Imagem: Emily Morter

“Revolta nas ruas??? O que tem a ver???” Hehehehe! Me acompanhe!

Antes conectar os métodos para desenvolver software e empresas inovadoras nos tempos da Internet com pessoas indo às ruas para reclamar do governo, das empresas, de um monte de instituições e panz, vamos falar só um pouquinho sobre vergonha.

Vergonha? É! A minha!!!

Todo se achando guruzinho de nova era, digo de era cibernética, somente semana passada fiquei sabendo o que todo mundo já sabe: existe um conjunto de métodos e estratégias para administrar uma Startup e ele parte desse livro, Lean Startup ou Startup Enxuta na tradução brasileira (Carlos Szlak traduziu, o autor é Eric Ries). Além disso tem as metodologias ágeis que, eu analista de sistemas das antigas e elogiado por projetos impecáveis, sempre olhei com nariz torto e acusava de método para quem tinha preguiça de projetar as coisas minuciosamente.

Pois bem, por conta da busca de apoio para desenvolver a Win-Win do Reginaldo Francisco (tá aí um empreendedor de quem você ainda ouvirá falar) acabei percebendo que é essencial falar a língua do desenvolvimento ágil e da Startup Enxuta e estou lendo o Lean Startup (logo depois lerei o principal do SCRUM).

Calma que o título desse post não é clickbait (acho horrível) e vou chegar na ligação entre os métodos de organizar Startups e desenvolver seus produtos de software e o caos político e social em que vivemos nessa transição de paradigma (e isso já é um certo spoiler).

Lean Startup parte da descoberta (pela experiência) de que os métodos tradicionais de administração não funcionam em empresas que desenvolvem produtos inteiramente (ou quase) novos e precisam se ajustar a mercados que se movimentam muito rápido.

Quando lemos um livro sobre esses métodos de administração vamos reconhecendo tudo que já sabemos (considerando que você também é uma pessoa hiperconectada) e você pode facilmente torcer o nariz e dizer “Mas isso tudo é óbvio”… É, pode ser, mas quando uma pessoa se dedica a escrever um livro sobre um assunto ela acaba organizando melhor as coisas e, principalmente, criando uma dialeto comum que outras pessoas vão usar e você também terá que usar ao falar sobre Startups.

Daí a minha vergonha por não ter lido antes hehehehe.

Mas anote aí: Lean Startup é um conjunto de estratégias e técnicas para administrar empresas inovadoras que criam ou transformam mercados que estão constantemente em febril processo de transformação e precisam reajustar seus produtos em um círculo de interação estreito entre ela e o mercado.

Espero que tenha ficado claro. Leia de novo se não ficou. Se ainda parecer confuso reclame comigo (nos comentários ou por email, tem uma abinha para me enviar email em alguma parte dessa página).

Vamos às metodologias ágeis.

Há quase 30 anos eu sorria com um certo ar se superioridade quando uma pessoa programadora reclamava que não entendia meus diagramas UML, ERA etc. Conversávamos na empresa como era ruim a mania dos clientes de tratarem os sistemas que precisavam como “telinhas”: “Faz a telinha assim, olha…”

Em minha defesa digo que, para aqueles tipos de sistema, deixar um furo ínfimo na análise ou no projeto do que-e-como o sistema processaria as informações para gerar dados e conhecimento não só provocaria prejuízos de milhões de reais (literalmente), mas também implicaria em possíveis desastres ecológicos ou perdas de vidas.

Ops! Nos dois últimos parágrafos eu já estava mudando para o tópico “Metodologias Ágeis”, tenha isso em mente!

A propósito há dois riscos em torno das metodologias ágeis:

  1. Galera da antiga pode não querer estudar e usar por achar que é “desenvolver fazendo telinha por tentativa e erro”;
  2. Galera nova que tem preguiça de estudar pode achar que é “desenvolver fazendo telinha por tentativa e erro”.

Faz muito tempo que me dedico ao estudo da cibercultura (acabo de perceber que são quase 10 anos) e acabei desenvolvendo um conhecimento pouco formal das metodologias ágeis, mas dá para destacar alguns pontos centrais que servem bem a esse post.

As metodologias ágeis funcionam com estruturas descentralizadas em que as pessoas atuam em diversas áreas e etapas do desenvolvimento seguindo cronogramas curtos com um volume grande (algumas vezes quase inacreditável) de ajustes em pequenos “pacotes” de implementação.

Em breve farei um post sobre metodologias ágeis agora que percebi a importância delas, junto com o Lean Startup, como instrumentos úteis até para quem tem uma vida “padrão” (quem tem vida padrão durante uma mudança de paradigma do tamanho dessa que vivemos?).

E as manifestações?

Pois é, e o que tem Startup e desenvolvimento de aplicativos a ver com a crise da democracia representativa?

É claro que a forma de desenvolver software e startups não tem uma relação de causa com as manifestações que vemos pelo mundo desde o fim do século passado… Hummm… Se bem que… Não, vamos deixar isso para depois porque é um tiro muito longo!

No entanto há uma relação de causa e efeito entre a cultura do novo paradigma e a própria ideia de startup que, desde seus primórdios na metade do século passado consiste em pequenos grupos de pessoas visionárias reescrevendo o sistema, criando mercados impossíveis.

Um dos melhores exemplos está nas origens da Apple quando Wozniak teve que oferecer seu projeto de computador pessoal antes para a Xerox (onde ele trabalhava) que riu da cara dele: o que uma pessoa faria com um computador?

Conforme nossa civilização se torna um tipo de máquina memética girando em torno da produção e curadoria de conteúdo o ritmo de inovação precisa se tornar cada vez mais veloz.

Some-se isso ao viés do pensamento digital que é multidisciplinar, multitarefa e naturalmente caótico (mas com um novo tipo de ordem, eu sei, é estranho caos e ordem, digamos que é caos e sentido…) e temos o surgimento de novas formas de administrar a complexidade, de organizar os pensamentos e, naturalmente, produzir marketing e produtos.

O que estou dizendo é que abordagens como metodologias ágeis e startups enxutas surgem no mesmo ambiente que produz uma demanda por outras formas de governo e organização social e cultural.

Aí está a conexão.

E porque estou falando nela?

Bem, porque a Universidade ainda é a porta de entrada para os mercados de trabalho elas são naturalmente instituições bem resistentes a mudanças que podem colocar essas “tendências” como algo passageiro ou de menor importância. Empresas já estabelecidas há décadas podem cair no mesmo erro.

Quanto mais cedo (e já está BEM tarde, daí minha vergonha lá em cima) mergulharmos no estudo dessas novidades já meio antigas, mais cedo seremos capazes de nos adaptar e aplicar adequadamente em projetos que não são startups e nem desenvolvimento de software.

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