Em busca do prompt perfeito

Vai fazer um ano que fiz o post Guia definitivo para usar IAs GPT, resume a estratégia de prompts a três princípios, que, francamente, acho que bastam. Só que as empresas de IA, para criar uma mística em torno dos supostos poderes das IAs, falam em engenharia de prompt! Uuuuuhhh! O pessoal, é justo, aproveita para oferecer cursos caros e com um monte de nomes pomposos.

Quem vai acreditar no cara estranho do Meme de Carbono falando que é tudo simples? Então decidi trazer para cá o palavreado de comandos para IA (prompts) e simplificá-los para você não ter que fazer cursos caros. Se quiser me fazer um pix, fique à vontade!

Em tempo: continuo não recomendando o uso de IAs, principalmente para fazer o que você é capaz de fazer, mas muitas vezes as circunstâncias obrigam as pessoas a usar e não custa nada ajudar.

Recomendo também o meu post de 2023 IAs Generativas: não sou obrigado!, que continua valendo para entender como elas funcionam e as suas limitações. De lá para cá só mudou que as IAs generativas são usadas para gerenciar agentes de IA e IAs agênticas, mas continuam no núcleo das ferramentas de IA mais badaladas.

Categorias de Comandos (prompts)

Insisto que as estratégias de comandos para IAs são simples porque elas servem basicamente para três funções:

  • Filtro: Limitar as fontes onde a IA buscará resposta. Como “Consulte em artigos suecos sobre vulcanologia”
  • Saída desejada: Definir o que deve ser respondido: “Responda quais são os sinais sismográficos de erupção iminente”. Serve para definir o tom também: responda como um Lumpa Lumpa explicando para uma pessoa no ensino médio.
  • Controle: Para literalmente controlar um pouco como a IA deve trabalhar: “Primeiro reúna tabelas de registros sismográficos anteriores a grandes erupções; segundo, faça uma tabela de desvio padrão; terceiro, elabore a tabela que sumarize esses dados”. Isso só vai funcionar bem em IAs agênticas e não sou vulcanologista, logo pode ser um exemplo estúpido.

Pronto! Agora é só usar a sua experiência no dia a dia para descobrir as melhores formas de fazer as três coisas.

Só não se deixe intimidar quando disserem que você não sabe nada sobre IA porque não conhece o “abstain-qa”, que é um controle que pede à IA para não responder se não souber, comando, inclusive, que acho bem questionável, apesar de alguns estudos mostrarem que é possível, mas depende mais do modelo do que do seu comando / prompt.

“Frameworks” para comandos

Já vou colocar aqui uma lista de tipos de comandos para IA, mas antes tem os frameworks.

Também acho que é uma complicação, mas as pessoas desenvolvem uns mnemônicos para lembrar de como fazer comandos para IA. O meu seria FiSaCo hahaha! Mas acho que não precisa disso para lembrar de Filtro / Saída / Controle.

Em todo caso, aqui estão dois bem conhecidos:

MAESTRO

LetraElementoPergunta-chave
MMissãoO que você quer alcançar?
AAtorQuem a IA deve ser? Qual persona deve assumir?
EEstiloQual tom e nível de profundidade?
SSituaçãoQual é o contexto?
TTarefasQuais passos específicos a IA deve executar?
RRestriçõesO que deve evitar? Quais são os limites?
OOutputQual é o formato da entrega?

PACIF

LetraElementoDescrição
PPapelPersonalidade
AAçãoTarefa principal
CContextoCenário, público, problema
IIntençãoObjetivo da resposta
FFormatoComo entregar: tabela, PDF…

Lista de comandos

Peguei do amigo Cristiano Web. Vai lá no site dele: https://cristianoweb.net

Filtros:

  1. Prompting por Conhecimento

Para que serve:

Forçar uso de conhecimento específico do domínio.

Exemplo prático:

“Considere boas práticas de UX e SEO ao responder.”

2. Geração Aumentada por Recuperação (RAG)

Para que serve:

Usar documentos ou bases externas como referência.

Exemplo prático:

“Use este documento como base para responder.”

3. Injeção de Contexto

Para que serve:

Fornecer informações prévias para melhorar a resposta.

Exemplo prático:

“Considere que o cliente é uma ONG com orçamento limitado.”

4. Prompting por Papel

Para que serve:

Forçar a IA a responder a partir de um papel profissional específico.

Exemplo prático:

“Atue como um consultor de negócios digitais e avalie este site.”

Saída

1. Prompting Baseado em Esquema

Para que serve:

Gerar respostas que sigam um modelo fixo.

Exemplo prático

“Siga este esquema: problema → impacto → solução.”

2. Prompting de Saída Estruturada

Para que serve:

Controlar exatamente o formato da resposta.

Exemplo prático:

“Responda em tópicos com título, descrição e exemplo.”

3. Prompting com Citações

Para que serve:

Exigir referências claras ou fontes.

Exemplo prático:

“Responda citando a fonte de cada dado usado.”

Prompting de Geração de Conhecimento

Para que serve:

Explorar um tema para gerar base conceitual.

Exemplo prático:

“Explique os conceitos essenciais de presença digital para iniciantes.”

5. Prompting Orientado a Objetivo

Para que serve:

Manter a resposta focada no resultado final desejado.

Exemplo prático:

“O objetivo é gerar leads qualificados. Crie a resposta com isso em mente.”

6. Prompting por Raciocínio Analógico

Para que serve:

Explicar algo complexo usando comparação simples.

Exemplo prático:

“Explique funil de vendas como se fosse uma loja física.”

Árvore de Pensamentos (Tree of Thoughts)

Para que serve:

Explorar caminhos diferentes de solução antes de decidir.

Exemplo prático:

“Liste 3 abordagens possíveis para este problema e escolha a mais eficiente.”

(Originalmente em controle, mas prefiro usar como saída determinando que apresente todas as opções além de escolher a melhor)

8. Autoconsistência

Para que serve:

Gerar várias respostas e escolher a mais coerente.

Exemplo prático:

“Gere 3 versões de uma mesma resposta e escolha a melhor.”

(Idem à anterior)

9. Cadeia de Pensamento Oculta

Para que serve:

Pedir apenas o resultado final, sem mostrar o raciocínio.

Exemplo prático:

“Chegue à melhor recomendação, mas entregue só a conclusão.”

(Oculta as opções geradas deixando somente a escolhida. Não recomendo)

10. Prompting por Persona

Para que serve:

Definir estilo, tom e comportamento, não só a profissão.

Exemplo prático:

“Responda como um estrategista direto, sem linguagem de marketing.”

11. Prompting por Instrução

Para que serve:

Dar comandos claros e objetivos, sem exemplos.

Exemplo prático:

“Liste os principais erros de um site corporativo em até 5 tópicos.”

12. Prompting One-shot

Para que serve:

Ensinar o padrão com um único exemplo antes do pedido real.

Exemplo prático:

“Exemplo:

Título: Site institucional

Descrição: Site simples para apresentar serviços. Agora crie no mesmo formato para uma loja virtual.”

Controle

1. Prompting em Pipeline

Para que serve:

Executar etapas fixas em sequência, sempre no mesmo padrão.

Exemplo prático:

“Entrada de dados → análise → diagnóstico → recomendação.”

2. Prompting de Fluxo de Trabalho

Para que serve:

Simular processos contínuos, como um método.

Exemplo prático:

“Descreva o fluxo completo do lead, do primeiro contato à venda.”

3. ReAct (Raciocinar e Agir)

Para que serve:

Alternar análise e ação durante a resposta.

Exemplo prático:

“Analise o problema, proponha uma ação, reavalie e ajuste.”

4. Planejar e Executar (Plan-and-Execute)

Para que serve:

Primeiro criar um plano, depois executar.

Exemplo prático:

“Crie um plano de ação e depois desenvolva cada etapa.”

5. Prompting por Decomposição de Tarefas

Para que serve:

Quebrar um problema grande em partes menores.

Exemplo prático:

“Divida a criação desse site em etapas claras.”

6. Encadeamento de Prompts

Para que serve:

Usar a saída de um prompt como entrada do próximo.

Exemplo prático:

“Primeiro gere o diagnóstico. Depois, use esse diagnóstico para criar a

proposta.”

7. Prompting por Raciocínio Deliberado

Para que serve:

Forçar análise cuidadosa, evitando respostas rápidas.

Exemplo prático:

“Analise com calma os prós e contras antes de responder.”

8. Prompting de Passo Atrás (Step-back)

Para que serve:

Forçar uma visão mais ampla antes de resolver o detalhe.

Exemplo prático:

“Antes de responder, explique qual é o problema maior envolvido.”

9. Prompting com Rascunho (Scratchpad)

Para que serve:

Permitir que a IA organize ideias antes da resposta final.

Exemplo prático:

“Faça um rascunho de ideias e depois entregue a versão final.”

10. Grafo de Pensamentos

Para que serve:

Relacionar ideias que se conectam, não em ordem linear.

Exemplo prático: “Mapeie como site, conteúdo e anúncios se conectam nesse modelo de negócio.”

11. Cadeia de Pensamento (Chain-of-Thought)

Para que serve:

Pedir que a IA pense passo a passo antes de responder.

Exemplo prático:

“Explique passo a passo como um cliente decide contratar um site.”

12. Prompting Few-shot

Para que serve:

Ensinar o padrão com vários exemplos antes de pedir algo novo.

Exemplo prático:

“Exemplo 1: …

Exemplo 2: …

Exemplo 3: …

Agora crie um novo seguindo o mesmo padrão.”

13. Prompting Zero-shot

Para que serve:

Usar a IA sem dar exemplos prévios. Você pede e ela responde direto.

Exemplo prático:

“Crie uma descrição curta para um serviço de criação de sites para pequenas empresas.”

(Pergunta sem filtros, controle ou instruções de saída. Nem devia existir ;-P)

Fediverse reactions

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.