Há algum tempo escrevi um artigo comparando a mídia de massa ao vale encantado da evolução da nossa cultura, mas a tv, os jornais, revistas e toda cultura de massa chamada de mainstream é vista exatamente como o contrário disso, como uma língua negra “sub-cultura” que polui o oceano da cultura erudita.
Imagino que haverá resistência à Índia de que a cultura popular não é inferior, portanto vou lembrar que Mozart e Shakespeare entre outros que hoje sabemos que foram gênios muito além das suas épocas eram escarnecidos pelos eruditos da época.
Antes que você se exaspere e lance um comentário revoltado perguntando se estou comparando Mozart a Tati Quebra Barraco ou As comédias de Shakespeare a Pânico na TV lembre-se que nós humanos não raciocinamos bem quando estamos exasperados e, não, eu não pretendo dizer agora quem acho que são os Shakespeares e Mozarts modernos, mas eles estão aí e, com toda certeza, fazem cultura de massa como seus antecessores.
A questão é, que para tem impacto na sociedade, uma criação artística (ou qualquer ideia ou meme) precisa se espalhar por essa sociedade e, por mais que um meme viralize, ele precisará de um vale encantado, um local onde as pessoas acham que apenas coisas especiais aparecem.
Por menos que as pessoas mais cultas gostem de admitir esse local é a tv seguida por revistas, jornais e rádios (a ordem muda de acordo com a região).
Também é importante entender que o estado da arte da cultura ou do conhecimento humanos sempre foram para minorias pelo simples fato da nossa estrutura social e econômica nos dividir entre os que trabalham com o cérebro e os que trabalham com os músculos (e os que não trabalham, claro). No entanto isso tem mudado já que os trabalhadores braçais precisam usar cada vez mais o cérebro e, o mais importante, a nova economia que começa a se delinear, precisa de consumidores de produtos culturais, ainda que essa cultura seja uma literatura de massa mal escrita (e muita gente culta gritará a esse ponto que Harry Potter e Código Da Vinci não são mal escritos) ou musicas consideradas medíocres (me incluiria nesse segundo grupo já que considero trivial qq musica que não seja erudita).
É nesse quadro que encontramos a mídia de massa que hoje tem recorrido com muita frequência ao papel de papagaio de memes virais voláteis (em breve farei um artigo tentando montar uma árvore taxinômica de memes) como a Luiza que estava no Canadá ou a família animada demais para nossa alegria.
Além disso a mídia continua cometendo o erro de crer erradamente que vende papel ou ondas de rádio com propaganda e não entretenimento, noticias, educação, deslumbramento e “ligação cultural” (para um pais consistir em uma sociedade é necessário que os cidadãos compartilhem boa parte da cultura. Isso acontece no Brasil e em muitos outros países através da TV, em outros da religião, na Inglaterra do Jedaismo…).
Esses são os papéis da mídia de massa em qualquer sociedade e civilização.
Nesse momento vivemos uma grande transição que deve exigir dos veículos que produzem mídia de massa que:

  1. produzam para toda a civilização pois a Internet está aproximando pessoas de culturas que antes se desprezavam
  2. desenvolvam novos modelos de negócios complementares à propaganda
  3. estudem seriamente a transição da mídia por ondas de radio e papel para a mídia IP
  4. aprendam a compartilhar sua produção com os consumidores que passariam a ser vistos como co-produtores. Assumir um modelo de propriedade intelectual cada vez mais próximo do Creative Commons talvez seja o melhor, senão o único, caminho
  5. aproveitar a estrutura assíncrona da Internet para livrar-se da limitação a poucos canais para o estado da arte em cultura e ciência pois o desenvolvimento exponencial das expectativas de lazer e informação do expectador são vitais para obter vantagem competitiva diante das produções amadoras (ou até profissionais) feitas com pouco recurso, mas grande criatividade e distribuídas nos inesgotáveis veículos gratuitos online

Essas são considerações preliminares que coloco aqui tanto para organizar minhas reflexões, quanto para submetê-las a críticas.

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