Veja o vídeo no final do post. É uma iniciativa da Agência Lupa

Tema importantíssimo para entender como ainda há quem apoie o bolsonarismo, como as fakenews e pós-verdades se propagaram tanto. Já falei um pouco sobre isso no post A prisão invisível que ameaça a civilização (e a você também).

Destaques e comentários enquanto eu assistia:

  • A pessoa, desinformada e assustada, na dúvida, compartilha
  • A cognição acaba nos levando muitas vezes a interpretar erradamente a realidade por causa dos vieses cognitivos, como o viés de confirmação
  • O ambiente social e familiar é determinante na formação de vieses cognitivos
  • Ronaldo Pilati (RP) parte do “terraplanismo” para falar da construção de crenças conspiracionistas
    • A dinâmica social estabelece um espaço social reconfortante
    • Criar ambientes sociais informativos pode ser parte de um antídoto
  • O que vem primeiro: a crença ou o ambiente social desinformativo? (GIlberto Scofield – GS)
    • Tente a ser uma interação de vários fatores: algumas pessoas são mais desconfiadas e propensas a novidades se tornando mais vulneráveis (Sibele Aquino – SA)
    • A gente precisa que o mundo faça sentido e algumas vezes as desinformações vão ao encontro do viés de confirmação da pessoa, parece uma explicação “justa”, que faz sentido (SA)
    • A necessidade de fugir ou reagir a uma ameaça (risco, medo), como a pandemia, pode levar as pessoas a se apegarem a sensação de segurança como “beber limão protege” (SA)
    • Aprovação do grupo também é importante: meu grupo social acredita nisso, logo vou acreditar também (SA)
  • Quem acredita em teoria da conspiração é paranóica? (GS)
    • A maioria dos estudos não tem a preocupação de enquadrar em distúrbio mental. O foco tem sido no comportamento coletivo para medir “crenças em teorias conspiratórias”. Há evidências de que algumas pessoas tem uma inclinação a acreditar em teorias conspiratórias, incluindo pessoas com treinamento científico em áreas em que não são especialistas. Na realidade não existe um perfil de pessoa vulnerável a desinformação ou teorias conspiratórias. (RP)
  • Ver aos 47 minutos padrões que levam a ser vulnerável a crenças inválidas (GS)
    • Temos que lembrar que todes somos suscetíveis pq há momentos que estamos emocionados, chega uma notícia bombástica de uma fonte em que confiamos ou temos ligação emocional e acreditamos sem pensar. Quem supervaloriza (ou passa por um momento de supervalorização) a intuição é mais vulnerável. (SA)
    • Observação minha: um ambiente questionador, sem o método científico, sem o esforço consciente de falsear as próprias ideias e buscar o distanciamento emocional é catalizador de desinformação, pós-verdade et.
  • Os fatores que nos levam a compartilhar uma desinformação são diferentes daqueles que usamos para analizar a acurácia de uma informação. Num estudo feito criando 3 grupos de WhatsApp (um à direita, um à esquerda e um neutro) onde se pedia para analisar as informações a acuidade das análises nos três grupos foi similar. A variável mais importante foi o viés de confirmação. (RP) – Observação minha: o viés político não interfere significativamente na vulnerabilidade ao viés de confirmação.
    • O estudo achou uma relação pequena entre se declarar de direita e ser mais vulnerável (RP) – obs minha: em um mundo em intensa transformação e com “direita” tendo se transformado em um sinônimo de resistência a mudanças, quem tem esse viés acaba tendo um descolamento maior da realidade.
  • O modelo de negócio das Redes Sociais, criado para vender produtos, também está sendo usado para vender ideologia? (GS) – Obs minha: mais que isso, está alterando vieses.
    • O sistema identifica que, por exemplo, a pessoa que compra moda tem o viés político X e pode ser influenciada comprar a desinformação Y da forma K (SA) – Acho que estou vendo na declaração dela o que o meu viés procura hehehehe
    • O excesso de informação nos leva a escolher “por cansaço” ou por emoção (SA)
    • As fontes de desinformação vão também desacreditando veículos tradicionais com mais compromisso com a qualidade da informação
  • As estratégias de desinformação apelam muito, já em seu lead, à raiva, medo e outras emoções como “nós contra eles”. Qual é o nível de eficácia disso e como a gente “briga” com isso? Principalmente se estamos atrelados a material racional, zero emotivo. (GS)
    • Podemos usar a emoção ou estratégias visuais para transmitir informações de qualidade, como a ONG que mostra o urso polar em um pequeno pedaço de gelo para falar de mudança climática (RP) – obs minha: eu usaria a sensação de deslumbramento, coletividade, tradição (a ciência se constrói nos ombros de gigantes)
    • Dedicar muito esforço para atingir a audiência que não quer ter sua opinião alterada é praticamente inútil. A pessoa tem que entender o que está sendo dito e querer entender. (SA) – obs minha: como já andei dizendo… Quem está sob efeito da “seita” conspiracionista não precisa de informação, precisa que se desfaça o medo e a perplexidade aterradora que a acomete ou de perceber que está fazendo parte de um grupo social tóxico que não estará lá por ela quando ela precisar.
  • É desconfortável lidar com o diferente (SA) – por isso falo sempre em criar uma cultura de admiração da diversidade, que no entanto só é possível aumentando a resiliência psicológica das pessoas e a percepção que elas não são suas crenças, mas sim a consciência que testemunha essas crenças, emoções e sensações (ver a metáfora da esfinge do Pierre Weill)
  • Temos que manter o interesse, a cultura de interesse na ciência e no pensamento científico (RP)
  • Melhorar o jornalismo científico que fez, por exemplo, estardalhaço com resultados de testes in vitro de tratamentos para a covid-19 (GS)
  • Ensino da ciência no ensino fundamental (post meu): não só ciência, mas pensamento científico. (RP)
  • Ferramentas para alcançar quem não quer a verdade (GS)
    • A presença da ideia da checagem pode criar uma consciência de que a realidade precisa ser confirmada (PR)
    • O cérebro tem basicamente duas “rotas”, uma periférica/emocional. A pessoa não está realmente interessada no assunto. Uma lenta (Kanneman). São necessárias estratégias diferentes. Construir a autoridade lembrando de observar o nosso comportamento: quanto mais “digerimos” as informações, mais autoridade desenvolvemos. – entendi que envolve questionar as próprias ideias e demonstrar que ouviu as ideias dos “adversários” – (SA)
    • Tem que identificar por que a média delas está rejeitando a realidade e procurar compensar esse vazio (eu)
Questões neurológicas e psicológicas sobre desinformação – Agência Lupa no YouTube

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