Umas reflexões introdutórias

Você que chegou aqui provavelmente não conhece minhas ideias (me conhecer é irrelevante), então explico em poucas palavras:

Em geral assumo que a humanidade sempre caminha em direção à sobrevivência por duas razões principais: Fomos capazes de atravessar tempos mais selvagens e ignorantes e estamos à beira de desenvolver as tecnologias necessárias para nos tornarmos uma civilização tipo 1, ou seja, capaz de manter seu planeta adequado à vida.

No entanto sou obrigado pela abordagem científica a tentar provar que estou errado e tem o paradoxo de Fermi que coloca essa minha hipótese em cheque.

Esse paradoxo é simplesmente isso: Cadê as outras civilizações da galáxia?Será que existe uma barreira que nenhuma espécie foi capaz de ultrapassar e chega um momento que simplesmente se extinguem?

Você pode estar pensando ou pode ter ouvido alguém dizer que não vemos outras civilizações simplesmente porque estamos em uma vibração baixa… É um pensamento até reconfortante, mas, francamente… Não faz o menor sentido a menos que você leia muito sci-fi (O Fim da Infância) ou misticismo pseudo-científico (A Profecia Selestina) em que os seres materiais evoluem em um salto para uma forma de energia indetectável. Sejamos racionais: a gente devia pelo menos perceber civilizações uns 200 anos mais avançadas que a nossa.

Enfim… E se eu estiver errado e estivermos até à beira de encontrar a barreira de Fermi? Afinal se sobrevivermos mais uns 100 ou 200 anos provavelmente não haverá muito mais coisas capazes de nos exterminar.

Por que estaríamos à beira da extinção?

Sempre digo que o pensamento científico foi capaz de florescer quando o poder do medo e das crenças era praticamente absoluto e que isso mostra que a estrutura memética dessa abordagem é poderosa.

Mas a abordagem antropocêntrica que insiste que “minha opinião é mais poderosa que a realidade” também sobrevive. Estão aí as enxurradas de delírios que parecem começar com a “Terra plana”, mas continua com o criacionismo Terra nova, com o trio machismo-misandira-homofobia, com a negação da mudança climática, com os movimentos anti-vacina, com o racismo e os conflitos entre os grupos discriminados (como o colorismo ou a transfobia) tudo conectado a uma forte abordagem anti-científica que é essencialmente anti-realidade e pró “não importa o que podemos saber, só me importa o que eu sei”.

Nossa mente memética ou seja, nossa cultura, nossa razão, é uma fina película sobre milhões de anos de programação genética.

A primeira pode ser facilmente apagada ou pelo menos anulada enquanto a segunda nasce conosco assim como os pequenos pintinhos tem medo da sombra que passa rápido pelo chão mesmo nunca tendo visto um falcão sobrevoando-o para capturá-lo.

A fragilidade da nossa razão e da nossa cultura pode ser o eixo frágil de todo ser vivo orgânico… E aqui até me ocorre uma explicação para o paradoxo de Fermi: não há civilizações orgânicas, apenas digitais capazes de se espalhar pelas estrelas consumindo e produzindo pouquíssima energia, tão pouco que não somos capazes de detectar. A única “vida” viável seria eletrônica e capaz de “viver” em qualquer lugar. Mas esse post não é sobre o fim de Inteligência Artificial, do Spielberg.

Segure aí apenas ia ideia de que a gente pode falhar em sermos inventivos e em modificar nossa cultura justamente nos momentos mais perigosos, de maior tensão.

Já estamos em um período de extinção em massa…

… e somos nós que a estamos provocando, mas mesmo que não fôssemos: Devíamos estar agindo muito rapidamente científica, tecnológica e culturalmente.

Mas estamos elegendo loucos e perversos que ou não entendem a realidade ou não se importam com ela.

Certo, você pode ter visto alguém dizendo que os eleitores foram manipulados por enormes campanhas de desinformação e… bem… um desses alguéms sou eu mesmo que já digo isso há uns 20 anos (pelo menos 15 registrados no meu outro blog).

O problema é que demorou décadas, mas funcionou e talvez ainda não tenha chegado ao seu ponto máximo de influência.

Talvez a mudança de paradigma que a humanidade tem que realizar seja grande demais para nossos corpos de carbono, essas estruturas genéticas que demoram milênios para mudar sua codificação minimamente.

Hummm… Para esse post não ficar irrealisticamente pessimista (todo pessimismo ou otimismo é irrealista, mas você entendeu, né?) vou lembrar que a nossa neuroplasticidade é poderosa e pode nos salvar… Talvez.

Pessoas que são boas em tendências de curto e médio prazo me afirmam preocupadas que ainda estamos na escalada da negação da realidade, de um cristianismo que se assemelha aos alertas escatológicos de que o anticristo (ou anticristos, também citados) distorceria o cristianismo tornando-o um tipo de anti-cristianismo. Já vemos religiosos acusando o Papa de ser anticristão quando eles mesmos se assemelham mais a essa personagem.

A ciência e a tecnologia para deter a sexta extinção em massa que enfrentamos agora talvez existam, mas teremos mobilização social e política enquanto enfrentamos esse apocalipse? Até que ponto a mudança climática é reversível? Qual é a possibilidade dela tornar a Terra totalmente inabitável para humanos? Se formos reduzidos a 10% será que ainda seríamos capazes de sobreviver ou usaríamos nossos últimos séculos para criar uma nova forma de vida eletrônica para deixamos ao menos algum legado para o Cosmos?

Então é definitivo? Estamos vendo os últimos dias da vida na Terra?

Nada é definitivo enquanto existir vida e civilização, mas tenho que considerar que o fim da vida na Terra é uma possibilidade real, presente, ameaçadora e percentualmente grande.

Gostaria de não acreditar que ainda estamos na escalada desse período que talvez fique conhecido como necroperíodo dominado por necropolítica e necroreligiões, mas tenho confiança nas ferramentas dos meus contatos que apontam para isso.

Quando não temos dados suficientes a única forma de sermos realistas é assumir: não temos como saber.

Já estamos vendo grandes massas populacionais migrando ou buscando refúgio por causa de condições climáticas impraticáveis, então provavelmente, na melhor das hipóteses, teremos um desastre humano global com dezenas, talvez centenas de milhões de pessoas se refugiando em busca de sobrevivência e muitas vezes falhando.

É importante deixar claro que o destino de toda vida em qualquer planeta sem uma civilização é extinção.

São raras as pessoas que encontro que não acham que a civilização deve ser removida para a vida seguir em paz, entretanto o Universo é claramente hostil à vida e a destruirá onde ela aparecer a menos que a nossa outra civilização que evolua no futuro (e dificilmente não cometerá os mesmos erros que cometemos) desenvolvam tecnologias para manter e proteger a vida.

Quando explico isso frequentemente escuto que “então que a vida acabe”, o que é um absurdo pois segundos antes a pessoa estava preocupada com a nossa ameaça à vida deixando claro que a questão é outra que não cabe aqui.

Conclusão

Talvez a postura mais produtiva seja focar no aqui e no agora por mais que isso pareça ingênuo e auto-ajuda de má qualidade.

Nós precisamos de antídotos para destruição do valor espiritual das religiões e sua conversão em necroideologias que desrespeitam as essências de toda religião ancestral.

Precisamos redescobrir ou descobrir a humildade de entender que o Universo não é feito para nossa satisfação infantil e que a ciência é a melhor ferramenta para entendermos de fato nosso lugar, nosso papel, seja o Universo um fenômeno absolutamente natural, seja criação de algum tipo de consciência.

Precisamos entender que somos um fenômeno em transformação, que nossa mente, nossa cultura e as próprias bases da nossa percepção da realidade devem mudar conforme aprendemos cada vez mais e que mal começamos a aprender as primeiras sílabas do conhecimento universal ou, se preferir, do nosso papel nos planos divinos.

Se possível abandonar essa ideia de que somos parte dos planos de quem criou o Universo. Isso é de uma arrogância vergonhosa. Sejamos parte dos planos uns dos outros, das pessoas que estão ao nosso alcance.

Imagem por: Momentista on Unsplash

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