que compõe o Universo e nem mesmo sabemos se são partículas. Para nossa tecnologia e compreensão atuais elas se parecem com pixels, mas é cedo para saltar daí para a hipótese de que vivemos em uma simulação rodando em um computador cósmico ou algo assim, mais ainda para supor que essa simulação é feita por nós mesmos nos futuro compondo assim um paradoxo. Cai novamente no caso “preciso ver Deus em algum lugar”.

Considerações finais

Existe um aspecto disso tudo que não podemos ignorar.

Desde que nós usemos a metodologia científica ou qualquer outra ferramenta de pensamento que nos permita testar nossas hipóteses sobre o Universo e o façamos com sinceridade, coragem e humildade para tecer novas hipóteses quando as atuais forem invalidadas não importa se o estímulo para nossa busca é encontrar Deus, negá-lo, entender como o Universo funciona, provar arrogantemente que somos divinos ou qualquer outro pois estaremos a caminho de entender melhor o Cosmos, nós mesmos e, se houver um ou mais Deuses ,estaremos nos aproximando deles.

Por último gostaria de deixar uma sugestão: que procuremos na ciência o entendimento do que é e do que foi e na filosofia, religiosidade, misticismo ou arte o futuro da nossa consciência ou alma.

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