O conhecimento é o princípio de tudo – Boletim 1/26

—

por

in

Editorial

Quando eu tinha onze anos (em 1978) li, pela primeira vez, sobre a Internet e entendi que todo o conhecimento da humanidade estaria “flutuando” no ar e poderíamos projetá-lo em nossas paredes indo, desde obras de grandes pintores e pintoras a teoremas científicos e isso era maravilhoso!

A Internet continua sendo uma rede de pessoas e de fluxo de conhecimento, seja na forma de pequenos vídeos com coisas fofas, seja em artigos que apelam para a nossa raiva ou medo, ou em outras formas que podem nos instruir, nos dar raiva, nos assustar, nos inspirar coisas boas ou ruins.

Até pouco tempo, em redes sociais e na Grande Internet, nós controlávamos os fluxos e caminhos que seguíamos em busca de estímulos, informações e conhecimento, mas então veio a era dos algoritmos e as redes sociais se tornaram mídias sociais.

Passamos a ter uma infinidade de empresas olhando por cima dos nossos ombros o que fazíamos na Internet, coletando conhecimento sobre o zeitgeist da humanidade.

A forma de contar uma história influencia o impacto dela sobre nós, a narrativa transforma as histórias e, quem controla os algoritmos, controla as narrativas.

Tudo gira em torno de informações e conhecimento: privacidade, redes sociais, marketing, a construção de narrativas e até as diversas inteligências artificiais.

Por isso, ao assumir o desafio de construir um guia acessível a todas as pessoas para nos preparar para lidar da melhor forma possível com a civilização cibernética que já está se estabelecendo, decidi colocar no topo a organização do conhecimento.

A minha história profissional começa com a especialização em gestão do
conhecimento corporativo prestando consultoria para empresas como a Esso e as Lojas Americanas, além de ser um nativo digital habitando redes sociais online desde meados da última década do século passado. Essa história me coloca em uma posição favorável para formar uma visão geral do mundo cibernético.

Cada edição desse boletim cibernético irá se aprofundando cada vez mais em cada uma dessas áreas. Seja bem vindo, bem vinda, bem vinde.

Organize seu conhecimento

A oferta de informações, conhecimento e estímulos é literalmente infinita quando colocada ao lado do tempo que temos disponível.

O acesso a tudo isso, cada vez mais mediado por mídias digitais, é influenciado por algoritmos que estão calibrados para absorver o máximo do nosso tempo além de nos mapear e influenciar o nosso humor e até viés. Se expor passivamente ao fluxo é uma péssima ideia.

Felizmente sair da passividade, além de fazer muito bem, não é uma ação
difícil.

Os primeiros passos podem ser tão simples quanto criar pastas de favoritos
no seu navegador para encontrar mais facilmente aquela receita, aquele artigo interessante quando precisar.

A dica de ouro, na minha opinião, é começar simples. Pensando no que te interessa e fazendo uma lista, pode até ser em papel. Partindo daí vamos desenvolvendo práticas e estratégias que abordarei aqui.

Meu post de junho do ano passado pode trazer bons insights:

1º passo no gerenciamento do conhecimento

Redes e mídias sociais

A humanidade é gregária, é coletiva, se conecta.

Talvez isso seja tão natural em nós que, já nos anos 90 do século passado, começaram a crescer as redes sociais online, que já existiam timidamente em newsgrups e canais de IRC, mas começaram a explodir nos BBS e depois em sites web começando pelo SixDegrees, se não me falha a memória.

Redes sociais online são como grandes espaços públicos onde vamos com pessoas conhecidas e, mais frequentemente, fazemos novas amizades. Foi assim até por volta de 2012. Então surgiram as mídias sociais.

Mídias sociais online são como grandes feiras comerciais onde mal conseguimos conversar com quem já conhecemos porque a todo momento nos param para oferecer um relógio de graça se assinarmos uma revista.

Mais difícil ainda é conhecer novas pessoas ou nos reunir de acordo com
áreas de interesse.

Os dois tipos de rede tem suas utilidades, os dois tipos de redes continuam
existindo. É importante entender para o quê cada uma delas é melhor.

Acima de tudo é bom nos perguntarmos: redes ou mídias sociais online são a minha praia? Para muita gente não. E isso não tem nada a ver com “não ser moderno” e sim com a nossa natureza. Você não é inferior se o gosta mesmo é de encontrar as pessoas ao vivo… às vezes até online, mas não em um espaço social coletivo.

Nessa sessão vamos caminhar entre as formas de coletividade humana.

Nós fazemos o marketing, ou o marketing nos faz

Se o marketing sempre foi a “alma do negócio”, no último século ele se tornou a alma da civilização, ou pelo menos uma parte importante dela.

Quando a civilização se torna cibernética tudo se desenvolve exponencialmente, ou seja, não é a matemática do 1+1+1 e sim a do 1+2+4+8…

“O marketing” está o tempo todo olhando por cima do seu ombro. Ele sabe com quem você tem amizades, por onde anda, que horas acorda e dorme, o que chama mais a sua atenção, que te dá raiva, que te faz relaxar. E não só te conhece, mas conhece o “seu tipo” mesmo que você não tenha um smartphone e raramente entre na Internet. É um grau de perfilização inédito na história.

Pessoa de marketing! Não me xingue! Estou simplificando e não te culpo de nada! Além disso essa sessão é para você também.

Reduzir a nossa exposição excessiva a agentes de marketing, que muitas vezes falham nos quesitos de ética, é muito mais simples do que pode parecer, mesmo que muita gente dica que “resistir é inútil”.

A mera troca de navegador ou o uso de um plugin simples pode melhorar sensivelmente até a qualidade do marketing que você recebe.

O post Construindo nosso novo ano começa com dicas de navegadores.

Para ir além das IAs

Acho necessário dizer que acredito que uma civilização planetária só é viável quando administrada com auxílio de um conjunto de inteligências artificiais (até escrevi conto com esse tema)

Para isso acontecer o primeiro passo é entendermos o que são IAs.

Por exemplo, LLMs, que dominam a mídia nos últimos tempos, recombinam o conteúdo com que foram alimentadas, algoritmos de machine learning conseguem aprender quase sozinhos enquanto os de deep learning descobrem padrões em ambientes complexos. Agentes de IA combinam LLMs com outras IAs, comandos e aplicativos para atingir um objetivo (a Manus.im é um exemplo).

Parece complicado? Acredite: não é! Vamos mergulhar em cada uma delas em um ritmo tranquilo.

Outro fator essencial para o bom uso das IAs é quem as controla, quem define os vieses delas e como se apresentam. A primeira empresa a ficar famosa com uma LLM foi a OpenAI, que tinha o “open” no nome justamente como um reconhecimento que essa tecnologia é poderosa demais para estar atrás de segredos de indústria.

IAs, não só as LLM, precisam ser transparentes, auditáveis e regulamentáveis para serem ferramentas para o desenvolvimento da Humanidade e, também, para o nosso desenvolvimento pessoal.

A primeira pergunta a fazer toda vez que usar algum tipo de IA é: que habilidades e capacidades eu aprimorei ao usar essa ferramenta?

Ganhar tempo ou produtividade pode nos garantir mais horas para assistir a uma boa série, mas esse não pode ser o único benefício do uso de LLMs ou outras IAs.

Segurança e Privacidade

Essa é outra área dominada por um certo consenso de que “resistir é inútil”.
E… alerta nerd… Não foi inútil nem contra o Locutus dos Borgs…

Segurança e privacidade não são necessariamente interligadas, mas decidi
reuni-las na mesma sessão porque se ligam conceitualmente: nós precisamos de privacidade e segurança.

Segurança pode se referir a evitar que consigam acesso a algo importante se roubarem seu celular, mas também envolve a proteção da sua navegação e do conteúdo do seu email.

Privacidade pode se referir ao uso de uma VPN ou de um DNS criptografado (calma, serão tema de outros boletins) para te proteger de agentes maliciosos tentando coletar seus dados de navegação, mas também te protege de vírus e golpes digitais.

A minha primeira dica de segurança é a mais simples: cuide do seu email. De preferência use um email seguro, como o da Proton ou da Tuta para as coisas mais críticas, mas ao menos certifique-se de ter configurado o login com dois fatores, códigos de recuperação, passkeys (também vou falar nisso) e outros dispositivos de segurança do seu servidor de email.

Narrativa: Controle como você se apresenta ao mundo

Qual é o nosso efeito no mundo? Que efeito queremos ter? Quem controla o algoritmo controla a narrativa.

Construir uma narrativa tem a ver com a forma de compor a história, de apresentá-la e distribuí-la, todavia a distribuição pode ter um impacto muito maior do que o esperado.

Seu reels no Instagram muito bem planejado e publicado com carinho pode ser exibido praticamente somente para quem já sabe ou, pior, para quem vai se assustar e rejeitar ainda mais as boas reflexões que você tentou passar.

Em mídias sociais, em buscadores de sites, a história é sua, mas a narrativa raramente será.

Felizmente retomar o controle da sua história pode ser simples… na verdade geralmente é mais simples do que ficar perseguindo os desígnios dos algoritmos.

Malas diretas, pedir para as pessoas repassarem seu conteúdo para pessoas que precisem são meios de retomar controle.

Clipping (links úteis)

A TV Brasil oferece um streaming gratuito com jornalismo, programação ao vivo, entretenimento, programas infantis, filmes etc: https://play.ebc.com.br

Open Science: A biblioteca da universidade de Groningen oferece um “toolkit to support researchers at all career stages in designing, planning, and evaluating Public Engagement activities. Many of the resources and tools are openly available, so feel free to take a look even if you’re not affiliated with our university.” – Support Toolkit

Lazer reflexivo: Let’s talk about AI art, uma tirinha em inglês sobre o sentimento da arte e imagens geradas por LLM – https://theoatmeal.com/comics/ai_art

Sendo humano em um mundo digital (Inglês): Uma coletânea de artigos acadêmicos de Cambridge em acesso livre sobre o “impact of digitization on culture, politics, health, work, and relationship.” – Being Human in the Digital World

Retribua

O Boletim Cibernético do Meme de Carbono é um guia completo oferecido
sem a exigência de qualquer pagamento porque o conhecimento deve ser livre e acessível a todos. No entanto você pode retribuir repassando para outras pessoas ou apoiando com qualquer valor a partir de um Real. Como forma de agradecimento quem fizer o apoio recorrente terá um desconto equivalente ao apoio até 10% em qualquer um dos serviços e consultorias que ofereço. Por exemplo, se apoia com R$5,00 por mês, terá 5% de desconto.

Pix: https://livepix.gg/roneyb

Contribua mensalmente:

Até a próxima,
Roney Belhassof

Hashtags

O conteúdo foi útil? Quer recompensar o autor? Clique e contribua com um cafezinho por PIX!


Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.