Como não cair em golpes – Boletim 6/26

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Seu celular recebe uma ligação, pode ser pelo WhatsApp, o número aparece como o do seu banco, a pessoa do outro lado avisa que tudo foi hackeado e que aquela ligação é a única esperança de escapar do golpe e salvar seu dinheiro.

Pode-se dizer que tem um golpe para cada um de nós e basta dar o azar de usarem o golpe certo com você… ou comigo. Sim! Também já quase caí em golpes!

É inútil tentar listar todos os métodos. A solução para todos é manter a calma e ir sempre à fonte.

Ligaram do banco? Desligue e ligue para o banco. Recebeu link de cobrança de conta ou dívida? Ignore e vá direto no site da concessionária ou do Serasa.

Só que não é tão simples, né? As pessoas que ligam para dar os golpes são treinadas para não nos deixar pensar, usam deep fakes de imagem e áudio, tem todos os nossos dados…

Além disso, recebemos o tempo todo notícias de hackers com poderes quase sobrenaturais e ninguém tem obrigação de ter um diploma e segurança digital. Isso deixa quase qualquer pessoa suscetível a uma afirmação como “não entre no site do banco porque ele foi hackeado” ou “não ligue para ninguém porque o seu telefone foi hackeado e a ligação vai cair nos hackers”.

Então… O quê fazer?

Assim como o tenista se prepara para acertar na bola sem ter que pensar podemos já ter planejadas as nossas ações, que podem variar para cada pessoa, mas aqui vão algumas sugestões (depois de lê-las elabore a sua própria lista).

– Crie uma palavra-chave para seus familiares e amigos se identificarem

– Converse com o gerente da sua conta e peça orientações a ele sobre como se preparar

– Escolha uma pessoa próxima e de confiança que tem mais facilidade com segurança digital para ser o seu contato de suporte e ligue ou mande mensagem para essa pessoa se qualquer coisa estranha acontecer

– Não use o WhatsApp e nem o Telegram (não use o Telegram) para os contatos mais próximos e de confiança. Use o Signal ou qualquer uma das várias alternativas. O WhatsApp permite que qualquer pessoa entre em contato com você, mesmo que você bloqueie números desconhecidos

– Evite dar atenção às notícias sobre golpes. Elas acabam nos fazendo achar que estamos vulneráveis, quando não estamos.

– Se disserem que o seu celular, banco, linha telefônica, etc. foram hackeados não acredite. Embora possível é caro e complexo fazer isso. O banco não tem como saber se isso aconteceu e, se detectar alguma operação irregular, bloqueará a sua conta e não te ligará. 

– A menos que você tenha milhões à sua disposição, ou seja uma personagem politicamente importante, dificilmente você será alvo de ataques sofisticados

– Quase todos os ataques consistem em te fazer clicar em um link que tentará te fazer instalar um aplicativo ou ligações que te conduzirão a fazer configurações no seu celular ou computador

– Preferencialmente não atenda o telefone de número desconhecido ou mesmo de bancos, ou prestadoras de serviço

– Se atender, desligue a ligação assim que a pessoa se identificar “Aqui é do banco tal”. Simplesmente desligue e entre em contato direto com o banco ou vá no site;

– Se não desligar, nunca dê qualquer informação. Quem te liga deve ter todas as informações como agência e conta e não precisa saber nenhum dado pessoal seu

– Mantenha a calma, respire fundo, não se deixe apressar pela pessoa do outro lado

– Anote tudo que for dito. Anotar te ajuda a pensar melhor no que está acontecendo e se perguntar por que estão te dizendo ou pedindo aquelas coisas

– Não se ache mais inteligente que o golpista. Você não tem nada a ganhar falando com ele

– Mantenha os sistemas atualizados para saber que não está vulnerável

– Use um gerenciador de senhas, se possível um que permita criar um email para cada senha.

Essas dicas têm a finalidade de ser um modelo e de te preparar para lidar com tranquilidade caso alguém te aborde. Ninguém está livre de abordagens.

Se alguém te reenviou esse email e você se interessar, pode se inscrever na página do Boletim Cibernético do Meme de Carbono.

Organize seu conhecimento

É necessário desacelerar, mas algumas vezes precisamos seguir no caminho oposto e “passar olhos” por um artigo para ter uma visão geral dele.

Podemos ler saltando parágrafos, o que faço com frequência, mas algumas vezes encontro um artigo que quero ler inteiro, mas está mal formatado ou simplesmente quero ganhar tempo.

Essa é uma dica para mentes inquietas e velozes: RSVP.

Não, não “Responder por favor”, é acrônimo para Rapid Serial Visual Presentation.

É uma estratégia de leitura que apresenta as palavras uma a uma no meio da tela a uma velocidade de 400, 600 ou mais palavras por minuto. Só vendo para entender.

O plugin que eu usava parece ter parado de funcionar, mas surgiram outros e estou usando o Stutter. Aqui tem um vídeo demonstrando como é a experiência: https://www.youtube.com/watch?v=UJwFdPYbRRg

Redes e mídias sociais

Em 1996 eu estabeleci uma linha de voz entre o meu computador em linha discada em Jacarepaguá e um russo em algum lugar da Rússia. A tecnologia ainda era rudimentar e funcionava como um rádio amador: ele falava, eu falava.

A Internet, desde cedo, tinha um caráter social, de descoberta de pessoas diferentes, de conexões improváveis, de desenvolvimento de empatia mesmo sem contato visual e, menos ainda, físico.

As redes sociais descentralizadas do Fediverso cumprem um pouco desse papel, mas talvez nenhum lugar online atualmente sirva tanto a esse propósito quanto o XMPP, um modelo de comunicação muito bem estabelecido e usado até hoje em muitos aplicativos de mensagens.

E porque estou falando dele na sessão sobre mídias sociais?

Bem porque o protocolo é muito usado de forma distribuída para estabelecer grupos de compartilhamento temáticos como ciência, nomadismo digital, saúde, etc. Os grupos podem ser tanto locais, reproduzindo o ambiente dos antigos BBS do século passado, quanto abertos para o mundo, como eram as newsgroups.

Entendo que estou falando quase em dialeto nerd, mas pense apenas que são lugares online mais civilizados onde podemos encontrar pessoas novas em torno de tópicos que nos interessam.

Provavelmente farei post sobre isso no site, mas por ora, esse aqui é mais do que suficiente: Recuperando a soberania e a privacidade da sua comunicação pessoal e corporativa.

Nós fazemos o marketing, ou o marketing nos faz

POSE: Post Once Spread Everywhere é uma estratégia para conseguir se livrar dos algoritmos publicando em seu próprio site, mas ainda disputando espaço em mídias sociais e marcando presença em redes sociais.

Sou defensor de manter a nossa marca ou a nossa presença online sob o nosso controle e simpatizo com a ideia, no entanto, é necessário entender que redes sociais e mídias sociais são duas coisas muito diferentes.

Redes sociais, como é o Fediverso e eram as mídias sociais atuais até por volta de 2014, estão baseadas na interação, no diálogo. Jogar seu conteúdo lá e não interagir é dar um tiro no pé e se passar por uma pessoa, ou empresa, antipática.

Até mesmo em mídias sociais, onde é comum se manter em um pedestal de “autoridade” há casos em que a presença é essencial, principalmente se somos pessoas comuns buscando alcance ou pequenos negócios locais.

Quem recorre a essa estratégia sem recursos para manter o diálogo está esquecendo de uma das maiores ferramentas do marketing: o engajamento espontâneo.

Há quase duas décadas víamos grandes campanhas de marketing sendo lançadas no site da empresa e em algum evento para fãs e se propagando viralmente por redes sociais que as empresas sequer sabiam que existiam, como o Plurk (que ainda vive, aliás).

Lembre-se que marketing, principalmente o marketing pessoal e da pequena empresa, envolve relacionamento, interação, comunicação.

Para ir além das IAs – Começou a grande perda de habilidades

É o que alerta o artigo na Business Insider: The Great AI Deskilling has begun.

Há tempos tenho alertado que o uso das IAs generativas (de qualquer ferramenta, na verdade) para realizar atividades que somos capazes de fazer reduz as nossas capacidades em vez de aumentá-las.

Além da atrofia de capacidades, as IAs Generativas não “pensam” como nós e usá-las acaba perturbando a própria estrutura do nosso raciocínio como alerta a matéria:
“AI reverses how humans normally think. In traditional reasoning, people move from confusion to exploration to structure — and only then to confidence. AI reverses that sequence.”

O artigo também sugere, como eu, que as pessoas que não usam IAs generativas, principalmente no início de carreira, terão vantagem competitiva.

Recentemente a diretora criativa da Contente, Dani Arrais, falou sobre a importância do processo colaborativo para criar um conteúdo de pessoas para pessoas

Segurança e Privacidade

Como você protege os seus arquivos?

Backup é uma prática essencial para ter uma vida tranquila.

Seu computador queimou, seu celular se perdeu. O que acontece com o que estava dentro deles?

Alguns sistemas já incluem recursos de backup, mas eu prefiro fazer manualmente organizando tudo que produzo em pastas e guardando essas pastas em dois armazenamentos na nuvem e em dois HDs.

Ambientes mais sofisticados podem exigir uma unidade NAS, que é como um beliche de HDs empilhados dentro de uma caixa com vários andares e com recursos de recuperação de dados e redundância, mas normalmente um ambiente como o meu é suficiente.

Apenas se lembre de deixar pelo menos um HD guardado longe do computador para que ele não seja atingido pela mesma coisa que inutilizar o seu desktop.

No mínimo faça backup na nuvem. Você vai me agradecer depois!

Sugiro também organizar o seu HD interno de um jeito que baste copiar uma pasta inteira para salvar todos os seus arquivos.

Narrativa: Controle como você se apresenta ao mundo

“Meu site é feio, parece do século passado”

Sempre insisti que a beleza do site, além de subjetiva, só era importante se a pessoa vendesse sites bonitos. Em todos os outros casos o site deve levar conteúdo e ser fácil de navegar.

Em alguns casos ser difícil de navegar pode ser a graça do site, mas são exceções, praticamente jogos.

Nas últimas décadas se estabeleceu que um site consiste em um banner, um menu sob o banner, um campo de busca, artigos na coluna à esquerda e anúncios à direita. Quase sempre criados com o WordPress (os meus são).

Todavia, talvez como reação à intensa pasteurização que assola a Internet, temos visto um movimento de retorno a designs mais livres, retrô e até artesanais, a #IndieWeb.

Nesse contexto pode até ser chique ter um site com uma navegação antiga.

Mas, piadas à parte, realmente adotar um design mais original, desde que seja bem navegável, pode ser uma forma de se diferenciar.

Clipping (links úteis)

Rodapé

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