Aos 16 anos eu achava que o orgulho era a raiz de todas as nossas falhas. Quando nos sentimos superiores nos afastamos da empatia e nos aproximamos da arrogância que nos leva a pensar que todos estão errados e nós certos. Daí emana medo, raiva e nossa capacidade de raciocinar e discernir se desvanece.

Passaram-se 32 anos e continuo achando que o orgulho é um grande problema, mas não é certamente a raiz. Há mais antes dele.

Até poucos anos achava que eram as falácias que se mesclam ao orgulho e nos levam a conclusões cada vez mais erradas.

De uns tempos para cá começo a perceber que o viés cognitivo é um problema maior ainda que as falácias causando-as e alimentando o orgulho.

Eu sei, eu sei… Yoda nos ensina que o medo é a raiz de tudo, mas me atrevo a discordar dele.

Temos medo porque não compreendemos (falácias), não sabemos como abordar o mundo (viés cognitivo) e temos dificuldade em aceitar que o Cosmos tenha seus próprios desígnios em que somos irrelevantes (orgulho).

E daí que não vemos o mundo como é e sim como somos levados a ver por diversas formas de viés cognitivo etc?

E daí que nossa vida já não se resume mais a passar uns anos nos braços da família estudando para ter uma profissão, arrumar um emprego, formar nossa própria família e nos divertirmos nos finais de semana, talvez passar um mês de férias por ano em algum lugar exótico.

Da mesma forma que um dia ter comida na mesa deixou de ser o suficiente e todos passamos a querer o direito de ter saúde, diversão e arte; agora somos seres muito mais sociais e, principalmente políticos.

Todos nós participamos mais ativamente dos rumos do planeta. Nos incomodamos não apenas com a política, mas com a religiosidade, com o equilíbrio ecológico, com a metafísica do Universo. Muitas vezes com tudo isso e muito mais.

Dessa forma, assim como um dia todos passamos a ter que saber ler, todos temos que aprender a olhar para as coisas acima das nossas expectativas e encarar os fatos.

O custo de não fazer isso é o pior de todos. Não é ser ridicularizado ou ridicularizada como os representantes públicos dos extremismos de direita, esquerda ou intolerância religiosa.

O custo é o sofrimento. Tem o ódio que nos dá uma diáfana sensação de força ou de poder, mas nós sabemos que estamos apenas tentando esconder, até de nós mesmos, o medo.

Se não para nos tornarmos cidadãos melhores, atores mais úteis para o desenvolvimento do drama épico da civilização humana, é para não viver sob o véu dilacerante da dor que devemos aprender a ver além do nosso viés cognitivo, além das falácias, além da necessidade vazia de viver a serviço do ego.

Dica: Busque por falácias, viés, cognitivo nos meus clippings:

Há pouco tempo escrevi também o post Distorções Cognitivas comentando 12 formas de viés cognitivo.

Imagem: Brazil, O Filme. Nossa mente muitas vezes é um labirinto de ilusões.

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