Mais uma vez sou obrigado a condensar uma aula em duas por não ter conseguido escrever antes.

No entanto tenho mandado as notas de aula para o Posterous logo depois de cada aula e você pode vê-las aqui:

Mídias Colaborativas e Web 2.0

Acho interessante que todos tenham esquecido que Web 2.0 era a terminologia para sites com que podíamos interagir. O que vemos hoje deveria ser chamado de web 6.0 ou até mais, entretanto isso é apenas uma observação inutilmente preciosista.

Vimos interessantíssimos estudos de caso sobre comunidades colaborativas como o Overmundo, o Dig e o Slashdot e me parece tolice negar que estamos caminhando rapidamente para uma sociedade colaborativa, no entanto me parece que há um deslumbramento romântico em relação aos estímulos que nos levam a colaborar.

Além disso, durante o debate ficou bem claro, ainda há uma ideia de antítese entre corporações e humanos.

Já disse várias vezes que vejo as corporações como um tipo de consciência coletiva que segue sua própria agenda e que ela não leva em consideração as necessidades humanas e sim as leis de produção, consumo e crescimento de mercado.

Apesar disso o caminho da conciliação (responsabilidade social, empresas OSCIP) me parece ser a escolha da nossa espécie nesse momento.

Sendo assim, sugerir que a Google (ou pelo menos o Goolge) fosse um orgão público ou do governo soa como uma certa ingenuidade.

Dessa aula tirei de mais importante a sensação de que estamos desenvolvendo redes colaborativas cada vez mais completas e independentes.

Cultura do Remix e microfilmes

Os convidados para essa aula foram Vitor, Júlia e Aline do grupo de pesquisa de Mídia Arte da Ivana Bentes.

Vitor fez uma bela recapitularização de como viemos do Dadaísmo à cibercultura passado pelo pós-modernismo e nos trouxe exemplos interesssantes de mashups, redublagens (como O Destino de Miguel) e outras intervenções.

Da sua fala destaco a importância que ele deu à liberdade que a cultura do remix tem de assumir uma linguagem mais próxima a linguagem comum não só usando um vocabulário mais livre como colocando em questão coisas que seriam barradas nos filtros de moral e ética das TVs e rádios (por exemplo).

Observei que talvez, mais do que um reflexo de uma economia globalizada que procura transrormar todos os nichos em mercado a cultura do remix pode ser fruto do nosso impulso natural de criar um espaço livre para reproduzir, copiar, transformar e combinar nossas culturas confirmando as suposições da memética.

Me ocorreu também que, quando o pós-modernismo passou a transformar a cultura pop em arte esse foi um passo para tirar a arte dos corredores restritos dos eruditos fazendo da voz popular a voz da nossa arte.

Se a exposição do Vitor foi uma ilustração do caminho que nos trouxe aqui a Júlia se atreveu a fazer algumas suposições a respeito dos desdobramentos da cultura do remix e em suas manifestações de crítica social, política e econômica.

É inevitável inserir aqui o remix do famoso comercial da Apple de 1984 que ilustra perfeitamente esse ponto.

A capacidade de intervir quase sem limites na produção cultural é mais um passo além do pós-modernismo onde a realidade cotidiana do humano comum era transformada em arte, agora o próprio cidadão comum pode transoformar essas obras criando novos símbolos, significados e interpretações.

Ficou para o final o alerta de que, apesar desses espaços colaborativos tenho sido apropriados inicialmente pelo cidadão comum para se reunir e protestar, as corporações já estão ocupando o mesmo ambiente procurando confundir-se com o humano comum humanizando-se e adotando personalidades que as aproximem do cidadão.

Links

  • http://www.thiagocorrea.com/
  • https://www.adbusters.org/
  • http://mediasana.org/

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