Ontem entrou em operação o Estudo de Bom, um espaço para descobrir o prazer de inventar e pesquisar.

O projeto se encaixa perfeitamente no escopo do Meme de Carbono pois se a escola atual definitivamente não se enquadra na sociedade do conhecimento ao procurar transformar o aluno (do latin: sem luz) em uma engrenagem sem autonomia e criatividade para a indústria de produção em massa a missão do Estudo de Bom é justamente o contrário: encontrar a luz da consciência, interesses e criatividade individuais dos seus frequentadores.

Confesso que tenho sérias dúvidas sempre que ouço que os jovens não se interessam mais pela escola: talvez isso seja sua salvação. Para falar a verdade há 30 anos eu também não me interessava. Preferia criar o meu próprio espaço “estudo de bom” e certamente não me tornei uma pessoa ignorante.

Tive o privilégio de visitar as instalações do Estudo de Bom na semana passada e ainda dar a sorte de conhecer o pessoal do Dojo Rio e assistir uma sessão.

Foi ótimo que isso tenha acontecido pois o Dojo é o exemplo perfeito para a missão do Estudo de Bom.

É tudo muito simples: um bando de apaixonados por programação (não ache estranho, são como os apaixonados por qualquer outra coisa como futebol) se reúne, propõe um problema e resolvem da seguinte maneira:

  • Duas pessoas sentam diante do computador. Uma é o piloto e a outra, o co-piloto, dá dicas
  • O restante fica ao redor dando sugestões
  • A cada 5 minutos o piloto vai para o grupo, o co-piloto assume seu lugar e alguém do grupo fica como co-piloto
  • Cada etapa do problema é resolvida por um preciso de manipulação bem semelhante à tentativa e erro

Tem algumas outras regrinhas como só falar nos momentos que um sinal verde indica que os dois no computador concluíram seu raciocínio, mas a ideia é essa.

Em outras palavras é um grupo de pessoas com o mesmo interesse, trabalhando em conjunto para resolver um problema e conforme uma metodologia totalmente lúdica que trata a tarefa como um objeto novo a explorar cutucando-o de várias formas para ver como se comporta.

Do ponto de vista acadêmico é uma metodologia um tanto desordenada, mas estou convencido que os que aprendem a programar dessa forma desenvolvem um conhecimento muito mais profundo do que com o ensino padrão.

E essa é a essência ao meu ver também do Estudo de Bom: ajudar seus estudiosos do sexto ao nono ano a redescobrir o êxtase da exploração.

Se eu tivesse um filho em idade escolar queria que ele tivesse acesso a um espaço como esse. E gostaria de ter conhecido um Dojo aos 11 anos quando comecei a programar 🙂

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