Antes de mais nada: MS é Mato Grosso do Sul.

Nós temos a tendência de reduzir os países a suas principais cidades e no caso do Brasil parecemos crer que tudo se resume a Rio, São Paulo e Curitiba. O resto mal sabemos localizar e muita gente chama o MS de Mato Grosso somente, coisa que ofende – com razão –  o povo de lá.

Dito isso há tempos acho que talvez haja muito mais criatividade e empreendedorismo fora dos grandes centros e foi o que vi lá.

Vi em Campo Grande que isso se confirma pelas reações online e offline às falas do Circuito 4×1 e pelo impressionante total de 1200 inscritos. Vale a pena ir ao site para ver se os vídeos já estão disponíveis.

Dentro desse contexto fiquei encarregado de conduzir uma desconferência sobre Cultura Criativa.

Acredito que o moderador de uma desconferência deve ser um provocador e não um palestrante.

É uma pena que a gente não tenha gravado pois surgiram ótimas ideias transitando do humanismo materialista até a análise sintética do misticismo passando pelas bases do criacionismo. Foram poucas pessoas, mas belas ideias.

Decidi resumir aqui o meu pensamento humanista-materialista do tópico. Se os outros também escreverem algo anexarei os links no final.

O que é Cultura Criativa

A definição que ouvimos com mais frequência está ligada à indústria cultural e é aplicada no projeto de cidades para que se tornem ambientes favoráveis para a produção cultural.

Isso é essencial, claro, no entanto uma sociedade orientada ao conhecimento precisa que a criatividade seja unívoca. Sequer devíamos ter a expressão Cultura Criativa assim como não dizemos humano Roney, humano José, humana Maria.

Se falamos em cultura da criatividade é em contraponto com a cultura do consumo ou da produção industrial que, indiscutivelmente, perde em criatividade se comparada ao artesanato pré-industrial.

No entanto nossa mente, preparada para criar, absorver, modificar e replicar informação sempre impôs à indústria um certo ritmo de inovação e criatividade.

A Internet só veio atender às demandas por mais criatividade e a situação sócio-econômica e cultural impôe outras mudanças no potencial criativo em todas as áreas.

Isso justifca falar em cultura criativa como um dos vetores que movem as mudanças modernas com mais intensidade que nas últimas décadas.

Insights

É necessário não nos restringirmos às elocubrações teóricas e o que descutimos foram justamente as condições para que a criatividade seja inserida tanto na sociedade quanto nos processos corporativos (não chegamos a nos estender para a política e outros setores).

Se observarmos a mente humana pela lente da teoria da evolução de Darwin (como sugere a memética) temos que a cultura se desenvolve de acordo com três ítens:

  • Replicação – ideias podem ser replicadas
  • Hereditariedade – Ao serem replicadas as ideias sofrem mutações, mas mantém algumas características
  • Seleção – Algumas ideias “pegam” mais que outras e portanto produzem mais “filhas”
Quando há esses três fatores há “evolução” das ideias, há criatividade.

E como se constrói um ambiente favorável a esses fatores que são naturais para nossa mente?

Falamos em quatro bases que sustentam isso em uma corporação:

  • Relações humanas no trabalho – se a competição entre as pessoas é pela retenção de informação e não pela capacidade de modificá-la em conjunto cria-se um buraco negro que impede o fluxo de informação necessária para alimentar a criatividade e a gerar conhecimento
  • Relações humanas com o trabalho – O trabalho experimentado como castigo ou mal necessário para atingir o lazer do fim de semana não é um ambiente propício para a criatividade e o conhecimento. Por isso, além de haver espaços lúdicos no trabalho, é necessário que os funcionários esperimentem positivamente seu espaço de trabalho, seus desafios de trabalho e possam, inclusive, ter momentos pessoais no trabalho ao ligar para seu filho ou enviar um tweet para sua família.
  • Sistema de informação especializado – A maioria dos sistemas de gestão do conhecimento procuram vampirizar o conhecimento dos funcionários, mas conhecimento não é armazenável, ele é processo… O conhecimento armazenado é informação. Um sistema de informação eficiente para a criatividade é um que valorize os fluxos de informação e a troca de conhecimento entre os funcionários
  • Gestão centrada no conhecimento e criatividade – O produto e matéria prima de toda corporação é informação e geração de conhecimento. Uma fábrica de sapatos não vende sapatos, vende informação de como caminhar. A gestão centrada no conhecimento não está focada nos resultados da bolsa e sim em conhecer as soluções que os seus produtos trarão aos seus consumidores. Parece óbvio, mas raras empresas funcionam assim. O foco em geral é “como posso convencer meu cliente a comprar mais? ” que também parece óbvio, mas é como um cigarro minando lentamente as forças da corporação.
Durante a desconferência não falamos em um outro ponto vital que me lembrei graças ao TED: uma cultura e educação de base para as crianças que estimule sua criatividade, que mostre o mundo não como um conjunto de leis fixas e imutáveis, mas como uma teia de possibilidades.

Esse vídeo do TED é bem ilustrativo e curto:

Vale terminar com uma reflexão deixada no final do vídeo: uma sociedade mais “empática” que procura ver as diferenças pela ótica dos diferentes pode ser mais do que uma sociedade mais justa e humana? Pode ser uma sociedade mais criativa e apta a sobreviver?

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