São duas as principais tecnologias de projeto de processadores para dispositivos computacionais:

  • Uma que faz CPUs (processadores) com um conjunto de instruções simples, baixo consumo e grande performance, Reduced Instruction Set Computer, ou seja RISC e;
  • Outra com um conjunto vasto de instruções complexas, alto consumo de energia (e produção de calor) e mais lenta, Complex Instruction Set Computer, ou CISC.

Na década de 1990 já imaginávamos que a arquitetura RISC suplantaria a CISC apesar de ser ainda muito nova, e considero que teria não fossem os jogos de poder e influência comercial.

Além disso os processadores CISC conseguiam ser mais rápidos acrescentando mais e mais instruções especializadas no processador, mas ao custo de energia e calor.

O vídeo abaixo conta uma boa parte dessa história, mas vale resumir em português porque estamos diante de um divisor de águas tecnológico que mudará muita coisa nos próximos anos.

Desde a década de 1990 os CISC pareceram dominar o mundo da TI, mas somente porque estações gráficas de altíssima performance (RISC) não eram vistas publicamente e porque não tinha grande marketing em volta dos processadores dos celulares, também RISC.

Uma característica da arquitetura RISC é que ela é muito mais escalável que a CISC. É fácil explicar. Enquanto os CISC precisam empilhar cada vez mais instruções e mais complexas para conseguir melhor performance e até acumulando instruções desnecessárias para grande parte das atividades que terão que executar, a arquitetura RISC pode ser ampliada muito mais facilmente.

O resultado é que a linha de desenvolvimento dos processadores CISC é muito menos “íngreme” que a dos RISC.

Nos últimos 30 anos vimos os celulares se tornarem cada vez mais rápidos até que, com o surgimento dos smartphones modernos à partir de 2007, tivemos as condições perfeitas para o rápido desenvolvimento e redução de preço dos RISC: volume (em pouco tempo a quantidade deles subiu de algo em torno de 1 bilhão para 50 bilhões) e demanda por recursos.

Praticamente todos os smartphones usam processadores RISC.

Entra outro fator: A Apple, uma das 5 empresas mais valiosas do planeta, tem a maior parte dos seus lucros na venda de iPhone e tinha bons motivos para tentar trazer esse sucesso para os seus tablets, notebooks e computadores.

Necessidade e recursos: em 2012 a Apple já tinha produzido um processador RISC (o A12) para dispositivos móveis capaz de entregar uma performance superior à da maioria dos processadores CISC.

Há poucas semanas a mesma Apple lançou seu M1, um processador RISC que, com um consumo de energia 13x menor consegue melhor performance que praticamente todos os processadores da arquitetura concorrente.

Com esse movimento a empresa passa a poder integrar muito melhor o ecossistema dos seus bem sucedidos dispositivos móveis com os notebooks e desktops rodando os aplicativos nas duas plataformas e facilitando o desenvolvimento.

É um ponto sem volta, à partir daqui os processadores RISC devem deixar os CISC cada vez mais para trás e a Apple se coloca no mercado de computadores RISC com uma boa dianteira apesar de já existir Windows rodando em processador RISC.

O que isso significa?

Em primeiro lugar, se o seu computador tem menos de 5 anos provavelmente é melhor esperar outras plataformas lançarem equipamentos RISC ou, pelo menos, que seja planejada uma nova estrutura para a arquitetura CISC (curiosamente o núcleo dos Pentium da Intel já usam um tipo de arquitetura RISC desde o P6 ainda e 1995) antes de comprar uma nova máquina.

Se você tem interesse nessa indústria também vale a pena ficar de olhos bem abertos para o que virá a seguir.

Há muito tempo aviso que os tablets seriam o futuro da computação porque uma grande parte da civilização não precisa de um notebook e precisa de um dispositivo portátil e ágil. Eu colocaria uma parte da minha atenção neles.

Pin It on Pinterest

Share This

Compartilhe!

Mande para suas redes sociais