Para tudo mais há uma explicação ou a possibilidade de compreensão: massa, energia, espaço, tempo. Tudo que vimos e experimentamos parece ser composto desses blocos elementares.

O mesmo não se aplica à consciência e ela é, sem sombra de dúvida, nosso bem mais precioso. É a percepção de que existimos, a capacidade de viver coisas dentro de nossa própria mente que nos permite experimentar a existência, mas a consciência continua sendo um mistério.

Essa fala de David Chalmers é uma das mais ousadas que vi em muito tempo.

Quando o termo memética foi forjado dificilmente o objetivo era construir uma teoria da consciência, mas essa é uma abordagem a que devemos nos dedicar. A consciência é importante demais para simplesmente não pensarmos nela assumindo que “vem da alma” ou “é um acidente, um efeito colateral da capacidade de pensar” dependendo do seu impulso mais religioso ou materialista.

Chalmers levanta alguns pontos muito intrigantes.

Em primeiro lugar a consciência poderia ser como o espaço, o tempo, a massa: um princípio inato do nosso Universo.

Se pensarmos na consciência em seu estado mais bruto como a capacidade de perceber o meio e reagir a ele perceberemos que ela está presente em absolutamente tudo no Universo conhecido e se encaixaria perfeitamente na hipótese dos memes pois perceber e reagir também são fatores fundamentais para haver replicação e adaptação.

Ao falar em Phy, a ideia de que o nível de consciência está associado ao volume de informação processado, também nos trás para a memética visto que, quanto mais complexo o sistema que processa informação, mais dados ele absorverá, replicará, modificará criando mais informação.

Nesse caso a consciência que consideramos superior, a consciência animal, seria um fenômeno natural que ocorre quando Phy atinge uma massa crítica e, assim, um dia veríamos a consciência artificial surgir de forma aparentemente espontânea assim como aconteceu com a vida.

Nisso eu duvido…

Me parece que a consciência está ligada ao que Chalmers chamou de “filme interior”, essa sucessão de imagens, sons, sensações e até narradores internos que transitam por nossa mente o tempo todo.

Isso é como um tipo de programação produzido. Faz sentido imaginar, por exemplo, que é vantajoso para um animal que ele tenha uma percepção de individualidade, a capacidade de ter empatia por ele mesmo e responder não só a fome, frio, sede e sono, mas também ao desejo de ser percebido por outros, de experimentar coisas novas explorando novos territórios e assim espalhando tanto sua informação genética quanto a memética.

Sendo assim uma inteligência artificial jamais se tornaria consciente, jamais seria “viva” a menos que sejamos capazes de reproduzir nela esses “instintos”.

Por outro lado a consciência do tipo da nossa deverá ser encontrada em toda forma de vida que forme grupos sociais como outros macacos, felinos que tenham alguma mobilidade vantagem na interação social.

Uma abordagem científica que podemos dar para essa hipótese é construir programas que tenham que interagir com outros na busca de soluções e que sejam capazes de cumprir as normas da memética: reprodução, competição e modificação (na forma de aprendizado principalmente).

Seja como for Chalmers está certo: temos que nos arriscar e buscar hipóteses e abordar objetivamente a consciência.

Somos sete bilhões de indivíduos cada vez mais próximos uns dos outros e a compreensão do que nos torna conscientes pode ser um elemento vital para garantir um convívio edificante e impedir o avanço do medo perplexo que produz ódio e preconceitos.

Já falei sobre o assunto em Uma Teoria Unificada para a Consciência Humana.

Imagem no cabeçalho: Ghost in the Shell

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