Imagem da Rainha das Sombras do filme Mirror Mask

Rainha das Sombras – Clique para ver a fonte

A sensação de que há uma força maior, uma consciência que permeia todo o Cosmos, que muitas vezes nos vigia, nos protege, nos reprime é comum a quase todas as pessoas e influencia fortemente em nosso julgamento da realidade.

Pretendia evitar esse tema pois essa percepção de uma dimensão divida é tão forte, tão arraigada nas bases da nossa consciência que discutí-la causa reações intensas como se a nossa vida ou até a própria existência do Universo pudesse estar em risco quando questionamos se essa percepção é real ou uma ilusão.

No entanto percebi que seria impossível escrever aqui sobre a forma como nossa construção genética e memética criou nossos corpos e consciência sem esclarecer esse ponto.

Me faltava, contudo, uma forma eficiente de explicar a questão, mas essa semana um vídeo e um gif animado surgiram na minha timeline do Facebook e produziram a inspiração que faltava.

Antes de mais nada preciso responder uma pergunta:

Ao dizer que nossos deuses são ilusões estamos dizendo que deuses não existem?

Pense um pouco nisso antes de continuar…

Essa pergunta é importante pois, quando a respondemos com um “sim” estaremos fechando as portas da nossa mente em torno da ideia que criamos dos deuses e estaremos impossibilitados até de tentar conhecer melhor esses deuses.

Vou começar a responder modificando a pergunta um pouco: você acha que fomos capazes de entender plenamente Deus?

Poucas pessoas responderão a isso com um sim, mas a resposta negativa implica em que, parte do que achamos que é Deus, está errado, se não são ilusórias, são simplesmente imprecisas ou até falsas, fruto da projeção das nossas espectativas em um ser imaginário, não porque Deus não exista (a existência ou não de deuses no escopo desse artigo é irrelevante), mas porque estamos imaginando partes dele.

A resposta portanto é não, quando colocamos em dúvida a imagem criada para os deuses por essa ou aquela religião não estamos tratando dos deuses e sim da natureza daquelas religiões ou crenças e das pessoas que as moldam e adotam.

Percebe que, existam ou não deuses, provavelmente eles tem pouco ou nada a ver com a forma como os definimos?

Esse é um segundo ponto crítico.

Se queremos mergulhar na essência da nossa consciência e, talvez, encontrar alguma natureza divina nela ou até uma experiência de proximidade aos deuses então precisamos admitir que estamos longe de sermos capazes de intuir ou perceber sua natureza.

É claro que existem enormes semelhanças entre as formas como as diversas culturas enxergam a experiência espiritual, mas também são enormes as semelhanças entre nós humanos que, há somente 170 mil anos aproximadamente somávamos apenas poucas centenas no mundo inteiro e vivíamos todos na África de onde saímos há cerca de 100 mil anos. É natural que tenhamos formas muito parecidas de perceber o mundo.

O apego à ilusão

Quando vemos uma ilusão de ótica como a que você encontra nesse gif que transforma belos rostos famosos em monstros através de ilusão de ótica provavelmente nenhum de nós (sempre há alguém do contra) afirmará que a imagem real é a ilusão formada quando fixamos os olhos no centro da imagem.

No entanto, quando a ilusão é mental, como certos raciocínios falaciosos, temos a tendência de não aceitar que é uma ilusão. Isso provavelmente é um dispositivo de defesa da nossa consciência para evitar os riscos de ficarmos em dúvida sobre a nossa sanidade. A consciência e nossa personalidade são mais frágeis do que pensamos… Passei por esse medo ao ler sobre casos de esquisofrenia e psicose…

O exemplo mais forte é a experiência extática (de êxtase) como costumam chamar alguns grupos místicos ou esotéricos.

Para demonstrar tanto a fragilidade da nossa mente para esse tipo de experiência quanto a dificuldade em negá-la temos esse vídeo interessantíssimo de Darren Brown onde ele faz uma pessoa atéia ter uma arrebatadora experiência espiritual:

[youtube]LksVbHxLRvY[/youtube]

A última pergunta: estamos em busca de conforto ou de consciência?

Nesse blog estou em busca de perguntas e não do conforto das respostas, mas não vejo qualquer problema em buscar o conforto. Creio que todos nós deixamos de questionar certas coisas em nossas vidas para ter conforto naquela área, eu certamente faço isso! Só decidi não fazê-lo quando se trata da busca da essência da nossa consciência e talvez do nosso espírito. Não quero a imagem de deuses criada pelas minhas expectativas, medos e falhas de percepção, quero uma visão mais clara deles, muito embora nesse momento não tenha visão alguma além de um pouco da natureza e história da nossa consciência.

Se você não tem interesse em estudar essas coisas, se é um cirurgião, um artista, um engenheiro aeroespacial pode muito bem tranquilizar seus questionamentos existenciais com um ou mais deuses criados por sua mente e por nossa espécie ao longo de eras com esse fim. Não há qualquer demérito ou desvantagem nisso e você não é mais delirante do que eu, só é delirante em outra área.

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