Alguém que leu meu post Rivotril lá no Galeria de Espelhos me enviou o comentário abaixo:

preciso comprar rivotril pois depois que meu filho faleceu não consigo mais dormir

Putz! O que a gente fala numa hora dessas?

Quem está pronto para enfrentar a dor de perder alguém tão próximo e amado?

Nem se compara, mas perdi o meu tio mais querido quando eu tinha 11 anos. Foi em um acidente de carro feio e repentino… Feio pois o motorista do caminhão na frente dele mandou passar na maldade sabendo que vinha um carro do outro lado. E o meu tio era uma das pessoas mais puras e de bom coração que já conheci.

Nossa ligação era tão grande que, quando meus pais saíram de casa para ir ao hospital, eu sabia que tinha acontecido algo com meu tio. Criança tem o hemisfério direito muito mais ativo que os adultos e percebe tudo, né?

Enquanto eles iam ao hospital eu sentei e escrevi uma longa carta do meu tio para a minha avó e para as minhas tias.

Lembro bem de ter pensado que, pelo olhar dos meus pais, meu tio estava morrendo (na verdade ele morreu na hora) e que todos precisariam de algo para aliviar a dor e por isso escrevi como se fosse meu tio.

O jeito de escrever era tão parecido com o do meu tio que até hoje a minha mãe, que que depois se tornou espírita, crê que foi uma carta psicografada.

Sei lá… Para mim é só uma prova que a gente carrega dentro de nós um bocado das pessoas que amamos, mas posso perfeitamente estar errado.

A crença de que nossa consciência permanece além do corpo ajuda muito a nos conformarmos.

Só que nada disso apaga a nossa perda.

Remédios também não a apagam, mas quando a gente entra em uma espiral de dor e inconformismo algumas vezes precisamos de uma bengala para nos ajudar a levantar e recompor nosso espírito e eles são uma opção eficiente.

Creio que várias universidades oferecem atendimento psicoterápico gratuito e certamente devem indicar o Rivotril ou outro anti-depressivo ou anti-ansiolítico adequado a cada caso.

No entanto, além da ajuda do remédio creio que a gente também deve buscar caminhos mentais para superar a perda e alimentar as boas memórias que guardamos da pessoa fazendo com que aquela parte dela que mora em nossa mente possa viver através de nós.

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