Parece haver um certo consenso de que a mídia de massa se extinguirá sendo substituída por centenas de milhares de micro canais de vídeo (Youtube, Videolog, Vimeo e outros), áudio (podcasts) e jornais independentes com 10 mil leitores cada um.

Isso não acontecerá porque a nossa busca coletiva não é por informação de qualidade, mas por informação que nos conceda vantagem social ou somos hipnotizados instintivamente por coisas que atingem nossas emoções atávicas como medo/ódio, desprezo, asco e outras além de compaixão e algumas mais nobres.

Imagine que piadas, ideias, notícias e outras informações são como seres vivos disputando para ocupar mais hospedeiros (pensamentos humanos) e sobreviver por mais tempo e gerar mais “filhos”.

Essa é a ideia básica da memética: assim como os genes nos programaram para reproduzí-los em seu caminho evolutivo, os memes são uma característica da nossa mente que nos faz desejar absorver, transformar e compartilhar cultura, ideias e imagens.

Observação: não estou atribuindo aos genes ou aos memes nenhum tipo de consciência.

Se nós humanos fomos construindo linguagens, materializando mundos virtuais (cidades, economia, religiões e, porque não, ciência) em resposta a esse impulso instintivo provavelmente continuaremos a fazer isso.

A Internet é um caldo primordial que abraça todo e qualquer tipo de meme deixando-o ao alcance de absolutamente todos os outros seres. Um papel que os oceanos já tiveram em nosso planeta em relação aos genes.

O que talvez estejamos assistindo é o período cambriano da era cibernética com uma explosão de informação e cultura sem precedentes (mesmo comparada ao livro impresso ou à TV).

A grande diferença é que praticamente todos os organismos meméticos (humanos) podem lançar seus memes no caldo primordial. Se não fazem por si há algum dispositivo digitalizador logo ali para transportá-lo.

Atenção, linguajar vulgar:

[youtube]EkYDKHv53N0[/youtube]

É claro que há muita produção nesse caldo que se iguala ou supera a qualidade oferecida pela mídia de massa (principalmente em jornalismo) seja por ter mais espaço para inovação, seja por não estar sujeito às mesmas limitações políticas e de mercado, entretanto como essas produções saem do caldo primordial memético formado pela Internet para atingir… como diremos? as massas?

Sim, se nós humanos somos mecanismos meméticos assim como somos mecanismos genéticos nós desejaremos e procuraremos estar acima da algaravia geral e o que nos coloca acima dela é a mídia de massa, não vejo outra forma.

É claro que por mídia de massa não estou falando em CDs, DVDs, salas de cinema ou ondas que transmitem TV ou som pelo ar ou cabos de fibra ótica. É bem provável (e francamente eu aconselho) que a mídia da mídia de massa venha a ser a Internet.

Por mídia de massa estou me referindo ao trabalho de curadoria (a palavra está na moda agora) que sempre foi feito e agora tem que passar por algumas transformações para que os grandes veículos continuem (ou voltem) a ser os principais curadores da cultura humana.

Até uns 20 anos revistas, jornais, rádio e TV eram praticamente os únicos guardiões e distribuidores da cultura… Ok, alguns dirão com razão que eles também subtraíram através da propriedade intelectual muito material que poderia ter sido compartilhado e modificado criando a diversidade cultural cambriana que estamos começando a ver. No entanto assim funciona a evolução: pela disputa dos mais fortes.

E como mudará essa curadoria? As corporações da mídia de massa estão se percebendo como curadoras ou ainda se comportam como vendedoras de CDs e ondas eletromagnéticas? Tenho minhas ideias, mas isso vai ficar para outro post. O objetivo aqui era colocar a mão no fogo pela continuação das corporações de mídia de massa, os vales encantados dos memes cambrianos.

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