Imagem: Espantalhos na série Doctor Who

Artigo na Infomoney derivado de outro no Wall Street Journal inicia com essa chamada: Lula enganou o mundo, diz jornalista americano.

Podemos extrair ótimas reflexões desse texto. A principal delas é uma defesa ao sistema como está, uma rejeição de que estamos em uma transição recorrendo-se a super vilões e super heróis para explicar os nossos problemas. Lula, claro, é apenas mais um personagem de um sistema que precisa de reformas urgentes e Fernando Henrique (escolhido como um tipo de herói no texto) também. Ambos são parte do problema.

No título resolvi destacar a falácia do espantalho que está no texto e me pareceu a mais importante pois temos sido seduzidos por ela com muita frequência. Dessa vez ignora-se que os legados de eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos tem sido muito questionados para apontar a frustração da expectativa de que o Brasil mostraria vitórias em igualdade e justiça social. Expectativas de quem? Elas eram justamente o contrário, ou seja, cria-se um espantalho, uma hipótese que nunca existiu para desqualificar o inimigo.

“O inimigo”. Esse, finalmente, é o ponto que devemos focar com mais atenção: não há um inimigo personalizado, há um sistema que precisa ser reformado. Aliás, vários sistemas.

Enfim. Fiquem com o comentário que deixei no Facebook quando deparei com esse artigo. Creio que ele explora um pouco mais os argumentos para as conclusões acima. E fiquemos sempre atentos para a leitura crítica.

Lula nunca foi um herói da esquerda, simplesmente tinha um marketing de esquerda enquanto fazia alianças com a direita (lembrando que direita e esquerda no sentido contemporâneo) o que soava menos ruim para quem tem um viés à esquerda (e aqui tratando-se do viés cognitivo mesmo).

Acho difícil que algum analista minimamente preparado tenha suposto que haveria um Brasil ideal como o descrito já esse ano! Que país no mundo conseguiu isso aliás?

Também não vejo toda essa inteligência no Lula para enganar o mundo todo (muito embora ele certamente seja inteligente).

O fenômeno, tanto aqui quanto em outros países parece cada dia mais claro (e recomendo Redes de indignação e esperança do Castells ou meus posts no Meme de Carbono hehehehe) e consiste em mais um efeito da transição de eras que vivemos em que os relacionamentos incestuosos entre políticas, corporações e mídia se deparam com uma crescente demanda da população por mais voz, mais participação no sistema.

Vimos Lula se eleger com promessas para quem tem viés de esquerda e trair essas promessas desde o início do seu mandato, vimos a prevaricação entre os dois discursos crescer até desmoralizar totalmente o sistema como um todo.

A crise teria que surgir tanto em função da perda da confiança da população quanto das manobras políticas que sabotaram a economia para atingir a imagem desse ou daquele grupo.

O viés da jornalista também atrapalha muito a análise dela. Em termos de corrupção e desvios políticos parece não haver ponto fora da curva entre os partidos e atores políticos em posições chave, até porque o sistema é refratário a pontos fora da curva. Defender o FHC, por exemplo, dá a impressão que o sistema está OK e só precisamos de um super herói que faça frente aos super vilões… E isso só existe em quadrinhos (e cada vez menos preto e branco).

Super potência para 2025 no meio de uma transição de eras?? Só se for o Canadá e essa é uma hipótese 99% emocional hehehehe.

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