Mapa com círculos representando sites com tráfico semelhante ao do Youtube

Gráfico de sites com grande tráfego – Fonte: Internet Map

O que viraliza um meme?

Quem não conhece o meme (ou se você está lendo esse artigo anos depois e ele foi esquecido) pode ler o artigo do Know Your Meme sobre o Harlem Shake. Está bem completo.

[youtube]W52rnrwG9p0[/youtube]

Esse artigo apresenta uma hipótese.

Vou dissecar esse meme nas partes que considero críticas para sua viralização:

  • A transição: o meme tem dois momentos muito distintos, o primeiro marca o tédio a não ser por um elemento distoante, o segundo é o retrato do caos e da anarquia.
  • O desajustado: uma única pessoa tendo um comportamento incompatível com o meio onde está.
  • O tédio: o ambiente é tedioso, não apresenta qualquer atrativo estético ou intelectual ou pelo menos as pessoas se mostram anestesiadas a não ser pelo desajustado.
  • A subversão: muitas das adaptações do meme Harlem Shake acontecem em pelotões militares, ambientes de trabalho ou bibliotecas sendo logo depois subvertidas na segunda parte do meme.
  • Hedonismo: aqui forço um pouco a barra pois o que vemos em muitas versões é um elemento erótico, no entanto eu o identifico muito mais como um desejo de prazer do que com o ato sexual em si.

Dividido nas partes acima é fácil associá-lo com a ideia do visionário, do transgressor, o elemento que vai contra a ordem estabelecida.

Há vários anos vi uma animação feita em computador mostrando vários martelos grandes martelando em um ritmo fixo até que surge um pequeno martelo criando seu próprio solo de percussão. Infelizmente não achei o vídeo para colocar aqui, mas creio que era de um DVD chamado Magic Eye.

Depois de algum tempo tocando ele é notado, todos os martelos param de martelar e se viram para ele que se vê constrangido a voltar a martelar no ritmo monótono e repetitivo da sua “sociedade”.

Esse é um meme poderoso em nossa cultura, o meme do formigueiro bem lembrado também na cena inicial de FormiguinhaZ onde o protagonista é lembrado que ele é somente um em uma multidão, que sua individualidade não tem importância.

A maioria de nós deseja ser especial, uma formiguinha diferente, e francamente, acho que somos no que é mais importante: nossa consciência de nós mesmos e de existir, mas essa é outra história.

Podemos notar que o complemento natural do meme do “insignificante na multidão” vem sendo cada vez mais a vitória dessa individualidade, mas não de forma individual, e sim coletiva.

Esse me parece ser um dos pontos mais importantes para a viralização desse meme: o grupo é contagiado pelo indivíduo. Ele pode até ficar igual a todos no caos, mas não está sozinho e, afinal de contas, o caos é melhor que a ordem, pelo menos nesse caso.

O segundo ponto pode ser justamente a transição da ordem opressora para o caos libertador.

Há uma cena no filme The Full Monty (Ou Tudo ou Nada) que pode ser uma das precursoras desse meme:

[youtube]u_n7ugovApo[/youtube]

Aí estão pelo menos o ambiente opressor e organizado de um banco e o impulso quase incontrolável dos personagem se soltarem.

Explicar um viral é quase tão difícil quanto prever um viral afinal são dezenas de milhões de pessoas assistindo, compartilhando e remixando o mesmo conjunto de símbolos e certamente há quem o fez pelos mais variados motivos, mas arrisco supor que a viralização e remix do vídeo dos rapazes australianos está ligada a um crescente desejo da nossa sociedade de se libertar das rotinas, de buscar uma relação livre e mais hedonista com a vida.

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