Um muro cinza com as letras em neon rosa: The World is Ours

À frente na “era” das IAs generativas e derivadas

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“Você não pode falar mal de IAs” é o que escuto com uma frequência preocupante, mas as pessoas tem razão. Em pouco tempo se estabeleceu o consenso de que “os homens mais inteligentes” estão criando “a maior revolução desde…” e complete com o fogo, a indústria a bomba atômica. Depende do viés que estão querendo defender.

No entanto a realidade é outra e não podemos mentir: nem aqueles homens (e desconfie de uma indústria que só tem homens como destaque) são os mais inteligentes e nem as IAs generativas e a sua órbita tem esse potencial transformador.

Escrevi em 2023 explicando como as IAs generativas funcionam e nada mudou desde então além delas passarem a “dirigir” outras IAs e produzir respostas se apropriando diretamente de conteúdo feito por pessoas e “refraseando” para parecer original. Elas tomam respostas desse site e começam a ser numerosos os casos de artistas cujas vozes e estilos foram tomadas e agora são acusados de plágio.

Já escrevi também sobre “ficar à frente na era das IAs” ao comentar o suposto fim da era do letramento.

O primeiro passo para saber como ficar à frente é entender que simplesmente não estamos entrando na era das IAs e que elas são uma tentativa de um pequeno grupo de mega corporações cibernéticas (se soa ciberpunk é porque realmente o paralelo é muito próximo) que tenta estabelecer poder na verdadeira era em que entramos:

A Era do Conhecimento

Essa é de fato a Era em que temos entrado desde antes da criação da Internet e já falei nisso também na série de posts de 2009 sobre Cultura Digital e Capitalismo Cognitivo. Quem leu na época ficou 17 anos na frente, mas dessa vez estou falando de um futuro mais próximo, 5 anos no máximo.

Talvez o nosso sonho seja uma civilização igualitária, mas essa realidade ainda está bem longe e temos que manter a nossa competitividade nos próximos 5 anos enquanto literalmente trilhões de dólares (só nos EUA) são gastos para construir um sistema. E as pessoas, quase todas homens não por coincidência pois nesse sistema o papel das mulheres é subalterno, moldando o sistema definitivamente não tem planos igualitários para o mundo. Basta que você procure por entrevistas com pessoas como Elon Musk, Jeff Bezos, Sam Altman, Peter Thiel e outros para ver a visão de futuro deles.

Quem você pensa que será dono do mundo? Quem pede para uma máquina recombinadora de coisas criadas por pessoas ou quem se mantém capaz de criar, ler, assistir, processar, recombinar, transformar, traduzir experiências em arte, etc?

Tá… Do jeito que vai tudo que nós criamos continuará sendo absorvido por IAs generativas e outras (aquele pessoal que recebe uma miséria para fazer faxina está alimentando outro tipo de IA) e nos restará sub-empregos… ou…

Anote essa informação privilegiada, vou até apelar para o meu histórico de ver algumas coisas décadas antes, pessoas capazes de fazer coisas sem IAs sempre terão grande importância, ainda que seja um mercado mais restrito e com poucas vagas de trabalho.

Informação nada privilegiada e que devia ser meio óbvia: mesmo quando tudo está bem a gente se sente com um vazio se não temos pensamento, criatividade e autonomia emocional, cultural, social. E quando tudo o mais vai mal a gente consegue ter uma vida com sentido se temos essas coisas e até sermos felizes! Digo por experiência própria, inclusive.

Conclusão

Para você não quer que ir nos meus outros posts:

  • Em uma era ciberpunk a capacidade de organizar o seu conhecimento, selecionar e reconhecer fontes, ler criticamente são as ferramentas mais importantes que você pode desenvolver
  • IA se aprende em três dias, talvez só algumas horas, principalmente se você souber o básico delas (vê lá meu post de 2023)
  • Desenvolva autonomia digital, saiba usar ferramentas como LibreOffice, algo que faça site, sistema de notas (Obsidian, LogSeq)
  • Defenda a sua privacidade e segurança protegendo sua navegação, seus emails
  • Se afaste o máximo que puder do das máquinas das mega corporações cibernéticas, principalmente mídias sociais. Não precisa ir para o Fediverso ou para redes sociais online de verdade, mas tenha uma rede de apoio, seja online, seja offline (sempre tenha uma offline)

Ah! Sobre a frase lá no banner desse post: “O mundo é nosso.”

Ele é nosso quando assumimos o controle das nossas vidas digitais e cibernéticas. Esse site, o boletim cibernético (ambos livres e gratuitos) e as minhas consultorias servem essencialmente a essa missão!

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Imagem: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/roxo-e-rosa-me-amo-me-amo-grafite-de-parede-H0-3xfbU8wk

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