Esse post está em construção crescendo a cada dia de Campus Party.

Essa é a décima segunda edição da Campus Party, uma das maiores reuniões de pessoas conectadas e especialistas das mais diversas áreas do conhecimento, ciência, tecnologia, arte, marketing e cibercultura.

Participei de quase todas e concordo com a crítica de vários amigos que perdeu-se um certo encanto, todavia creio que se trata da diferença entre um ecossistema em franca formação até a oitava, Campus Party, que talvez possamos comparar a um planeta incandescente em seus primeiros momentos antes do resfriamento e um ecossistema mais ou menos estável.

Também posso dizer que parece não haver o mesmo caráter de manifestação social e político que marcou as primeiras edições e que se tornou uma grande reunião de negócios e discussões técnicas (desenvolvimento de software, criação de conteúdo, STEAM).

Por outro lado ainda sinto que essas são avaliações superficiais e que o potencial contestatário e transformador continua lá e simplesmente é difícil de ver, que há uma estabilização do ecossistema a despeito do fervilhamento social e político dos últimos anos, que, aliás, parece apagado em diversos outros ecossistemas. Parece em estado latente.

Também sinto que ouve um distanciamento dessa parcela hiperconectada e o restante da sociedade. Os memes que surgem nela, por exemplo, não se propagam mais tanto para fora do grupo, mas amanhã pretendo mergulhar mais entre os campuseiros. Hoje foi dia de destrinchar as startups.

Área Startups

Ela é aberta para todo o público gratuitamente. São perto de 100 mesas com dois ou três representantes de cada startup com os mais diversos objetivos.

Esse setor já bastaria para justificar a visita às Campus Party.

Talvez muita gente não saiba, mas a importância das startups não é apenas por elas representarem uma parte determinante da estrutura do capitalismo moderno e por serem as sementes de novos setores da economia. Elas também são um termômetro da criatividade e das tendências sociais e tecnológicas dos próximos anos.

Não bastando isso vivemos em uma transição de eras em que é necessário entender a dinâmica da agilidade e adaptabilidade dos empreendimentos. Se você não é uma pessoa empreendedora certamente trabalhará para uma empresa que foi uma startup ou que, no mínimo, orbita o universo de transformação febril em que as startups germinam.

Gostaria de falar detalhadamente sobre cada uma, mas por ora apenas listarei algumas das mais interessantes que vi lá. Espero com isso dar uma visão geral da diversidade de áreas e estágios de desenvolvimento desse setor da economia e transformação social e cultural.

  • Sirius App, um sistema brasileiro de mensagens instantâneas e compartilhamento de documentos com armazenamento na nuvem dedicado a empresas (similar ao Wickr)
  • Brino, ensino de robótica para jovens feito por jovens com hardware e software opensource
  • Várias startups dedicadas a criptomoedas, ainda um veio procurando se manter, muito embora pessoalmente já considere que devemos dedicar mais atenção às blockchains
  • Eventou, um gerenciamento de eventos que nasceu pensando em shows organizados em universidades, mas está se expandindo para outros eventos similares
  • Congressy é um sistema de gerenciamento de congressos que pretende se diferenciar ao permitir integração com hotéis e transporte além de aprimorar a emissão de credenciais
  • Paytour, permite criar agências de passeios ou turismo dentro da plataforma
  • Modbox, uma solução para distribuição de vídeo sem necessidade de conexão à Internet e, mais importante, com a capacidade de reconhecer a demografia e outras características das pessoas expostas aos vídeos
  • Me Ajuda App, um tipo de GetNinjas ou Uber para contratar diaristas
  • OneRF Networks permite integrar uma infinidade de sensores em uma rede de Internet das Coisas (IoT). Foi um dos projetos que achei mais promissores.
  • O PrintMobi se propõe a usar impressoras 3D normais em construtoras de módulos para fazer móveis conectando peças de alumínio
  • BlackBee Drones está desenvolvendo software e agora hardware para criar drones autônomos para atuarem em situações de risco como incêndios, inundações e pessoas perdidas em florestas
  • Chameleon Safety para gerenciar os documentos de segurança que funcionários de empresas terceirizadas precisam manter atualizados e apresentar dependendo da empresa que estiver terceirizando seus serviços
  • O CuboZ é uma plataforma para criar unidades de ensino. Me lembrou um pouco o Ning, mas especializada na criação de escolas ou cursos online
  • Play2Sell é um sistema de treinamento para vendedores imobiliários que, em vez de um treinamento passivo em vídeo, funciona como um jogo
  • SensrIT é uma solução de gestão de TI com seis módulos que se integram indo da gestão de projetos à gestão de contratos e fornecedores passando pela gestão de riscos
  • Passei também por um sistema de calibração de máquinas de radioterapia, mas não peguei o site.

Por último duas que realmente me encantam por atuarem em áreas que acho essenciais.

  • Cupim do Cerrado, que estuda, dã, o cupim do cerrado revelando os relacionamentos simbióticos das diversas espécies e promove a conscientização da importância do cupim no sistema ecológico como a aeração do solo
  • Nextale é uma ideia que há anos espero ver alguém materializar com qualidade: a integração da experiência da leitura com imagens, animações e áudio.
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