Para saber do que esse post trata veja o primeiro da série que estou escrevendo sobre o curso de Capitalismo Cognitivo do Pontão Eco da UFRJ.

A palestrante foi a Oona Castro do Overmundo, uma das pessoas mais antenadas que encontrei quando se trata da economia alternativa baseada no que pode ser entendido como pirataria.

O objetivo era mostrar um modelo comercial alternativo partindo do exemplo do Tecnobrega de Belém e levantar algumas questões a respeito da pirataria.

Assim que a apresentação estiver no Slideshare coloco-a aqui.

Creio que as características centrais do Tecnobrega são

  • O modelo tradicional do gargalo das distribuidoras, altos custos dos jabas e a falta de atenção a setores muito segmentados era inviável para o movimento iniciado em 2002
  • Contratos de exclusividade comuns na industria fonográfica não é interessante para eles
  • A principal fonte de renda das bandas vem dos shows

Resumindo assim parece-me que o modelo de negócios do Tecnobrega seria melhor também para todos os outros setores da cultura, mas algo impede que o modelo seja largamente adotado.

Durante as entrevistas feitas em 2006 a Oona percebeu dois padrões de comportamento que me parecem dignos de destaque:

  • Apesar de não aceitar os contratos de exclusividade as bandas se sentem privilegiadas ao serem procuradas pelas distribuidoras, é um sinal de status e de sucesso
  • O discurso anti-pirataria está inserido entre eles apesar dela ser sua rede de distribuição

É bem provável que esses dois fatores sejam justamente o que impede a disseminação do modelo por outras regiões e talvez ele só tenha surgido lá em virtude de dificuldades (como o preconceito endêmico contra as regiões Norte e Nordeste) que os impedia o acesso ao filão das distribuidoras.

Inseridos em uma sociedade do espetáculo a promessa (ainda que ilusória) de ser alçado à fama internacional continua convencendo a maioria das iniciativas culturais a se enquadrar no esquema da indústria cultural. Bom exemplo é o “Faça você mesmo” que resumidamente transferia para as novas bandas o trabalho de prospecção de revelações, mas o objetivo ainda era atingir as grandes gravadoras e distribuidoras.

Além disso, como parte de um capitalismo monetário de consumo (em contraposição a um suposto capitalismo cognitivo) é natural que em algum momento o papel do camelô pirata seja visto como um desvio de vendas que poderiam ser revertidas para a banda.

Afinal de contas o Tecnobrega, assim como – desconfio –  a maioria das experimentações, não é um movimento revolucionário ou mesmo de protesto ideológico, é apenas o resultado da busca por um modelo de negócios que funcione visto que o atual não é viável para eles.

Uma breve gênese do combate à pirataria

Me chamou a atenção foi saber que a maior parte dos recursos para combater a pirataria não vem do governo, mas da própria indústria da propriedade intelectual e, apesar disso o confronto se estende às políticas internacionais quando um governo usa de sanções comercias para pressionar o outro a combater a pirataria em seu território.

É um tema que merece aprofundamento.

Notas de aula

  • Legal commons e Social Commons (Ronaldo Lemos) – Inglês
  • É comum atribuir o relacionamento da pirataria com o crime organizado ao livro Ilícito de Moisés Nain
  • O artigo 184 do código penal tipifica o crime de pirataria
  • As estimativas de prejuízos provocados estão inchados, por exemplo, pela idéia equivocada que a pessoa que compra um DVD de 10 Reais teria comprado o de 60 se não tivesse essa opção.

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