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O vídeo acima contém uma séria denúncia sobre a ameaça da indústria alimentícia que viria nos entregando produtos que não nos alimentam adequadamente, mas nos viciam para que consumamos cada vez mais.

O fenômeno talvez não deva ser visto como uma conspiração ou como parte inevitável da natureza cruel do capitalismo.

Podemos olhar para o problema do ponto de vista memético.

Partindo da hipótese que qualquer grupo humano organizado forma um tipo de mente virtual vejamos que memes alimentam a mente corporativa.

Uma corporação tem como objetivo principal atender as expectativas do mercado produzindo cada vez mais, conquistando parcelas cada vez maiores dos consumidores. Elas não tem como objetivo fornecer produtos de qualidade. Elas são organismos que devem vender.

Do lado consumidor temos nós, humanos, que podemos facilmente encontrar mais satisfação pelo estímulo mental do que pelo físico.

Está feita a fórmula de um organismo doente do ponto de vista da sua inadequação para construir um ambiente (interno e externo, físico ou mental) saudável.

De um lado temos uma civilização de humanos vivendo em um mundo virtual onde é difícil encontrar um sentido (me refiro à civilização e suas engrenagens de ensino, emprego e valores, não a jogos como World of Warcraft) a ponto de uma das crianças no filme acima soltar protagonizar o seguinte diálogo:

– Então você tem quase tudo, o que falta?
– Falta sentido…

Queda livre - Banksy

Queda livre – Banksy

De outro lado temos as mentes virtuais formadas por coletividades de pessoas que trabalham para grandes corporações se esforçando para entregar o resultado que esperam delas.

A forma mais fácil de vender algo para pessoas que não tem sentido para a vida é envolvendo-as emocionalmente, associando o produto a imagens, conceitos e sentimentos que não tem qualquer relação com eles, mas que nossa mente pode ser facilmente levada a achar coerente.

Aqui temos mais dois lados a considerar do organismo genético/memético humano.

Do lado genético, ou físico, evoluímos em ambientes com pequena oferta de alimentos e sobrevivemos por termos uma grande capacidade de absorver alimentos calóricos e gordurosos e armazená-los em forma de gordura.

Agora vivemos em um ambiente de fartura de alimentos, mas nossos corpos não se adapataram a isso ainda.

Do outro lado temos nossa natureza memética cada vez mais presente, cada vez mais determinante em nossa personalidade e comportamento finais.

Bem provavelmente seríamos capazes de comer ar e ficar satisfeitos com isso se falássemos para nossa mente que isso vai alimentar nosso espírito.

O resultado é que estamos sendo transformados em um tipo de animal de abatedouro para uma mente coletiva burra por assim dizer, mas extremamente motivada, com muitos recursos e conhecimento dos pontos fracos das nossas mentes individuais (sem falar em como é difícil para um indivíduo ir contra a cultura do ambiente onde vive).

Parece um quadro apocalíptico não fosse o fato de que essa fórmula levaria ao extermínio dos dois grupos: corporações e humanidade.

O consumismo desenfreado construído por essa relação não causará a extinção da espécie por obesidade, mas pode levar a uma depredação do ambiente tão intensa que leve a vida no planeta a encontrar uma nova forma de equilíbrio, construir um novo ecossistema que pode não ser amigável para o nosso tipo de vida.

Aos poucos a consciência desse risco cresce tanto entre indivíduos quanto em mentes coletivas apesar dessas últimas agirem muito mais em resposta às pressões de grupos bem organizados de pessoas preocupadas com a qualidade da vida humana do que por consciência do colapso que sua sede de mercado pode produzir.

Enfim, não vejo o consumismo como um fenômeno inerente ao capitalismo e sim à nossa natureza física e mental. Nunca deixaremos de precisar consumir átomos ou bits.

No entanto o consumismo pode ser direcionado para formas mais saudáveis desde que o conhecimento dos problemas que estamos construindo se espalhe pela sociedade. As corporações nem precisam acabar, basta que sejam mais bem vigiadas.

Um exemplo na própria indústria de alimentos poderia ver de toda uma nova economia baseada na comida orgânica de alta tecnologia. Produzida em fazendas verticais perto dos consumidores. Seriam envolvidos a construção civil, desenvolviemento de tecnologia em várias áreas.

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