Depois de escrever no outro blog uma série de 14 posts sobre o que eu tenho a dizer a respeito de religiosidade e ateísmo creio estar pronto para três coisas:

  1. Admitir que não acredito muito em Deus, mas também não sou ateu
  2. Escrever um post para ateus sobre religião
  3. Tentar sintetizar em apenas 2 posts o que disse antes em 14 (o Twitter e seus 140 caracteres também ajudaram)

Não podemos confundir o deslumbramento que incita o pensamento religioso com as religiões. Ele é exatamente igual ao que estimula o pensamento científico, mas enquanto alguns humanos investigam as maravilhas da ciência outros investigam as da consciência.

Na raiz de todo pensamento religioso encontramos o desejo de levar a nossa consciência a novos patamares através do artifício da crença em Deuses que são modelos de perfeição ou imperfeição que devemos buscar ou evitar.

Estou certo de que a religiosidade foi uma ferramenta determinante para a estabilização da nossa consciência e sua evolução.

A religião consiste em um grupo de tradições e, normalmente, dogmas que na verdade são uma forma de conter o pensamento religioso.

Sem as religiões não haveria atrito e nos faltaria um chão onde pisar. Algumas pessoas não necessitam de chão, mas a maioria precisa.

O mesmo atrito que as religiões oferecem existe na ciência onde uma teoria não é aceita enquanto não pode ser provada: nossa própria limitação tecnológica e intelectual oferece atrito.

No campo da consciência essas resistências inexistem e somente a tradição e a fé podem garantir que o pensamento religioso não se desenvolva descontroladamente.

O ateu tem a importante missão de ajudar a revelar as tradições e crenças obsoletas que devem ser abandonadas para que tanto o pensamento religioso quanto o científico possam avançar.

Nesse processo as tradições e crenças reagirão, algumas vezes com violência (e o mesmo pode ser dito da reação do pensamento materialista), mas isso é o que se espera delas e vem acontecendo a milhares de anos.

O conflito pode continuar como sempre foi, mas no âmbito individual é desnecessário e improdutivo desenvolver intolerância e ódio contra o religioso ou mesmo a religião.

A diversidade do pensamento religioso e das tradições organizadas na forma de religiões (e até seitas) é mais uma demonstração fantástica da complexidade da mente humana e devemos admirá-la.

Existe ainda um argumento contra a importância da religiosidade e das religiões.

Pode-se dizer que já temos ciências que estudam a consciência.

É verdade! Entretanto que ciências temos que projetam o futuro e os limites da nossa consciência?

Faltam obviamente instrumentos intelectuais (como uma mente menos evoluída pode tecer considerações sobre uma mais evoluída?) e tecnológicos (não dispomos de instrumentos para medir o futuro).

Apenas a arte e o pensamento religioso tem se mostrado capazes de causar um tipo de curto em nossa consciência que lhe permite arriscar saltos evolutivos.

Existe enfim uma última falha de raciocínio no radicalismo (todo radicalismo tem algo de suspeito) ateu que deseja o fim imediato das religiões e da religiosidade: somos quase 7.000.000.000 de humanos dsitribuídos em grupos separados por absurdas diferenças sociais, econômicas e culturais.

Mesmo que o pensamento ateu seja superior ao religioso (e considero apressado arrogante afirmar isso nesse ponto da nossa evolução) antes de elevar esse pensamento ao status de verdade universal (conceito que me parece incompatível com o humanismo ou ateísmo) devemos garantir que todos possam ouvir a mensagem: a Terra deve deixar de ser um planeta em desenvolvimento onde 5 entre cada 30 pessoas sequer tem acesso a água potável… (dados da Charity Water)

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