Os primeiros nove minutos são uma bela viagem pelo conceito de evolução aplicada a ideias, informação, cultura, ou seja, uma viagem pelos aspectos meméticos da formação de notícias ou argumentos falsos.

Basicamente: assim como fatos e evidências podem ser cultivados por grupos com um viés mais científico também falácias como do espantalho e viés de confirmação (que é aquele efeito bolha que nos faz achar que “todo mundo concorda com a nossa ideia”) evoluem em grupos com viés que favorece a intuição aos fatos para se tornar mais eficientes em nos levar a compartilhá-los. Mesmo que não tenhamos necessariamente o segundo viés.

Acrescento apenas que o viés que desconfia da ciência e deposita suas certezas em suas intuições não é necessariamente um viés inferior, ele é apenas um viés que se torna cada vez mais inadequado para a civilização que temos criado desde o fim do século XIX.

Confiar no “arrepio na nuca” nos salva não só de muitas situações selvagens como quando não percebemos que não há pássaros cantando, mas nossos instintos nos dizem que há algo errado. Nos salva também em cidades modernas quando alguma coisa que não percebemos conscientemente nos perturba (vide The Gift of Fear – vídeo meu).

O problema surge quando, perdidos diante da estonteante velocidade de mudança de paradigma que passamos, preferimos confiar mais nos instintos do que na razão em momentos que a segunda seria muito mais eficiente.

E, quanto a uma solução para robôs nos ajudarem a identificar pós-verdades, não é difícil imaginar formas de deep learning fazer o cruzamento de todos os artigos falando sobre um determinado assunto e lhes atribuir uma escala de precisão.

Entretanto… Temos que desenvolver individualmente essa capacidade também. E o primeiro passo para isso está na sugestão de um rapaz na sessão de perguntas desse vídeo: precisamos tratar nossas ideias como papéis que carregamos na caixa da nossa consciência e perceber a consciência como algo que observa pensamentos e ideias, mas não depende deles. Coisa aliás em que as técnicas de Mindfulness podem nos ajudar.

Salvar

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