Imagem: Desejo dos Eternos por Hellequine-d-Olt

Antes de mais nada: Você tem responsáveis que limitam seu acesso a pornografia? Chame-os para ler isso com você, ok? Pode parecer tolice, mas é o contrário. Seja uma pessoa esperta 🙂

Vamos lá.

Essa semana me falaram de uma pesquisa mostrando que crianças com menos de sete anos estavam vendo vídeos pornográficos e se tornando jovens que só conseguem se excitar com vídeos.

Fiz um vídeo sobre o assunto (lá no final do post) e depois fui pesquisar o assunto para ver se tinha falado muita besteira (acho que não).

Pelo jeito é notícia requentada de 2011 comentando uma entrevista na Psychology Today, que não achei, mas gostei da revista e então decidi coletar e comentar vários artigos de lá, todo em inglês:

Senso comum sobre os efeitos da pornografia

… recent research in the Netherlands showed that exposure to pornography explained less than 4% of the variance in adolescents behavior. This means that 96% of the reasons why these kids do the things they do have NOTHING to do with the fact that they saw pornography.

Essa não é a única informação útil do post. Ele começa com uma boa reflexão sobre a utilidade e limites do nosso senso comum para julgar nossa realidade cada vez mais complexa.

Lamenta que crianças estejam aprendendo sobre sexo online em grande parte porque seus responsáveis não conversam com elas sobre isso. O artigo lamenta porque a pornografia online tem tanto a ver com sexo de verdade quanto, por exemplo, um filme de Bruce Willis (eu compararia com Desejo de Matar ou Um dia de Fúria) tem a ver com a prática de tiro ou defesa dos outros.

Mas pelo jeito o mal maior vem de outros lugares. Eu apontaria para a educação estereotipada que damos às nossas meninas e meninos. Basta observar os adultos interagindo com crianças no dia-a-dia. Mas isso é assunto para outro post. Vamos em frente.

Maior acesso a pornografia e até mesmo a fantasias sexuais rebuscadas, em vez de estarem relacionados a aumento da violência sexual, na verdade tem sido associados a menos violência. Talvez por servirem como válvulas de escape que ficam restritas à fantasia.

O uso excessivo de pornografia parece ser mais um sintoma do que uma causa de distúrbio, ou seja, uma pessoa equilibrada pode até consumir muita pornografia sem mostrar qualquer problema em virtude disso.

Descobrimos um perigo oculto da pornografia?

Esse artigo de 2014 aponta uma redução do striatum em homens que assistem muita pornografia. Essa região do cérebro faz parte da rede de recompensa do nosso cérebro. Isso pode diminuir o grau de excitação com outros estímulos, talvez venha daí a matéria que me levou a pesquisar e escrever esse posto.

Entretanto não está claro se os homens em questão tiveram redução de atividade no striatum ou se ele já eram assim naturalmente, como acontece com quem precisa de muita adrenalina para se animar e acaba praticando esportes radicais.

Um dado interessante é que 2/3 dos homens e metade das mulheres nos EUA assistem pornografia ao menos uma vez por mês.

Existe um certo censo comum que mulher não se interessa por pornografia, como se fosse uma coisa de homem, porque homens são escravos desses instintos etc. É apenas mais um estereótipo obsoleto.

Aliás, as mulheres tem mais reação neuroquímica a pornografia que homens.

A pornografia não é o problema, nós somos…

O artigo é de 2013 e destaco como ponto central que a crença geral de que sexo ou pornografia viciam, contaminam ou são irresistíveis de alguma forma (só para homens) na verdade é parte do estereótipo de que homens são escravos dos seus impulsos sexuais.

Até aquela época (e em artigos bem mais recentes) não se encontrava qualquer evidência que sustente isso.

Sexo só parece viciante porque é uma função natural gravada em nossos instintos e cultura, assim como comer ou respirar.

Claro que há casos extremos, mas não se trata de um tipo de virulência do sexo e sim de outras disfunções sociais ou físicas que levam ao vício.

E a pornografia e crianças? Minha opinião em vídeo

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