Veja somente o que você quer no Instagram, YouTube… – Boletim 4/26

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Editorial

Um título grande para uma coisa muito simples… Quando entramos no YouTube, e em mídias sociais, a gente não vê somente os perfis que seguimos e, às vezes, nem na ordem cronológica. Na timeline aparecem perfis desconhecidos que o algoritmo acha que pode prender a nossa atenção, conteúdo patrocinado, sem falar, principalmente no caso do YouTube, em um monte de propagandas ao redor da nossa timeline (linha do tempo). Felizmente uma das coisas da Grande Internet, o RSS, continua sendo oferecido nessas e em muitas outras plataformas. Já falei isso no boletim 02/26, mas percebi que era necessário dar mais destaque para ele já que é uma forma muito simples, gratuita e eficiente para assumir o controle de grande parte dos estímulos a que as mídias comerciais nos expõe. Funciona assim: você acrescenta uma extensão como o FeedBro ao seu navegador, usa o recurso nativo do Vivaldi ou obtém um leitor de RSS. Feito isso basta clicar no menu, mandar procurar por feeds na página atual e, se tiver, ele permitirá acrescentá-la ao seu diretório de leitura. São muitas as plataformas que oferecem RSS, além dos jornais e blogs, como Bluesky, Instagram, YouTube. Para ficar mais claro, aqui está a minha aba com feeds do Instagram:

Organize seu conhecimento

“Quais são as alternativas ao Google NotebookLM?”

Me perguntou uma amiga.

Antes de qualquer coisa, toda vez que falo em IAs generativas, grandes modelos de linguagem (LLM), etc. me sinto na obrigação de reforçar que, além das questões éticas de como elas são geradas e do gasto de energia para produzi-las, uma LLM e as IAs em torno delas, por projeto, não são confiáveis. Você não me verá recomendando IAs tão cedo, a não ser em casos bem específicos.

Dito isso, a amiga usa o NotebookLM enviando vários PDFs grandes para cruzar informações entre eles, descobrir dados e otimizar o trabalho de análise e desenvolvimento de estudos.

No entanto, várias pessoas já não se sentem seguras com a Alphabet/Google e buscam alternativas.

A boa notícia é que praticamente qualquer sistema de gerenciamento de notas pode ser integrado a IAs usando o chamado MCP (falarei dele no site), que é uma forma de facilitar a comunicação entre aplicativos e LLMs como Gemini, CHatGPT, Claude e outras.

Quando buscamos por sugestões nos mecanismos de busca, uma das mais sugeridas é o Notion, que oferece integração nativa, mas eu evito indicar soluções que retém os seus dados presos em suas nuvens e temos o, também muito citado, Obsidian. Em breve farei um post com outras alternativas.

Redes e mídias sociais

“Não posso sair das mídias sociais para não cair no ostracismo.”

A preocupação pode estar errada, mas, de forma alguma é estúpida ou infundada: temos a impressão de que a vida social só é possível nas mídias sociais e que não adianta ir para redes sociais (já falei da diferença entre elas) porque nossas amizades continuam nas mídias.

Bem… alguém tem que ir primeiro, mas isso é algo que acontece, ou não e acho desnecessário escrever a respeito. O assunto aqui é outro: A gente fica mesmo no ostracismo se sairmos das mídias sociais?

A sua linha do tempo nos Facebook, Instagram ou, pior ainda, TikTok e outros realmente te conecta às suas amizades?

Tem também o ostracismo do que está acontecendo no mundo, todavia, em plataformas onde tudo é mediado por algoritmos cuja função definitivamente não é te informar, as notícias tendem a ser cada vez menos diversificadas além de vermos ondas de “morangos do amor” e de notícias que só reforçam e restringem o nosso viés.

Infelizmente as mídias sociais são muito mais ferramentas de “ostracização” do que de conexão e de abertura de horizontes. Somente assumindo o controle dos nossos contatos sociais e das nossas fontes de informação, vamos realmente sair do ostracismo (e evitar muito cansaço por sobrecarga de estímulos).

Esse é um dos principais motivos para a minha sugestão de levar as amizades para onde o contato não é intermediado. Preferencialmente offline, claro, mas quando não for possível, que seja em no Signal ou mesmo no WhatsApp. Indico o Signal porque, além de mais ético, não é usado por empresas facilitando usar o aplicativo apenas para amizades.

 Nós fazemos o marketing, ou o marketing nos faz

Quando estamos em mídias sociais nos tornamos objetos de marketing.

A princípio a gente não se sente assim, sentimos apenas que estamos em uma plataforma social (cada dia menos social) gratuita em troca de nos mostrar anúncios.

Também aprendemos a não nos incomodar com o mapeamento dos nossos desejos, vieses, medos, conexões para receber em troca a sensação de nos conectarmos a bilhões de pessoas.
(a propósito, os algoritmos poderiam mesmo ajudar a criar uma grande conexão global diluindo estereótipos, reduzindo distâncias culturais, mas se fossem feitos para isso…)

O que acontece, entretanto, é que vamos nos transformando cada vez mais (involuntariamente) em operários – como Chaplin em Tempos Modernos – que classificam, replicam, modificam bases para marketing. A trend de hoje vira o marketing de amanhã e toda a vida começa a se transformar em uma agência de marketing.

Aliás, vale a leitura de Simulacron 3, de Daniel F. Galouye, de 1964

Para ir além das IAs

Disse mais acima e volto a dizer que não me sinto à vontade para recomendar ou mesmo indicar o uso de IAs generativas e LLMs, tanto pelas limitações técnicas quanto problemas éticos e desafios para usá-las sem nos atrofiarmos.

Mas… estão literalmente nos obrigando, então aqui vão uma recomendações sobre IAs mais éticas, ou que pelo menos assumem esse compromisso.

  • Thaura: tem uma das constituições mais completas que vi até o momento;
  • A Lumo, da Proton, promete respeitar a nossa privacidade não se alimentando com as nossas interações com ela e protegendo essas interações para não vazarem
  • Temos a Maritaca, desenvolvida no Brasil e com bases de textos e dados nacionais;
  • A União Europeia tem procurado se desvincular de empresas dos EUA e, além da Lumo (suíça), existe a francesa Mistral – Le Chat, que também promete privacidade e até a possibilidade de hospedar a sua própria IA / agente de IA (o que acho bem perigoso, na verdade como já falei no post sobre o OpenClaw).

Segurança e Privacidade

Um modelo de negócio dominou o mundo de aplicativos comerciais: SAAS, de “software as a service”, ou “alugue o seu aplicativo em vez de comprar”.

Existem bons argumentos a favor do modelo que nos garante ter o software sempre atualizado além de vantagens como levar junto um espaço de armazenamento na nuvem por segurança, portabilidade e para várias pessoas poderem editar o mesmo documento ao mesmo tempo no caso de aplicativos de escritório.

Todavia… Também há desvantagens crescentes para os usuários conforme esses aplicativos, principalmente o Office da Microsoft, começam a abusar da dependência que criaram.

Será que precisamos atualizar esses programas constantemente? É mesmo seguro usá-los ou essas empresas podem utilizar os nossos arquivos para treinar IAs LLM criando riscos de vazamentos de informações?

A situação é bem mais séria quando se trata de países e organizações como a ONU ou a UN, que ficam dependentes de empresas que tem vieses e papéis políticos muitas vezes hostis a elas, o que tem levado muitos governos na Europa a buscar alternativas locais ou Open Source.

Você e eu não somos países, mas podemos lidar com dados sensíveis jurídicos, comerciais, etc.

No entanto, acima disso tudo, será que os aplicativos alugados, cada vez mais sobrecarregados de funções, ainda são melhores?

O sistema de gerenciamento de notas que eu uso, o Obsidian, tem tudo que a maioria das pessoas precisa e pode ser muito expandido com plugins, assim como outros similares, alguns inclusive OpenSouce (que significa mais do que ser gratuito, significa que não deixa de existir se a empresa falir).

O LibreOffice e o OnlyOffice são alternativas ao Office da Microsoft que, muitas vezes atendem melhor as nossas necessidades.

Além do mais, defendo ter sempre um plano B e conhecer ao menos uma ferramenta alternativa (recomendo o LibreOffice) pode nos salvar de muita perturbação.

Narrativa: Controle como você se apresenta ao mundo

Em 1999 surgiu o Blogger e uma onda de adolescentes passou a fazer seus próprios sites pessoais refletindo sua personalidade e interesses cuidando tanto do conteúdo quanto da apresentação  estudando HTML, CSS e outras tecnologias para webdesign. Se eles eram capazes, nós também somos.

Hoje é exponencialmente mais fácil construir um site pessoal. Continua sendo gratuito em plataformas como o Neosites, que mantém o espírito artesanal, ou o WordPress, usado para construir a maioria dos sites modernos. Caso nos queiramos ter o nosso próprio domínio, como o Meme de Carbono, o custo é baixo, em torno de 30 reais por mês.

Um site próprio não precisa dar trabalho, pode ser apenas uma página apresentando o seu currículo, pode ter um portfólio das suas habilidades ou trabalhos e só. Também pode ser um repositório de conhecimento com mais de 700 artigos, como é o caso do Meme de Carbono.

O importante é ter uma expressão digital de quem somos que não esteja submetida às limitações dos chamados feudos digitais.

Ano passado escrevi O que você precisa saber sobre ter um site na Internet. Espero que seja o suficiente para você criar seu próprio site sem ajuda, mas também ofereço consultoria para te guiar pelos passos ensinando como fazer além de ajudar a planejar uma estratégia narrativa. Entre em contato.

Clipping (Links úteis)

Serviços do Meme de Carbono

Formulário para contato (clique)

  • Análise e manutenção preventiva de sites WordPress: R$250 a hora (uma hora costuma bastar para fazer a profilaxia e manter o site saudável)
  • Criação de site (a partir de 1.000 reais incluindo treinamento para ter autonomia)
  • Estratégias de marketing em múltiplas mídias como mala direta, redes sociais, site, mídias sociais. Entre em contato para orçarmento
  • Segurança, privacidade e autonomia para evitar golpes, roubo de senhas, perdas em caso de roubo de dispositivo, etc.
  • Organização do Conhecimento para aplicar no uso de Inteligências Artificiais
  • Consultorias, workshops, treinamentos para desenvolver uma visão global da era cibernética e manter-se à frente

Rodapé

O Boletim Cibernético do Meme de Carbono é um guia completo oferecido sem a exigência de qualquer pagamento porque o conhecimento deve ser livre e acessível a todos.

No entanto você pode retribuir repassando para outras pessoas ou apoiando com qualquer valor acima de um Real.

Como forma de agradecimento quem fizer o apoio recorrente terá um desconto equivalente ao apoio até 10% em qualquer um dos serviços e consultorias que ofereço. Por exemplo, se apoia com R$5,00 por mês, terá 5% de desconto.

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