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Muitos mundos e épocas convivem no mundo moderno.

Temos a impressão de que todos somos hiperconectados, que todos temos o mesmo acesso à informação, afinal todos temos celulares e é justamente por eles, os celulares, que o candidato mais despreparado se divulga enquanto foge de se expor diretamente.

No entanto não é assim.

A maioria de nós não tem tempo para ir atrás de confirmações, não tem nem mesmo a vivência online para identificar uma notícia verdadeira e uma falta, uma fonte confiável ou uma escusa, o viés desse ou daquele meio de comunicação.

Gostaria de dizer que o relato mais abaixo reflete a maioria dos eleitores, mas realmente não tenho dados objetivos para defender essa hipótese, tudo que tenho são evidências como a cultura pop cada vez mais sintonizada com a diversidade humana.

Também gostaria de dizer que dará tempo para que pessoas como a Renata consigam estabelecer uma rede virtuosa de informação, mas desconfio que as possibilidades são muito pequenas. O que não significa que devemos desistir! Desistir jamais!

Mesmo que o pior cenário se apresente a persistência será recompensada com a propagação da razão e do bom senso.

Segue o relato da Renata Penna no FB:

eu vinha caminhando, da padaria. num ponto de ônibus aqui na esquina de casa, ouvi a conversa de duas mulheres. a palavra “Bolsonaro” acendeu uma luzinha. sentei no ponto, do lado delas. elas sorriram pra mim e eu pedi licença pra me meter na conversa.

uma delas estava indecisa. queria votar em Haddad mas o marido e a família toda diziam pra votar em Jair. a outra parecia mais decidida: não gostava lá muito do outro candidato, mas achava que não dava pra botar o PT mais uma vez.

fui conversando. eu tinha à mão uns vídeos recém enviados por uma amiga querida, uma compilação incrível dos piores absurdos proferidos por Jair. mostrei. elas ficaram chocadas com os vídeos. disseram que já tinham ouvido contar, mas achavam que era mentira. um rapaz que estava do lado, acompanhando a conversa, pediu pra ver também. mostrei. “tem que matar uns trinta mil”; “Preta, não vou falar de promiscuidade contigo”; “sou homofóbico sim”; “sou favorável à tortura”; “as minorias se adequam ou simplesmente desaparecem”; “dá que eu te dou outra”; “não te estupro porque você não merece”.

‘nossa. eu não sabia que esse homem era tudo isso, não’

o ônibus delas chegou. ‘deixa, a gente pega o próximo. queria saber mais’.

comecei a falar de Haddad. mostrei umas imagens com seus feitos na prefeitura de São Paulo. “nossa, ele fez isso, é?”. mostrei uma comparação resumida dos planos de governo. proposta pra saúde. pra economia. atacar o desemprego. resgatar direitos. o Brasil feliz de novo.

falei da educação à distância. ‘mas quem ia olhar meu filho enquanto eu trabalho?’.

falei da liberação das armas. ‘meu vizinho vivia batendo na mulher. imagina se tivesse uma arma?’.

o rapaz, antes meio tímido, já estava falante: ‘mas e o kit gay?’. mostrei o desmentido do TSE. falei que tinha muita mentira sendo dita, que Haddad é um educador, que jamais faria uma coisa assim. ‘mas e o negocio do incesto?’. mentira também. mas e a Ferrari de ouro do filho do Lula? desmenti.

‘nossa. como inventaram mentira nessa eleição!’

‘não é?’, concordei.

o rapaz foi o primeiro a se manifestar: ‘olhe, vou de Haddad. vai ser melhor pra nós todos’. uma das moças concordou: ‘vou votar mais nesse cabra ruim não, tinha graça’.

a outra estava mais quieta, observando. o ônibus dela veio chegando. ‘bora Juliana, esse a gente pega!’.

Juliana virou pra mim, de celular na mão: ‘me fale seu número? vou te mandar uma mensagem pra você me mandar esses vídeos e essas fotos todas. quero mostrar pra meu marido, minha cunhada e minha sogra. não vou deixar eles jogarem o voto deles no lixo não.’

chegando em casa, já recebi a mensagem de Juliana: ‘você me manda?’. mandei.

ela me agradeceu, e eu respondi: ‘quem agradece sou eu. não é todo mundo que topa conversar’. ‘vou é espalhar pra todo mundo que eu conheço’, ela terminou.

tem muito eleitor de Bolsonaro que é fascista mesmo, tem horror a pobre, a negro, a mulher, a gay. tem horror a minorias, saudade da ditadura e acha mesmo que a bala é solução pra tudo.

mas aí tem os outros. como Juliana. como Marisa, a amiga de Juliana. como Diego, o rapaz que chegou aos poucos pra dentro da conversa.

eles estão por aí. é neles que a gente precisa chegar.

de hoje até dia 27, é neles que a gente precisa chegar.

#Haddad13 #HaddadManu #Haddadpresidente

Fonte: Renata Penna (FB)
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