Introdução

Depois de ser ignorado por mais de 15 dias pelos principais grupos de mídia nos EUA o movimento (coordenado via Internet) de protesto contra os rumos que 1% da civilização estão impondo ao capitalismo que influencia 99% do restante da humanidade foi extendido espontaneamente para mais 85 países onde cidadãos comuns se organizaram, também por Internet, para demonstrar que desejam novos caminhos para a civilização.

Esses movimentos tem acontecido sem a condução de partidos políticos ou qualquer outro tipo de interesse minoritário. Por hora podem ser resumidos como “Nós, 99%, queremos outro rumo para nossa civilização”.

O que vi

Era um número pequeno de pessoas, não mais de 250, entretanto o evento foi significativo da massa crítica que está se formando até em nosso país onde uma bolha de prosperidade favorece a acomodação.

Três pontos servem para ilustrar o que parece estar acontecendo.

  1. Um partido político levou sua bandeira e se recusava a abaixá-la mesmo a maioria dos presentes argumentando que admitir a participação de partidos transformaria um movimento popular em plataforma de conflitos partidários. A situação se resolveu quando alguém sugeriu que os que fossem contra a presença de bandeiras partidárias se deslocasse para outro ponto: todos foram… Inclusive os membros do partido, mas sem a bandeira. Tudo pacificamente apesar de alguns momentos de declarações inflamadas.
  2. Sem megafone as pessoas que queriam falar se dirigiam ao centro da roda e eram ouvidas pacientemente pelas 200 pessoas.  Inclusive quando, por 3 ou 4 vezes algum membro ou simpatizando do partido voltou a opinar que as bandeiras não deviam ser rejeitadas. O respeito por quem falava persistiu inclusive quando um mendigo bêbado relatou seu drama ao ser expulso com outros de um casarão onde morava.
  3. Se houve uma ideia comum entre os discursos ela foi a favor de uma economia de esquerda, socialista ou mesmo comunista e um governo que rejeitasse as grandes corporações e grupos de mídia.
Traduziria esses três pontos assim:
  1. As pessoas sabem que devem se reunir não como cariocas, brasileiros, brancos, negros, gays, religiosos, ateus ou qualquer outra bandeira. Elas estão se reunindo como humanos que desejam um sistema sócio econômico que respeite todas essas bandeiras e minorias e isso só é possível se o movimento não tiver nenhuma bandeira. Essa característica sozinha, se for preservada, será uma mudança estrutural surpreendente e positiva
  2. As pessoas estão prontas para escutar antes de falar, mesmo achando que o discurso não está levando a lugar nenhum, mesmo discordando. Bem, com breves momentos de discussão, mas se não houvesse isso estaríamos lidando com cylons e não com humanos
  3. Diante da incapacidade dos grupos que ocupam o poder em apresentar alternativas (0u pelo menos ouvir as alternativas que os cidadãos sugerem) os protestos se voltam contra o capitalismo, mas não vejo isso como uma demanda estrutural e sim como fruto da falta de alternativas.

Opinião

Como toda transição (mesmo que seja entre eras muito distintas) os que são capazes de se adaptar tem vantagens evolutivas.

É difícil afirmar por um grupo de 250 pessoas qual é o zeitgeist de uma população, mas ao que parece o mesmo espírito tem visto em mobilizações com mais de 10 mil pessoas e por isso me atrevo a supor que esse realmente é a “vibe” geral.

Pessoalmente não vejo caminho para algum anti-capitalismo e sim para um tipo de neo capitalismo de esquerda, no entanto desconfio que a sociedade começa a mostrar maturidade para descobrir ou desenvolver o novo sistema que virá a transformar ou sbstituir o atual.

No mais é cedo para afirmar qualquer coisa, só preciso dizer que me emocionou muito estar lá: senti que estava assistindo a História ensaiando seus próximos (ainda indecisos) passos.

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