Imagem: Pink Floyd – The Wall

Apocalipses são quase sempre fenômenos mais ligados a histeria coletiva, ou pelo menos à insegurança generalizada gerada por fases de intensa transição (e podemos estar da maior dos últimos 70 mil anos).

No entanto tenho visto crescer faz alguns anos o conceito de pressão populacional e colapsos da civilização. Some-se a isso estudos como os de Peter Turchin e temos uma hipótese que deve ser observada.

Principalmente quando uma data tão próxima é fixada e, tenho que concordar, é bem coerente com as hipóteses que venho montando por outro caminho, o da evolução memética (ou cultural, se preferir).

Antes vamos acalmar um pouco os ânimos, certo?

Pressão populacional causará um colapso em 2020?

A hipótese é tentadora por ser simples e percebermos que o mundo moderno parece mesmo a caminho de um colapso social ao mesmo tempo que a população atinge patamares assustadores.

No entanto há quem questione essa relação entre pressão populacional e colapsos sociais ou mesmo de impérios.

Basta um falseamento para introduzir uma dúvida consistente: Japão, China e Índia. São logo três sociedades com crescimento populacional alarmantes e que não entraram em colapso.

Logo, não. Eu não creio que o crescimento populacional causará um colapso, mas a ciclodinâmica não vive apenas disso. É um modelo matemático que apresenta alguns sucessos e talvez a data deva ser levada em consideração.

O que acontecerá nos próximos 4 anos?

“Exatamente o que aconteceu nos últimos quatro”.

ERRADO 😉

E esse é um ponto que talvez deva ser levado em consideração nas equações de Peter Turchin e em nossas considerações: estamos em meio a uma das maiores transformações cognitivas da nossa história (não cansarei de dizer isso até perceber que está incorreto) e os parâmetros estão mudando o tempo todo.

Há quatro anos estávamos no rescaldo do fenômeno Occupy. Quatro anos antes as redes sociais online ainda estavam ganhando momento.

Realmente parece haver, pelo menos no Brasil, uma suspensão de reações nos últimos anos, mas pense em como o viés mais progressista se retirou de cena no resto do mundo e o “não movimento” no Brasil começa a parecer em sintonia com o restante da civilização ocidental (me faltam dados sobre outras áreas).

A retração do progressismo, levando consigo diversos estereótipos como diversidade, direitos humanos, liberdade religiosa, pesquisas (ciência de base e tecnologia) causam uma pressão que deve promover, se seguirmos as hipóteses da teoria da evolução aplicada à cultura (essa tal de memética que sempre falo e dá nome a esse blog), a fenômenos tão intensos quanto os que vimos culminando em 2013.

Mas vamos nos libertar do tempo

Outra abordagem tentadora é a de fixar ciclos temporais para as coisas acontecerem. Ainda que as hipóteses sejam apocalípticas nos oferecem um tipo de segurança. É como ter um diagnóstico para o mal que sentimos.

Em setembro passado falei em minha carta “quase” semanal sobre o triângulo do fogo das manifestações.

Seja um triângulo ou qualquer outro polígono certamente são necessários diversos fatores para que a sociedade se movimente.

Temos que levar em consideração que, enquanto as nossas possibilidades de articulação são astronomicamente maiores que as do passado os dispositivos de controle e influência das massas também nunca foi tão conhecido e usado quanto hoje.

Estamos passando desde 2011/2014 por um cabo de força entre a sociedade que se revolta com a concentração de poder… E aqui vale um parênteses.

O abismo econômico entre ricos e pobres geralmente é visto como ponto de tensão, no entanto defendo que o cabo de força está realmente na participação das decisões políticas, econômicas, culturais, científicas, tecnológicas etc que parecem estar totalmente fora das mãos de 99% da população visto que os compromissos de campanha não correspondem às expectativas.

Ainda assim não será muito difícil para os políticos ou iludirem ou colocarem a culpa na própria sociedade polarizada; polarização, aliás, que ainda vejo como uma construção artificial como já andei dizendo em outros artigos e cartas ao longo do ano passado.

Como fica, então, a expectativa de tempo para o colapso sócio-político e como ele se dará? Vamos deixar o “como” mais para baixo.

O quando, admito, eu também diria que é entre 2020 e 2024, entretanto… Não podemos subestimar a capacidade de “empurrar a sociedade com a barriga”.

Como se dará a desintegração social e política?

Na semana passada lancei algumas hipóteses apenas entre os apoiadores do Ecossistema Meme de Carbono e ainda não as desenvolvi o bastante para compartilhar claramente, mas temos que supor que a balança pode pesar para qualquer lado:

  • Podemos ter a sociedade se digladiando enquanto os ditos 1% são poupados
  • Podemos ter uma divisão do mundo (gradual, claro) como a de Admirável Mundo Novo com privilegiados e miseráveis geograficamente divididos… Como em Elysium também.
  • As polarizações podem se dissolver e veremos o sistema político e a democracia se alterarem drasticamente com o fim do poder da classe burocrata descrita por Guy Debord (visão bem utópica, né?)

Enfim, aconteça o que acontecer, não deve ultrapassar a barreira de oito anos e provavelmente nos direcionará para uma utopia ou uma distopia (ás vezes parece que já vivemos na segunda).

É… E talvez até seja uma utopia, mas nos pareça uma distopia! Ou o contrário…

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