Uma amiga me passou o artigo Science and Religion Really are Enemies after All mostrando que em países ou até em estados nos EUA onde há mais religiosidade há menos patentes e menos desenvolvimento científico.

Meu comentário ficou meio grande e achei que o tema é relevante para esse blog:

Sou ateu agnóstico e acho que vários amigos pensam que sou anti-religiões, mas não é bem assim.

O que eu critico são as religiões que deixaram de ser modelos utópicos para nos tornarmos mais humanos, humildes e conscientes de nós mesmos e, para manter essa estrutura, criam muros contra o conhecimento que pode nos ajudar a ser mais humanos, humildes, conscientes de nós mesmos e do Universo.

Veja que não incluí “conscientes do Universo” nas coisas que a religião pode nos ajudar pois elas não dispõe de ferramentas para isso e deviam deixar de se ocupar dessa tarefa menor dedicando-se à alma humana.

Pode ser estranho um ateu agnóstico falando em alma humana, mas também vou falar que a ciência é nosso único instrumento para buscar o Criador no Cosmos.

Isso não é incoerente. Não precisamos saber se a consciência humana é um fenômeno sobrenatural ou fruto dos complexos processos meméticos para nos dedicar a ela. Alma é um bom nome para consciência.

Um ateu em relação aos deuses imaginados pelos humanos e agnóstico em relação a um ou mais deuses que seja coerente com a abordagem científica não deve descartar a possibilidade da existência de algo que seja ou que, para todos os fins, pareça divino.

Enfim, o que eu acho do estudo abaixo é que ele revela uma crise das religiões que, na ausência da ciência, satisfaziam nossas inseguranças sobre o Cosmos oferecendo seus dogmas e agora se encontram diante do desafio de decidir como agir conforme esses dogmas intuídos vão se mostrando imprecisos ou até contrários à criação.

Se a religião é a palavra de Deus ela não pode estar errada, mas quando olhamos para o mundo real percebemos que a criação não obedece ao que achávamos que era a palavra de Deus.

Como dizer que não tínhamos entendido as revelações quando a “inquestionabilidade” está nas bases das principais religiões?

A arrogância de achar que estávamos conectados à mente de Deus era necessária no passado para nos dar segurança em um Universo que nossa mente não era capaz de compreender, mas conforme nos desenvolvemos passamos a entender a mecânica do Universo, já não nos sentimos mais tão inseguros e aprendemos a lidar com a dúvida, com os mistérios aceitando humildemente que ainda temos muito que desvendar, mas percebendo também que as coisas não acontecem misteriosamente e o chão não vai sumir repentinamente sob nossos pés.

Nesse momento de transição as religiões precisam descobrir meios de abandonar a tarefa que nunca deveria ter sido dela (entender a realidade) e dedicar-se à natureza da nossa consciência, principalmente nos modelos utópicos que podemos mirar para nos tornarmos pessoas e uma civilização melhor.

No momento as principais religiões, ao tentar combater o conhecimento, acabam cumprindo a missão oposta nos levando ao medo, preconceito e ódio.

Não devemos ser contra as religiões, devemos ser a favor do resgate delas! Um dia elas já produziram grandes cientistas…

Fonte da imagem: Jpegy