As intensas transformações por que estamos passando levam a uma insegurança que nos torna um tanto apocalípticos e saimos anunciando aos quatro ventos o fim de tudo! Fim dos blogs, fim dos emails, fim do mundo.

Quando uma lagarta se transforma em borboleta a lagarta não deixou de existir: ela mudou.

O que é o email?

Antes de saber se ele vai acabar é melhor definir o que ele é.

O email é uma forma não volátil, assíncrona e organizada de estabelecer diálogos restritos a um grupo de duas ou mais pessoas engajadas em uma atividade em comum.

Podemos dizer também que é um tipo de troca de cartas digitais.

Ele se diferencia dos chats por ser mais organizável (em pastas, categorias etc.), assíncrono (os participantes não precisam estar conectados ao mesmo tempo) e não volátil (a maioria dos chats desaparecem assim que o diálogo termina (ou o hd é formatado)

Há os scraps e depoimentos que também diferem muito do email. No primeiro caso são diálogos totalmente descartáveis pois não há um encadeamente de quem responde a que e no segundo caso não é possível envolver mais de duas pessoas no diálogo.

O email vai morrer porque as crianças não o usam?

Esse é o argumento mais comum que ouço para o fim do email: os jovens e crianças o consideram coisa de velho.

Bem, jovens e crianças não trabalham e a maior parte das suas atividades de comunicação envolvem o esforço para se incluir em grupos sociais: quanto mais aberta e volátil a forma de diálogo melhor. Por isso a migração para redes socias.

Se esse fosse um bom argumento, mesmo levando em consideração que a maioria dos adultos são infantis, poucas coisas do mundo adulto existiriam 😉

Talvez os jovens sejam um bom termômetro para detectar novas tendências, mas duvido da utilidade da opinião deles para ferramentas de trabalho.

O que pode matar o email?

Há muitas falhas nos emails atuais (as crianças não gostarem dele não conta como falha).

  • Quando você troca vários emails com uma pessoa o mesmo trecho acaba se repetindo várias vezes enquanto a mensagem vai e vem. A coisa piora exponencialmente quando várias pessoas participam da conversação.
  • Inserir pessoas no diálogo é ineficiente pois os novos participantes precisam decifrar um emaranhado de mensagens repetitivas que se empilham
  • Ele não é colaborativo, ou seja, você envia um texto para as pessoas, cada uma faz comentários e sugestões em novos emails em vez de poder atuar dentro do texto que você escreveu originalmente
  • É difícil inserir conteúdo não textual em emails e eles são estáticos, não é possível, por exemplo, inserir mapas, enquetes, slideshows etc.
  • Ele está preso às nossas coisas postais. Se você quer tornar um email público na melhor das hipóteses teria que enviar a versão mais recente dele para o posterous.com. Agora imagine que você consiga unir três grandes diretores de cinema para bater um papo de forma que todos possam ver… Você nem pensará no email.
  • Não há qualquer possibilidade de integração do email com as redes sociais e, em alguns casos, isso poderia ser muito útil.

Isso anuncia a morte ou a transormação do email?

Quando as pessoas mandam DMs pelo Twitter, scraps ou depoimentos pelo Orkut, mensagens pela fazendinha do Facebook elas estão buscando novos emails e não o fim do email.

O que estamos vendo é um período de metamorfose. O email precisa se transformar em uma borboleta.

Ok, você pode dizer que a lagarta morreu se isso te fizer sentir que está entrando no século XXI 🙂

Quem já se informou sobre o Google Wave ou o está usando deve ter percebido que ele resolve a maioria das falhas que citei mais acima. Será ele o novo email apesar de muitos se dizerem decepcionados? – provavelmente por procurarem nele um chat ou substituto para o Twitter –

Bem, talvez quando o mundo não acabar em 2012 finalmente nos tornemos menos apocalípticos e encontremos um sucessor para o email. O tempo nos dirá 😉

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