Imagem: Detalhe da obra Vieux guitariste aveugle de Picasso

Tenho defendido a hipótese de que estamos diante da maior revolução cognitiva dos últimos 70 mil anos. Pode parecer um exagero, mas pretendo ir mostrando isso ao longo do ano com posts como esse que exploram mudanças de abordagem e modelos de pensamento que estão se apresentando.

O que é um estereótipo?

Em linhas gerais podemos dizer que estereótipos são conjuntos de características que nos permitem classificar pessoas, mas também sentimentos, grupos e culturas, por exemplo.

Vamos nos ater a pessoas e culturas pois me parece que são exemplos mais claros.

Um homem de terno bem asseado, magro, de cabelos bem arrumados, óculos e por volta dos quarenta ou cinquenta anos parece confiável e bem sucedido. Uma mulher bela, jovem, vestida com roupas para academia, prendedor de cabelo e bolsa rosa parece ser superficial e vulnerável.

Claro que seus estereótipos podem ser diferentes e até o contrário dos que apresentei acima e essa é a primeira questão.

A evolução dos estereótipos

Até a década de 80 do século passado era fácil identificar estereótipos que tinham caído em senso comum: haviam modelos bem claros para família, moral, ética, religião…

Com a “diminuição” do mundo pela expansão das comunicações e indústria de entretenimento globalizada começamos a assistir a flexibilização dos estereótipos.

A imagem desse post, por exemplo, foi usada em uma HQ adulta para explorar as diferenças entre as expectativas e a realidade. O guitarrista é rico ou pobre? Está concentrado ou triste? Tem fome ou é apenas magro?

Já na década de 70 percebíamos o surgimento de novos estereótipos como a emblemática princesa Leia: forte, independente e imune ao lado negro da força. É uma mudança radical em comparação com a mulher culpada pelo pecado original.

No entanto não parou aí. Vimos os estereótipos se flexibilizarem cada vez mais. Temos homens frágeis como Luke Cage e, para resumir, uma miríade de possibilidades de modelos de família e padrões de gênero.

O colapso dos estereótipos

Chegamos ao ponto que já se fala, por exemplo, em gender fluid e vemos diversos jovens millenials simplesmente ignorando o próprio conceito de associar uma expectativa a qualquer padrão físico, cultural ou comportamental (destacando aqui cultura como o ambiente coletivo e comportamental na esfera pessoal).

Cresce a visão de que uma pessoa não precisa estar presa a qualquer expectativa de acordo com sua aparência, etnia, cultura ou comportamento. Sequer se espera, nos casos mais extremos, que sejamos definidos por nossas ideias, pensamentos ou sensações.

Trata-se da obsolescência de um modelo de classificação do mundo que talvez tenha nos acompanhado nos últimos 70 mil anos quando nos tornamos pequenas tribos de nômades caçadores-coletores com aproximadamente 100 indivíduos que se encaixavam em funções estereótipos cada vez mais bem definidos.

Mindfulness e estereótipos

Vemos agora o crescimento da releitura da meditação na forma das práticas da atenção plena que tem um dos seus três pilares justamente no não julgamento, não classificação de sensações, pensamentos e ideias que surgem em nossa mente além de não nos definirmos de acordo com eles e sim como a consciência livre que observa o que ocorre na mente.

Claro que há riscos nesse descolamento, mas o próprio crescimento dessa abordagem demonstra que estamos sendo atraídos para uma nova forma de qualificar e entender a consciência.

Futuramente haverá um post aqui somente sobre o papel da Mindfulness como ferramenta para nos preparar para a mudança de paradigma.

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