É muito sério que sejamos iludidos por falácias e algum viés cognitivo pois isso nos leva a colaborar para um mundo mais caótico e irracional.

Um conhecido me enviou um longo texto que dizia, em essência, o seguinte:

Odiamos criminosos, portanto é uma ilusão achar que podem ser reintegrados à sociedade e, logo, prisão deve ser para castigar e dar exemplo.

Claro que o texto era bem mais longo começando pela conclusão e partindo para uma longa falácia de apelo à emoção na forma da carta da mãe de um jovem que foi morto enviada para a mãe do jovem que o matou.

Diante disso comentei o que segue:

Esse é um bom exemplo de falácia do apelo à emoção, ou seja, uma conclusão totalmente irracional que parece fazer sentido por colocar o leitor sob efeito de emoção.
Ela se resume a:

As vítimas de violência sofrem, portanto a prisão serve para punir e dar exemplo e esperar que um criminoso possa ser corrigido é uma tolice.

Assim fica claro que não estamos diante de um pensamento racional.

O fato de termos que recorrer a um falso raciocínio para tentar provar uma ideia não quer dizer que ela está errada, mas deixa claro que precisamos estudá-la mais a fim de achar evidências reais de sua veracidade.

Entretanto, se nenhum proponente de um conceito conseguir apresentar argumentos racionais para suportá-lo não haverá ninguém com domínio do assunto para implementá-lo de forma que seja positivo e, nesse caso, o mais sensato é rejeitar a ideia.

A réplica do meu conhecido completa a terceira falácia, que parece assombrar todo pensamento falacioso: ele não aceitou ser chamado de irracional e reclamou de uma suposta inversão de valores pois o criminoso não respeita sua vítima, mas a civilização respeita o criminoso.

A segunda falácia é a non sequitur, escondida pelo apelo emocional, e a terceira é o ataque ao oponente, que não houve, mas o meu conhecido tomou como tendo havido.

Quando apontamos que uma afirmação é irracional isso não significa que quem a defende é irracional. Ora! A todo momento encontramos falácias em nossos próprios argumentos. Elas são uma falha comum a todos nós, principalmente quando somos levados por um viés cognitivo.

O viés cognitivo no caso é a cultura do adestramento pelo medo.

Assumimos que as pessoas tem natureza imutáveis e que não há razão para o bem e para o mal. A única forma de manter a ordem então seria o medo. A única justiça seria a vingança e por aí vai.

Questionar um viés cognitivo é uma tarefa incrivelmente dolorosa, pois tomamos esses conceitos como base da nossa percepção do mundo.

Trocar um viés cognitivo humanista pelo viés acima seria igualmente difícil.

Os dois casos são reais e aplicáveis. Há contextos tanto para a repressão pelo medo quanto para o crescimento pelo esclarecimento.

Por isso temos que conhecer cada viés cognitivo que adotamos e aprender a encontrar sentido tanto nele  quanto nos que se opõe a ele para sermos capazes de identificar onde se aplicam.

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