A pergunta acima foi feita por alguém na platéia de mais uma excelente palestra sobre Redes Sociais do @ninocarvalho esta semana no Planetário e está no título deste post por dois motivos:

  • primeiro porque desconfio que essa pergunta é feita frequentemente por assessores de imprensa e de marketing de várias corporações do século XX quando se sentem seguros sozinhos apenas na companhia do Google.
  • Segundo porque acho que ela sintetiza como se sentem as pessoas que ainda não se dedicaram a tentar entender as mudanças culturais que marcam o início da sociedade do conhecimento

Decidi também responder a pergunta, pois, sim, é possível manipular as pessas na Internet embora não seja barato e as consequências sejam as mais terríveis para a empresa e para o emprego de quem a ajudou a manipular pessoas sem dizer que isso jamais deve ser feito e não só por motivos éticos, coisa que poucas corporações possuem, mas porque serão descobertas.

Esse post não pretende portanto ser um guia para quem quer manipular, mas sim um alerta para nós que somos alvo das manipulações.

As pessoas online são diferentes das offline até mesmo no funcionamento do cérebro, mas ainda são pessoas vítimas dos mesmos instintos e de um sistema límbico que para de se desenvolver antes dos 5 anos transformando-nos a todos em crianças quando nos emocionamos.

Sendo assim a fórmula da manipulação é muito simples:

  1. Assuste a pessoa
  2. Emocione a pessoa
  3. Crie um dispositivo que a mantenha presa aos 90 segundos que duram a reação bioquímica das emoções. Se você falhar nisso a pessoa vai usar o córtex frontal superior para analisar suas emoções, raciocinar e começar a criar um grupo de conceitos capazes de protegê-la da próxima onda dos ítens 1 e 2

Sim, o segredo está no item 3, mas tem gente que usa isso muito bem. Vide Mein Kampf e o filme A Terceira Onda.

Pode-se criar um sistema de retro-alimentação convencendo a pessoa de que ela é portavoz de um poder superior. Pode ser um Deus, a razão no caso de muitos ateus, um líder supremo ou simplesmente uma imagem como a camisa de um time de futebol ou a marca de um refrigerante ou computador.

É claro que isso cria uma sociedade esquisofrenica, mas quem está interessado em manipular mentes está mais próximo das máquinas da Matrix do que de Guy Debord, aliás está no extremo oposto.

Não irei além disso nessa questão. Ficarei no alerta: cuidado com o que fala diretamente ao seu medo, suas emoções e suas crenças, essas são as chaves para capturar sua consciência. Não se trata de não ter medo, emoções ou crenças, mas de aprender a deixar os 90 segundos de reação bioquímica passarem e seu sistema límbico deixar seu córtex frontal superior trabalhar. Para mais informações sobre isso sugiro o excelente livro de Jill Bolte Taylor (compre usado / digital em inglês)

Como disse no início do post a vontade de manipular as pessoas online é uma clara demonstração do que sentem muitas pessoas que ainda não olharam a fundo para a Internet e naturalmente não perceberam que ela é consequência e não causa.

Primeiro vieram mudanças culturais e sociais que temos assistido cada vez mais intensamente desde o fim da segunda guerra mundial quando o fascismo despertou o mais profundo grito de liberdade em reação à sua violenta agressão a ela!

Desde então vimos sindicatos se formarem mais rapidamente, mulheres, negros e outras vítimas de preconceito conquistando direitos iguais, a ficção científica passou a deixar de ver o alienígena como um invasor perigoso para encontrar neles companheiros de jornada no desenvolvimento da consciência. Poderia enumerar por páginas e mais páginas os pequenos e grandes avanços da liberdade em cada uma das áreas das artes e conhecimento humanos, mas creio que dá para pescar a idéia.

O que está acontecendo é que desde que o primeiro humano berrou “AHAYAAA” e os outros entenderam que ele estava dizendo “Agora!!!” desenvolvendo pela primeira vez a fala nossos avanços tem crescido exponencialmente e neste exato momento estamos em um ponto de salto quântico (ideia de que não podemos atingir a velocidade da luz, mas podemos saltar diretamente de uma velocidade próxima a ela para outra centenas de vezes superior – corrigindo, tem a ver com o salto de “órbita” de elétrons).

Quem tem mergulhado no caldeirão da cibercultura tem uma visão do que está acontecendo (tome nota: é entre a geração Net que as a cultura do século XXI está sendo forjada) e quem continua vendo a Internet como mais um meio para se comunicar e atingir clientes tem outra bem diferente, ou na verdade bem igual à visão que marcou os dois últimos séculos.

Quando o primeiro grupo avisa o segundo grupo que tudo está mudando, que é necessário colaborar em vez de notificar, influenciar ou divulgar eles se assustam. Acham que estão diante de revolucionários, mas o primeiro grupo se assemelha mais ao Gandalfo da trilogia Senhor dos Anéis: eles estão avisando o que está a caminho e que o anel do poder será destruído por pessoinhas pequenas e simplórias que se recusam a ser manipuladas.

O inimigo da corporação não é a liberdade de pensamento da humanidade, mas a prisão em que elas, corporações, se trancafiaram e de onde não podem ver que por séculos a humanidade vem contruindo formas que nos possibilitarão agir como uma civilização única apesar das nossas diferenças culturais.

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