Ainda outro dia… Na verdade há muito tempo essa é quase a minha frase de efeito sempre que estamos conversando sobre o que está errado, seja a corrupção, o ataque aos direitos humanos, preconceitos etc. Eu sempre digo que todas essas coisas são mais do que importantes, são essenciais, principalmente porque sem uma estrutura social, política, cultural e econômica mínimas não podemos nos dedicar adequadamente ao único problema terminal da humanidade, então observo:

O que mais me preocupa é que, além de não cuidar adequadamente dessas coisas tão importantes, estamos falhando miseravelmente em nos mobilizar para deter e amenizar os efeitos da mudança climática.

Eu mesmo, quase toda hora…

 E não se trata apenas disso, não é mesmo? Ainda que tenhamos sucesso em reverter nossa influência e passemos a manter o ecossistema da Terra em equilíbrio, temos o problema do consumo.

Charles C. Mann é jornalista científico, um bem sério e competente a julgar pelo vídeo mais abaixo, e coloca muito realisticamente a nossa situação.

Primeiro ele mostra que nos últimos dois séculos todos os nossos gráficos sobem exponencialmente: expectativa de vida, produção de alimentos e bens, população, desenvolvimento humano.

Tudo isso parece ótimo, mas a Terra não é muito diferente de uma placa de petri (aqueles potinhos de vidro para cultivar bactérias) e ele passa a nos comparar a protozoários, mas não com aquele viés preconceituoso “a humanidade é uma praga”, e sim com uma certa humildade que reconhece que realmente talvez não sejamos capazes de ser muito diferentes dos demais seres vivos.

Sim, porque todos vamos querer igualdade de acesso, não queremos viver em uma distopia em que um punhado de pessoas tem os luxos e confortos modernos enquanto a maioria da civilização se arrasta em campos secos vivendo como na idade média.

Mesmo com os 7 bilhões de humanos atuais, se todos tiverem computadores, livros ou mesmo coisas simples como água e banheiro, provavelmente terminaríamos de destruir o ecossistema planetário.

Não… A solução não é a distopia de Elysium (o filme, para pegar uma referência adequada não muito antiga) como a que descrevi pouco acima.

A solução se divide hoje, como aponta Charles, entre os profetas e os magos, que, tragicamente, brigam entre si e, pior ainda, mal são vistos fora das suas bolhas acadêmicas-científicas-tecnológicas (bem sabemos nós, brasileiros e norte americanos que elegemos políticos que são como os macacos de 2001 – Uma Odisséia no Espaço diante do mundo que se descortina diante deles).

Pois bem, os mágicos seriam os que defendem a hiper-tecnologia, mega cidades altamente populosas cercadas de vastas regiões de preservação o que permitiria que todos os humanos tivessem acesso ao mesmo padrão de consumo com que sonhamos hoje sem desequilibrar o planeta.

Os profetas, também através de tecnologia, enxergam um futuro oposto, a humanidade se misturando ao meio ambiente em pequenas comunidades capazes de utilizar os recursos sabiamente e adotando estilos de vida não consumistas.

Bem… Concordo com ele que as duas visões são utópicas no sentido de que não vão acontecer. Para acontecer elas teriam que estar entrando em escala há alguns anos, mais do que isso, teríamos que ter um certo consenso de que devemos seguir por esse ou aquele caminho.

Grande parte de nós ainda está decidindo se vacina funciona, se a evolução existe, se a mudança climática é real e causada por nós e até, se a terra é esférica ou plana. É. Não estã acontecendo.

Me melbro agora de A Cidade e as Estrelas, de Arthur C. Clarke. Um pequeno spoiler: lá existe tanto a super cidade fechada e auto-suficiente quanto tribos integradas ao ambiente selvagem.

Concordo com Charles (o jornalista do vídeo abaixo, não Darwin… Muito embora também concorde com ele) que o caminho certamente está no meio termo, numa combinação das duas visões, principalmente porque a humanidade é composta por uma miríade de visões que se organizam basicamente entre dois grandes grupos de percepção do universo, um que deseja as mudanças e ambientes altamente tecnológicos e mutáveis e outra mais cautelosa que prefere menos mudanças e mais tradição.

Acrescento ainda outra coisa.

Seria maravilhoso que a humanidade despertasse para o mundo real mostrado pela ciência e pelo método científico, mas não é necessário que façamos isso coletivamente para construir uma civilização tipo 1 capaz de manter a vida no planeta em equilíbrio.

Basta que uma massa crítica de desenvolvimento cientifico e tecnológico (STEM) e de interesse comercial (capitalismo digital tornando a informação e a cultura a base da economia global) para que a humaniade se conduza para o futuro a despeito dos anti-vax, dos lunáticos anti-conhecimento.

Ajuda bastante se dermos mais atenção à razão que aos lunáticos.

Como sobreviver quando a população chegar a 10 bilhões? Charles C. Mann
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