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E quanto ao que pode dar errado na cultura digital? Esse foi o foco no segundo encontro.

A tarefa não é simples para quem está mergulhado no ambiente das transformações catalizadas pelo desenvolvimento exponencial das tecnologias da informação, mas a composição heterogênea da turma produziu bons momentos de reflexão.

Em  minha humilde opinião o que pode dar errado é que as transformações não são condizidas por nós humanos e não são criadas para as nossa snecessidades.

Estou convencido que, assim como os genes conduzem nossa evolução física no sentido de nos tornar cada vez mais aptos a perpetuá-lose e lhes dar ambiente para sofrer mutações e evolução são os memes que conduzem a evolução da nossa cultura.

Naturalmente evolução no caso não implica em ser mais civilizado, sábio ou inteligente, mas meramente mais aptos a processar, reproduzir e criar memes.

Podemos até abraçar os temores de Susan Blackmore: se criarmos máquinas capazes de criar memes (processar e reproduzir elas já são capazes) os humanos podem se tornar desnecessários levando a um cenário como o de Galactica ou Matrix.

Trazendo essas alucinações ciberpunks para nossa realidade diária caímos no dilema moderno e mais prático da privacidade.

Estamos contando nossa vida expontaneamente para o mundo permitindo que organismos corporativos sedentos de escravos produtores e consumidores nos bombardeie com um volume praticamente infinito de estímulos e opções convertendo-nos em objetos de um capitalismo cognitivo ainda mais cruel do que o consumismo do capitalismo industrial.

Nossas vidas podem ser invadidas pelo trabalho a favor dos memes (produção, reprodução, transformação de informação) convertendo o ócio criativo previsto por Bertrand Russel em escravismo criativo ou em outra forma de biopoder.

Hoje já andamos pelas ruas das maiores cidades vigiados por câmeras praticamente 24h por dia. Twitter, Facebook, blogs e outras redes sociais nos permitem preencher expontaneamente as lacunas onde as câmeras não chegam. Incluindo os nossos pensamentos…

Essa sociedade da vigilância pode ser vista por uma ótica otimista como uma sociedade do cuidado como destacou Ivana Bentes, mas se na sociedade do conhecimento a vigilância será bem vista e natural assim como hoje é natural ter direitos individuais e todos os humanos serem iguais certamente essa vigilância não era normal ou aceitável na sociedade industrial consumista e há sempre o risco dessa vigilância ser sequestrada por uma minoria a serviço de interesses que não estão em sintonia com o melhor para a humanidade.

Alguns pensadores consideram que somos vítimas e escravos indefesos da ditadura dos genes e dos memes. No entanto acredito (ou me esforço para acreditar) que temos algum livre arbítrio e que estamos justamente no despertar da consciência das forças que antes nos controlavam e agora teremos a chance de criar uma civilização que toma as rédeas da sua evolução genética e memética com responsabilidade.

É claro que isso exigirá um profundo empenho e dedicação não só de pequenos grupos acadêmicos, mas da sociedade em geral…

… bem…

Pelo menos temos as ferramentas tecnológicas necessárias para nos unir e elas continuam a se desenvolver rapidamente.

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