Esse é o nome do evento promovido na Escola de Artes Visuais do Parque Lage pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado: Verão da Cultura.Urgente.

Passei boa parte desse sábado observando as pessoas no evento e assisti parte da apresentação da Vera Saboya sobre as Bibliotecas Parque e a da mesa Cultura.Agora.

Sou um alienígena no ambiente do Verão da Cultura pois não sou profissional da área de educação ou cultura, mas sou um observador de pessoas e por isso preferi estudá-las.

Gostei muito do que vi. É claro que, os que são mais entrosados nesse meio devem ver as velhas fogueiras das vaidades que nos atrapalham, mas acima dessas vaidades vi interesse sincero, criatividade e competência para revolucionar a cultura e a educação no Rio.

Resta construir uma ponte entre esses profissionais e o resto da sociedade para que possa se criar uma mobilização (nacional de preferência) em prol da reforma cultural do nosso país.

E por reforma devemos entender também o resgate da cultura que vai sendo esquecida como bem lembraram Leandra Leal (que me impressionou positivamente), Debora Colker e Pedro da Luz na mesa Cultura.Agora. Seja pela inclusão das artes cênicas e das danças populares no currículo escolar, seja na revitalização de setores da cidade abandonados pela especulação imobiliária como a região portuária.

A propósito tem me ocorrido que um dos problemas mais sérios da atualidade (alimentado febrilmente nos ultimos cem ou duzentos anos) é que estamos construindo a nossa civilização sobre os pilares da produção e do consumo de capital. Não estou falando contra o capitalismo, mas que o objetivo da escola não é educar, é produzir lucro (ou mão de obra no caso da escola pública). O objetivo das indústrias de alimento não é criar saúde, mas lucro. O objetivo dos governos não é construir a cultura, é garantir a balança do lucro X gasto.

Longe de mim a radicalidade do movimento Zeitgeist, mas há motivos bem sérios para passarmos a construir nossa civilização sobre os pilares da cultura, da ciência e outras qualidades que nos diferenciam dos demais animais. Com esses instrumentos podemos vencer qualquer obstáculo. Com operários apáticos (com britadeiras ou planilhas elerônicas, não importa) apenas continuaremos a seguir sem direção e sem alma pois é a cultura que constrói a alma humana.

A boa notícia é que tenho a impressão de ter visto hoje muita gente capacitada, ideologista e com fôlego para desenvolver essas bases…

Resta construir uma ponte entre esses profissionais e o resto da sociedade para que possa se criar uma mobilização (nacional de preferência) em prol da reforma cultural do nosso país.

E porque essa ponte não acontece?

Pessoalmente aposto no cansaço mais ou menos generalizado de quem repete apática e conformadamente que “o Brazil é uma merda”. Essas pessoas (que não são poucas e contaminam outras) sugam a energia necessária para cobrar uns dos outros algum tipo de ação. A rebeldia máxima de boa parte dessas pessoas é afirmar que não assistem o Big Broher, novelas ou TV aberta… Mas não são capazes de dizer o que fazem no tempo que sobra.

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