imagem: Death Bulge

Esse ótimo quadrinho surgiu na minha TL do Facebook (vale a pena clicar no link acima e conhecer esse e outros quadrinhos do site).

Vários amigos diziam “é assim mesmo!”

Para psicopatas não é assim. Nem para mim e talvez não seja para você, mas para muitas pessoas o peso de uma crítica é muito maior do que o peso dos elogios.

Talvez peso não seja a melhor metáfora e eco se aplique mais: críticas ecoam mais em nós e isso provavelmente é saudável, mas nos torna vulneráveis tanto a psicopatas quanto a situações de estresse que não precisariam ser um problema e, antes de mais nada, ninguém gosta de sofrer, então recebemos o quadrinho com uma certa tristeza: “É! Esse sou eu! Que merda!”

De onde vem esse valor que damos para as críticas que recebemos…

Ah! Antes de continuar!

Ando com a impressão de que está aumentando o número de pessoas que diz “Ah! Comigo isso não acontece!”.

Esse umbiguismo não é bom. Bom é a gente aprender a sair do nosso lugar e nos colocarmos no lugar dos outros! Com toda certeza você conhece pessoas que sofrem por tentar exageradamente atender as expectativas dos outros. Tenha empatia, certo? Comigo também (quase) não acontece e nem por isso estou aqui correndo para dizer “Aha! Se ferraram! Aha! Eu sou mais!”.

Continuando.

De onde vem esse valor que damos para as críticas que recebemos?

E também, por que um elogio não compensa uma crítica?

Muitas vezes (talvez geralmente) a crítica nem vem de uma pessoa com quem temos um forte laço de amizade, empatia ou compromisso. São pessoas a quem não devemos nada, mas queremos agradar.

Temos que lembrar que, até pouquíssimo, mas pouquíssimo tempo mesmo a gente vivia em pequenos grupos de 150 pessoas que coletavam comida enquanto migravam em busca de mais comida. Esse provavelmente foi um dos fatores determinantes que nos levou a nos espalharmos por todo o planeta saindo da África.

Em grupos pequenos assim todos tem alguma história com os outros e o peso dos nossos erros é muito maior do que o dos nossos acertos pois o erro leva à morte de outros.

Quando observamos nossos primos mais próximos, muito menos influenciados por construções culturais, Bonobos e Chimpanzés, percebemos como é importante obter aprovação do grupo até mesmo através de jogos de submissão e de ofertas sexuais.

Nossa classe primata parece ser condicionada há milhões de anos (antes de nos separarmos dos nossos primos) para tentar agradar o outro e nós, Sapiens, fazemos isso melhor do que todos os outros. Basta lembrar dos Neandertais.

Eles podiam até ser mais inteligentes que nós, mas ao que parece viviam em grupos fechados. Uma tribo Neandertal não tinha grandes negócios com outra, mas nós estávamos sempre prontos a trocar artigos, conhecimentos e até parentes com outras tribos. Sabemos até que Neandertais foram recebidos entre nós (uma parte dos europeus carrega os genes de antepassados neandertais).

Podemos imaginar que parte dessa capacidade estaria no impulso de agradar o outro ampliando nossa sociabilidade.

Então, quando um indivíduo nos rejeita, sentimos o risco da inadequação social. Temos que entender o que fizemos para merecer a crítica. Nós erramos? Onde? Como podemos recompensar o erro e mostrar que melhoramos? Como podemos não errar mais?

O processo muitas vezes é tão inconsciente que não notamos e acabamos virando vítimas fáceis de outro personagem que, com certeza, surgiu antes mesmo de nós Homo Sapiens: o troll que manipula as emoções dos outros.

Esse aliás e o meu segredo para (quase) nunca ser atingido pelas críticas: passei um longo período da minha formação sob influência de um troll. Essas coisas nos ensinam a identificar a crítica sincera e construtiva e a que é feita apenas para que nos sintamos na obrigação de recompensar o mal que fizemos.

Atenção! É claro que há outras razões para ficarmos assim diante de críticas, mas vamos abordar uma de cada vez, certo?

O importante aqui é nos lembrarmos de entender as críticas que recebemos para que não se transformem em fantasmas e espero que você não tenha que aprender isso sendo vítima de uma pessoa perversa. Não é legal.

Mas, hei! Não estou aqui me fazendo de coitado! Foi difícil, mas moldou quem sou hoje, uma pessoa mais empática, mais segura e que, no final das contas, não teve uma infância muito diferente daquela que a maioria das pessoas tem.

Sabe qual é a grande diferença? É achar alguém que lhe mostre que sempre há uma alternativa. Nós sempre podemos assumir as rédeas da nossa vida. Comigo teve três pessoas e vários livros e filmes que mostraram isso. Procure os seus! Mesmo que não tenha problemas com críticas recebidas.

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