Mais de dois milhões de pessoas assinam o canal do vídeo abaixo. Os episódios mais assistidos passam de 5 milhões de exibições e a maioria tem mais de 500 mil.

Por que digo isso?

Primeiro porque me dá uma chance de falar em falácias, nosso segundo maior desafio na vida.

O fato do canal ser muito popular não implica em ser muito bom, mas, ao saber como o cara abaixo é conhecido, você provavelmente o levará muito mais a sério ou, pelo menos, demorará mais para questionar as ideias dele.

Em segundo lugar posso falar de mais outra falácia: Uma abordagem falaciosa não quer dizer que a coisa está errada, ou seja, não é por ser muito popular que o Veritasium é ruim.

Muito pelo contrário. Esse talvez seja um dos melhores canais de vídeo sobre ciência (no Youtube ou nas TVs abertas e fechadas) que você encontrará.

O motivo de eu estar falando tanto em falácias, nosso segundo desafio mais difícil na vida, é porque espero te convencer da importância de assistir o vídeo com atenção.

Para quem não entende inglês eu vou sintetizar em palavras, certo?

Desesperança Aprendida e Viés Cognitivo

O canal Veritasium é o resultado da tese de doutorado do Derek Muller sobre como ensinar ciência, portanto, além de vídeos que estimulam o pensamento científico, de vez em quando ele faz um vídeo sobre educação em geral.

Esse vídeo é um deles e fala sobre uma das manifestações do nosso maior desafio na vida (você não achou que eu falaria do segundo sem falar no primeiro, não é?): o viés cognitivo.

Viés cognitivo, grosso modo, é como uma ideia que deixamos de questionar ou até nunca questionamos. Falei mais sobre isso em A raiz dos nossos males e em Distorções cognitivas.

Desesperança aprendida…

Quando outros animais são colocados em um ambiente onde, não importa o que façam, uma determinada coisa ruim acontece, como um choque (é… eu sei. Felizmente fazemos cada vez menos experiências comportamentais como essa) eles deixam de tentar. Mesmo que sejam transferidos para outro lugar onde poderiam fazer alguma coisa para impedir a coisa desagradável.

A desesperança aprendida é um conformismo adquirido e também acontece com humanos.

Faça uma pausa agora e pense em quantas pessoas que você conhece e até você repetiram que “tudo acaba em pizza”, “isso nunca vai mudar” ou “o mundo ficaria melhor sem humanos”.

Para o Derek Muller é possível que as raízes desse conformismo esteja no próprio sistema de ensino com seu modelo de testes que são como castigos contra os quais nada podemos fazer, restando-nos apenas aceitar nosso castigo.

Faça outra pausa para pensar nas pessoas inteligentes que você conhece, que adoram aprender, que se encantam com o Universo e tudo o mais, todavia não suportam a escola.

Há décadas temos discutido a inadequação do sistema de ensino, mas as reformas que propomos se limitam quase sempre ao currículo, raramente ao modelo em si.

Será que meramente a consciência de que essa dissonância cognitiva existe é o suficiente para nos fazer mudar?

Talvez, mas apenas individualmente, ou seja, depois de ler esse post, assistir o vídeo e navegar pelo Google atrás de mais textos, você pode se tornar mais livre, entretanto como fica a sociedade? O que podemos fazer para construir um sistema de ensino que dissolva em vez de construir ideias pré-concebidas?

Quem sabe já não estamos fazendo isso ao reduzir o tamanho da nossa civilização graças à Internet? Até mesmo o festival de besteiras que assolam a Rede podem estar nos treinando coletivamente para questionar mais o que estamos absorvendo e isso é um passo para questionar o que já tomamos como certo e indiscutível.

imagem: The Wall – Pink Floyd

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