Imagem: Baobab (Adansonia digitata) at Sunset – Gregory “Slobirdr” Smith

O pensamento tem gatilhos. Tanto os pensamentos individuais quanto memes coletivos. Eles ficam lá quase imperceptíveis, na periferia da nossa consciência (quando são nossas próprias ideias) ou da nossa percepção (quando são coletivos).

Hoje aconteceu depois de ler o comentário de uma amiga ao vídeo abaixo dizendo “espero que sejam uma semente”:

Meu comentário se parece muito com a euforia que vimos em 2011, 2013 e vemos agora diante de 200 escolas ocupadas por seus alunos.

É claro que a euforia é um fenômeno que devemos observar com muita cautela, ela interfere em nosso julgamento, mas é parte do nosso processo cognitivo.

A euforia produz uma reação em cadeia de ideias e associações que devemos observar depois procurando falseá-las.

Um momento. Não vou chamar de euforia pois não é o melhor nome. É um insight, um estado de alerta repentino.

Claro que normalmente não tomamos nota desses momentos, menos ainda quando são parte de um processo coletivo como a primavera das mulheres, mas as associações de ideias mais fortes persistem ecoando silenciosamente plantando sementes.

Toda mobilização é uma semente e essa que vemos agora está conectada a várias outras. Vou compartilhar o meu “estado de alerta repentino” que mergulha justamente nisso:

Então, vocês sabem como sou fascinado pela mecânica das movimentações sociais e culturais e o que tenho percebido é que é assim que mega mudanças acontecem.

Em 2011 passei perto de 48h (quebrados sendo o maior período umas 12h) misturado com o pessoal do Occupy no Rio (Cinelândia).

Poucos anos depois vi vários daqueles rostos em um papo que o Marcelo Freixo organizou com jovens e universitários.

Em 2011 era uma galera de universitários que se misturavam a moradores de rua e isso já produzia uns efeitos fascinantes (aliás dá uma olhada nesse projeto que contrata moradores de rua para fazer pesquisa de campo sobre moradores de rua).

Agora é outro grupo social totalmente diferente. Jovens de uma outra periferia, em outro estado, em outro estágio escolar, mas a mecânica é muito parecida. Acho bem provável que eles tenham interagido com outras ocupações através de vídeos no Youtube ou talvez essa forma de organização que estamos vendo é espontânea do nosso século hiperconectado.

Está rolando também a primavera das mulheres que pega ainda outro setor da sociedade.

Tudo com interseções, claro, mas formando redes que atingem facilmente umas dezenas de milhões de pessoas que absorvem toda uma nova cultura de organização popular e conceito de cidadania e democracia.

Cara… As pessoas só estão pessimistas com o século XXI por causa da tal desesperança aprendida.

Então… Dá para notar que estou “um pouco” animado com tudo que está acontecendo, né?

Mas é que, por mais que eu me esforce para falsear as hipóteses de que estamos vendo o surgimento de algo incomensurável, não consigo.

Teria que ter como fechar a Internet, fechar as democracias etc e ninguém consegue mais isso pq o sistema econômico caminha resoluto no sentido de precisar de ainda mais democracia e Internet (para conectar consumidores, empresas, governos).

Claro que, às margens das transformações, qq marola no sentido contrário é aterrorizadora e Cunha, ISIS, Alckmin, Dilma/PT e o candidato homofóbico fundamentalista lá dos EUA são bem piores do que uma marola ou pelo menos parecem ser.

Foi mal o tratado! Hehehehe!!! Mas eu estou MESMO animado com tudo.

Esse “estado de alerta repentino” é energizante e cria conexões sinápticas e sociais.São um “rush” que queremos sentir novamente e pelo jeito não se limitam a indivíduos se instalando também em grupos sociais.

Na era da sociedade hiperconectada os baobás crescem em rede e suas sementes se espalham além de qualquer controle…

Se você está pensando que nem só “bons” baobás crescem em rede você tem razão, mas quando olhamos para a cultura pop como uma forma de medir o espírito da nossa época fica claro que os “maus”baobás estão em nichos. Falei nisso no final do vídeo Timelines Desesperadas:

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