Por falta de tempo e dados para opinar fiquei em silêncio até agora sobre mais uma essa pequena polêmica online.

Um grupo de rapazes resolveu convidar as mulheres do Twitter a trocar seus avatares por fotos delas somente de lingerie.

Bem, é claro que pede quem quer, faz quem aceita.

E o que quer quem lhe pede para se exibir semi-nua?

Muitas mulheres aceitaram a proposta talvez por não terem feito a pergunta acima, talvez pela nobre certeza de que a nudez não é para ser castigada, mas um ato de liberdade.

No entanto, vendo os comentários machistas em um dos posts contrários ao movimento, as intenções ficam bem claras. Prepare-se para assistir uma triste demonstração da idiocracia.

Ao aceitar participar do #lingerieday as mulheres estão inadvertidamente alimentantando o mesmo machismo que culminou no desrespeito à coelhinha da playboy na Campus Party 2009.

Quais serão os passos seguintes ao #lingerieday? O “como-não-como” tão comum nas fantasias onanistas tão comum quando temos dificuldade em ver além da aparência das pessoas? Vídeos de strip tease?

Essas são formas de alimentar a liberdade e princípios de vida mais saudáveis (sem a associação da carne com o pecado) ou é apenas desumanização da mulher?

Tenho a política de desconfiar de todo movimento que envolve os outros… Uma coisa são mulheres queimando seus soutiens em praça pública, outra bem diferente são homens pedindo-lhes que façam isso.

Por que será que os idealizadores do #lingerieday não fizeram um #barrigatanqueday para exibir seus dotes físicos?

A propósito, homens também podem ser desumanizados e tratados como um pedaço de carne a ser usado para prazer das mulheres (ou outros homens) e descartado em seguida.

O que se insinua nas entrelinhas das campanhas pela beleza física quase sempre é a desvalorização do que nos torna humanos: consciência, inteligência, carisma…

É claro que promover um #lingerieday não nos impede de nos engajarmos em causas mais sérias, no entanto, certamente a baixa empatia de quem tem este tipo de ideia é um fator de impedimento.

Online ou offline sempre foi dificil desenvolver empatia por desconhecidos. No passado era praticamente privilégio dos santos, mas com a queda das fronteiras de comunicação a empatia até por outras culturas tem crescido como vemos nas mobilizações pelos iranianos.

Alguém mais prático dirá que há um certo sentimento egoísta por trás disso, uma certa afirmação que a nossa cultura é melhor que a deles. Realmente, as a consciência é algo que se desenvolve lentamente. O importante é o sentido do movimento, é para onde vamos à partir dali.

Por isso critico tanto os vagões exclusivos para mulheres no metrô: eles apontam para a segregação da mulher e para a desistencia de lhes garantir respeito em qualquer lugar que elas estejam.

Para onde o #lingerieday aponta?

Links

Só agora soube que o movimento foi iniciado para abafar a mobilização em torno do Lixo Eletrônico (o que eles tem contra isso?) Falha de interpretação de quem leu correndo o post no Trezentos e me passou a informação. Em todo caso vale a pena divulgar o manifesto.

Assine o Manifesto Lixo Eletrônico

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