Você sabe, né? Essa sessão gotas é para indicar artigos comentados por mim.

Esse é um caso difícil. Quando clicar no link no final desse post para ler o artigo prepare-se para se perturbar.

Fiquei calado até agora sobre o caso do filhote de golfinho que teria sido usado por uma horda de turistas para tirar selfies.

Mas não pare agora! O artigo não é sobre a selvageria desses turistas que, ou tiveram o impulso mórbido de fazer selfies com um golfinho morto ou, pior ainda, mataram o pobrezinho no processo.

A questão é mais perturbadora pois, por incrível que pareça, é confortável imaginar que você e eu somos seres humanos superiores e que os tais turistas eram monstros ou algo similar.

Sim, sim, é claro que nem você nem eu faríamos aquilo, mas…

Nós temos atuado no sentido de impedir que coisas assim aconteçam?

A questão é que, infelizmente, quase tudo que fazemos mata golfinhos, coelhinhos, crianças, pessoas inocentes e sensíveis, ecossistemas inteiros.

É sobre isso que o artigo fala, sobre o impacto da nossa civilização. Das nossas roupas até a luz passando pela comida e pelos eletrônicos que estou usando agora para criticar nossa civilização.

Mas e aí? Se tudo que fazemos destrói então relaxa e… Se preferir uma metáfora menos vulgar: tome a pílula azul da Matrix e seja cúmplice conscientemente alienado ou alienada do que fazemos de errado.

A falha do artigo é não apontar um caminho, mas que obrigação tem quem escreve de abranger todo o espectro do problema?

Já é um grande começo se formos pelo menos coerentes, já que quase todos achamos lindo Neo enfrentar a alienação da Matrix e pararmos de tomar as pílulas azuis.

Com o advento da Internet torna-se praticamente impossível se alienar sem mergulhar em um tipo de ciclo perverso ou neurótico em que um golfinho morto é um terror, mas bilhões (sim, são bilhões) de aves condenadas a vidas e mortes terríveis são… Parte do jogo.

E há soluções como fazendas verticais, energia solar ou de fusão nuclear, tecnologias que reduzem a necessidade de trabalho escravo humano e, claro, há outras formas de capitalismo. Assuntos para muitos posts, não só aqui, mas aí também.

Então, pílula azul ou vermelha?

Como se mover num mundo em que se tornou impossível não enxergar o mal que se pratica

Source: Todo inocente é um fdp? | Opinião | EL PAÍS Brasil

Pin It on Pinterest

Share This

Compartilhe!

Mande para suas redes sociais