Uma amiga mandou um breve vídeo do Instagram falando sobre se afastar dos sistemas da Alphabet/Google.
As limitações de tempo e algoritmos das mídias sociais restringem muito a liberdade do produtor de conteúdo e o vídeo me pareceu insuficiente, então mandei o áudio a seguir para ela, que já serve de aquecimento para voltar a fazer podcasts. A transcrição está logo em seguida.
Transcrição
Pois então aqui vai um áudio sem roteiro mas é um tema e tópicos que eu falo bastante, então não é muito difícil falar sobre eles .
Segurança privacidade, autonomia e soberania são coisas que não são só pra empresas, não é só porque você tem alguma coisa pra esconder, não é só porque você tem direito não é só porque você tem algum ativismo .
Ter essas preocupações é uma questão de carinho, de gentileza de dedicação às outras pessoas, à arte à cultura, à sociedade como um todo.
Eu tenho pra mim que as próximas gerações (porque as coisas passam as coisas se resolvem) vão olhar com perplexidade pra como a gente foi permissivo com as megacorporações cibernéticas, que eu prefiro chamar assim do que chamar de Big Tech Big Tech parece que é uma grande tecnologia e elas são muito mais parecidas com megacorporações cibernéticas de uma realidade cyberpunk .
Perplexidade porque nós temos o Instagram sendo processado na Índia por ter veiculado e ganhado dinheiro fazendo anúncio aceitando anúncio de pedofilia.
Nós temos uma Palantir da vida que, declaradamente, faz sistema pra matar pessoas e ela tá ligada ao mesmo sistema de identificação de pessoas pra, teoricamente, impedir que as crianças entrem em mídias sociais (que vou chamar de mídias sociais e não de redes sociais porque rede social é onde a gente se relaciona com pessoas).
Em uma mídia social hoje em dia; Instagram, TikTok até mesmo YouTube, você não tem relacionamento nenhum com pessoas. E na maioria delas você tem mais conteúdo impulsionado por algoritmo e criado por IA do que coisas criadas por pessoas em si e, muito menos ainda, por pessoas que a gente conhece.
Então a gente tem todo um cenário que impõe uma necessidade da gente preservar o direito à privacidade, o direito à segurança.
E sempre que eu falo nisso as pessoas falam assim “mas estamos perdidos não tem como”. Porque a gente desenvolveu, ou foi muito eficientemente plantado na gente, a ideia de que a internet se resume a megacorporações cibernéticas. Não se vê as pessoas falando que o o podcast é ruim pras pessoas. Você não vê ninguém falando que ler na internet é ruim pras pessoas. Você vê falando a internet está podre, a internet tem pedofilia. Qual internet? É a mesma coisa que você falar que a rua tem assalto. Tem assalto em que rua? Onde? E a que horas? Em que destinos? Não é toda a rua que tem assalto mas é toda a mídia social, é toda a megacorporação cibernética: Google… faça sua lista! Microsoft, Oracle (que quase ninguém conhece. Quem é da área de desenvolvimento de software conhece, mas a família é dona também da Paramount andou, não sei agora se comprou não comprou a Warner, tem mídia é dona de da maior parte do TikTok dos Estados Unidos hoje e o CEO dela defende que não haverá crime no futuro porque não haverá privacidade).
Não é essa a intenção. Fala-se muito; acabei de comentar no Fediverso esses dias; que a mídia acaba caindo na… Eu vou chegar lá em como você ter privacidade e segurança, ok? E autonomi e soberania, mas eu acho que a gente precisa primeiro saber da gravidade de não ter essas coisas, né?
A gente vê nos jornais na mídia um comentário “Ah! É preciso a perfilização – não se usa muito essa palavra – mas é preciso conhecer o comportamento as redes os grafos sociais as pessoas pra oferecer melhores serviços”.
Grifo em oferecer melhores serviços. Não é esse o objetivo da perfilização não é esse o objetivo da meta.
“Ah! O objetivo da meta é lucro eu sei” você pode estar pensando, mas não! Também não é esse o objetivo da meta. É como ela vai obter esse lucro como o Google vai obter esse lucro.
Eles não fazem isso levando pra você o melhor produto, o produto que você precisa. Eles fazem isso de duas formas principalmente:
Uma te fazendo precisar de um produto que eles querem vender não se se vende mais produto para as pessoas, você vende pessoas para produto. Eu chego lá e eu falo assim “Eu quero comprar que as pessoas progressistas não votem e que as pessoas conservadoras votem na minha plataforma.” E você consegue, com a perfilização que você tem hoje em dia dentro dessas plataformas, influenciar uma boa parte… se se você conseguir dois por cento já é muito, já é o suficiente. Tem muita eleição sendo vencida por 1 ou 2 por cento, 3 por cento de votos .
A segunda coisa que eles ganham (tem que lembrar que são empresas avaliadas já na faixa de trilhão de dólares) eles não querem nem lucro eles querem plantar o programa de política deles. Então eles podem simplesmente influenciar o viés político das pessoas pra que votem não só nos candidatos mas que fiquem simpáticas, por exemplo à inteligência artificial. Que vale mencionar aqui que de acordo com o próprio CEO (não estou falando que é uma boa pessoa pelo contrário é uma pessoa péssima) o CEO da Palantir recentemente falou em todas as letras que o negócio das empresas de IA não é vender inteligência artificial, não é vender agente, é subir um passo além da coleta de dados pra coleta de processos, de procedimentos, da forma de fazer as coisas. Vocês sabem provavelmente que hoje se contrata pessoas pra dobrar roupa, pra varrer chão, pra aspirar chão, pra cozinhar, fritar batata.
A própria meta andou rastreando o comportamento dos funcionários dela pra mapear como as pessoas fazem coisas pra poder tentar substituir, oferecer o serviço de replicar essas coisas.
Então parece uma um futuro distópico, mas a gente vive num mundo distópico. Quando você faz a administração da tua pequena academia de ginástica você pode estar dando as ferramentas que essas empresas vão usar no futuro pra criar academias de ginástica virtuais, o que eu mesmo acho distópico, mas numa progressão sem a mídia pra nos proteger sem o governo pra nos proteger… é possível, não digo provável ainda, mas é possível.
Vale lembrar que o lobby hoje… o maior lobby… talvez não o maior lobby, mas o maior lobby sempre foi o de petróleo, mas hoje superou o lobby do petróleo o lobby dos bilionários das criptomoedas e das blockchains, que é um papo enorme, mas eles querem influência no governo porque eles querem implantar uma democracia em blockchain baseada em criptomoedas.
Não é uma boa ideia, parece óbvio que não é uma boa ideia.
Então nós temos um quadro, um cenário em que não se trata de você não ter nada que esconder da justiça, se trata do que você tem que proteger das pessoas que você ama ou até as pessoas que você não conhece.
Nós humanos somos bons, nós somos gentis, nós não queremos que as pessoas sofram, em geral. Mesmo a pessoa que é… eu sei que você é uma pessoa boa e você deve ter empatia até por pessoas que você antipatiza porque ela tem o direito de ter o espaço dela.
Mas, enfim, como então a gente pode desenvolver um ambiente de segurança privacidade autonomia e soberania? Essas quatro coisas muito importantes.
A coisa mais importante na era cibernética é organizar o seu conhecimento mas não é sobre isso esse áudio.
O primeiro movimento é muito fácil, os dois primeiros movimentos são muito fáceis: abandonar o o acesso à internet via plataformas de megacorporações cibernéticas, ou seja, trocar o navegador Chrome pelo navegador Firefox; o Vivaldi é bem confiável, também temos o Brave, que tem lá seus problemas com criptomoedas mas ele consegue te separar da plataforma do Google, da Alphabet.
Podemos abandonar o buscador que, francamente, não acho o buscador da Google o melhor hoje em dia. Existe o startpage, existe o SearXNG, que você pode hospedar o seu próprio buscador no seu site; funciona muito bem também, e tem um monte de outras alternativas.
Outra coisa que é muito fácil de mudar…
Ah! Sim! Você pode colocar bloqueador de Facebook bloqueador de ads, de rastreadores nesses navegadores que eu citei.
Você pode mudar o seu e-mail com muita facilidade. Você tem o tuta.com, você tem o proton.me (que é um pouco mais polêmica em alguns aspectos mas suficientemente boa e ela é blindada pela pelo modelo de organização que ela criou).
A Tuta talvez seja melhor muito embora eu seja usuário da Proton.
A Proton tem inclusive uma inteligência artificial privada dela que funciona muitas vezes melhor do que as inteligências artificiais das megacorporações cibernéticas.
Um outro passo que você pode executar e que é muito fácil, que já é no sentido da autonomia, é trocar os aplicativos de aluguel, Office 365 por exemplo, por um aplicativo que pertence a você um aplicativo FOSS (Free open Source Software) como o Libre Office, que pode parecer diferente, é um pouco, né? Mas ele tem a característica de pertencer à humanidade ele é um aplicativo FOSS e tem muitas vantagens nele. Francamente tem muitas vantagens nele.
Você tem um aspecto nessa mudança que são dois aspectos: o formato de arquivo dele é um formato de arquivo aberto, então daqui a 1000 anos esse formato de arquivo será conhecido, O ODD (open data Document) e o próprio software. Daqui a 1000 anos se alguém tiver o software pra instalar ele vai rodar as coisas que tão que tão que tão salvas naquele formato e não tá na nuvem. Isso pra autonomia.
Também serve pra soberania, a mesma coisa se aplica. Já que eu falei da importância do gerenciamento do conhecimento da organização do conhecimento, em vez de a gente gerenciar nossas notas num Notion da vida, que roda numa nuvem, um Evernote da vida, que roda numa nuvem, que você pode importar pro teu computador mas você importa perdendo a estrutura de dados que você criou.
Você pode usar o Obsidian que não é open source, mas ele é gratuito, sugiro que é o que eu uso, porque eu comecei a usar muito muito antes de aparecer os outros. Você pode usar o logseq, que vale muito a pena aprender. Você pode usar o ZETTLR (Nerd não é muito bom de nome pras coisas, né?).
Você pode sair de mídias sociais e voltar pras redes sociais. Muita gente nunca esteve em rede social porque as redes sociais foram sendo foram um boom na internet, né? Um boom ciberespaço começando na década de 90 com os BBS. Depois do boom em 2008, com a chegada do Twitter, depois de ter passado por Friendster Six degrees, My Space… de 2008 em seguida mais fortemente em 2012, 2014 em diante as redes sociais foram sendo convertidas em mídias sociais e hoje em dia nenhuma das redes antigas são redes sociais de fato, mas as redes sociais continuam existindo em vários formatos.
Existe o Fediverso que é dominado pelo Mastodon, que é parecido com o Twitter mas ninguém precisa estar em rede social online.
Não é natural um ser humano estar em rede social online sempre foi uma… Um nicho, sempre foi o perfil de nicho. Você pode fazer sua rede social no seu sistema de comunicação. Que também sugiro que abandone o WhatsApp.
Eu costumo dizer pros meus amigos “Se você acha que existe o risco de um governo totalitário assumir o controle do seu país ou da humanidade, você não devia falar comigo pelo WhatsApp porque o WhatsApp tá conectado à meta que conecta os dados os metadados do WhatsApp com Threads, Instagram, Facebook. Você acha que acaba aí, mas a Meta rastreia a gente em todo o site que dá a opção de logar com a Meta.
Você entra em site de concessionária de luz e gás e água e você tem tem o rastreador do Google lá dentro… do Google… da Meta lá dentro.
Então, você que acha que existe a chance de um governo totalitário não devia falar comigo porque eu falo contra governo totalitário desde 2005, meus textos já estão guardados nos Internet Archive da vida e com certeza a Meta… a meta é muito simpática a governos totalitários, o Zuckerberg é muito simpático aos governos totalitários… e se acontecer (o que eu não creio que acontecerá, mas se acontecer isso algum dia eu vou sumir, mas você não vai saber que tem que sumir. Você que é meu amigo né que se comunica comigo por WhatsApp. Recomendo fortemente que instale um Signal, que instale um XMPP. O XMPP, inclusive, é bom pra você pra fazer redes sociais on-line de amigos, né? Você pode instalar o seu próprio servidor XMPP que se comunica com um servidor XMPP, parecido com e-mail só que é tipo um WhatsApp, é tipo um mensageiro instantâneo.
Você tem um Simplex você tem o Delta chat que o pessoal usa na Europa porque é tecnologia local enfim.
As opções de sistemas seguros, privados, que te dão autonomia, que te dão soberania não são poucas, não são precárias e não são caras.
A grande maioria delas é grátis.
Você pode ter uma conta Proton grátis, você pode ter uma conta tuta.com pra e-mail, pra espaço de armazamento grátis.
Enfim acho que isso cobre mais ou menos o que eu posso dizer pra amiga que me pediu algumas opiniões.
Pode passar adiante.


Deixe um comentário