Imagem: Ananth BS – Mirror mirror…

Essa fala de Márcia Tiburi é sobre “como conversar com um facista”, mas vou destacar a frase dela no final:

“Para os fascistas sempre recomendarei um beijo na pessoa, numa pessoa do mesmo sexo.”

Aos não fascistas também.

Há uma razão para a rejeição ao mesmo sexo e à mulher serem uma questão central do nosso tempo.

O corpo pode ser a prisão da mente. Ele é nossa primeira, e talvez a última, prisão.

Quando nos olhamos no espelho vemos um homem ou uma mulher. Encontramos a definição do que nós somos do início ao fim e assumimos que esse corpo nos enquadra em grupos de estereótipos que, no entanto, se buscamos ao longo do tempo, percebemos que poucos persistem por mais de algumas décadas.

O corpo é uma construção cultural, ou pelo menos como nós interpretamos o corpo.

Isso é natural. Somos animais e nossa aparência (e adornos) é nossa principal interface de comunicação com o mundo. Só depois vem a fala, a cultura, a escrita e ideias. É o corpo que define nossos primeiros contatos e nosso lugar quando caminhamos relativamente anonimos pelas ruas.

Por outro lado o já há algumas décadas percebemos que não é o corpo que nos define e sim nossa mente. Quanto melhor conhecemos a vida na Terra mais fica claro que somos extremamente parecidos com os outros terráqueos e sentimos a crescente necessidade de definir nossos corpos a partir das nossas mentes e não o contrário.

Preconceituosos usam a expressão “ideologia de gênero” como uma falácia do espantalho para sugerir uma conspiração contra o reinado do corpo masculino/feminino, no entanto há sim um tipo de ideologia de gênero que determina os limites e expectativas da nossa alma de acordo com nosso corpo.

E quando o corpo não é bem definido ou a alma não consegue se ajustar à nossa cultura de estereótipos de acordo com nossos corpos not tornamos vítimas do ódio dos outros e até de nós mesmos.

O beijo, real ou simbólico, em alguém do mesmo sexo nos liberta da gaiola do gênero, da redução da nossa alma ao corpo e é um passo definitivo para o rompimento desses estereótipos que, paradoxalmente, pode nos ajudar a respeitar a própria natureza do corpo que não é nem macho, nem fêmea, o corpo é algo de intermédio. Todos nós temos mamas, temos prazeres na pele e hormônios que se unem a sonhos e devaneios para construir personalidades e corpos complexos e ricos.

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